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ONU conta 306 mortos por drones no Sudão em três semanas

O escritório de direitos humanos da ONU documentou ao menos 306 mortos e centenas de feridos nas três primeiras semanas de outubro de 2026, em ataques atribuídos ao Exército sudanês e às Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês). Em 29 de outubro, o governo do Sudão acusou a Etiópia de lançar 162 ataques com drones do seu território, sem verificação independente.

O escritório de direitos humanos da ONU documentou ao menos 306 mortos e centenas de feridos em ataques com drones nas três primeiras semanas de outubro de 2026, no Sudão. O balanço foi divulgado em 23 de outubro pelo alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Türk, para quem os drones já respondem pela maioria das mortes de civis do conflito neste ano.

Os ataques são atribuídos ao Exército sudanês e às Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), que disputam o país desde abril de 2023. Os alvos documentados incluem casas, mercados, hospitais, abrigos de deslocados, estações elétricas e fontes de água no Cordofão, no Darfur, no Nilo Azul e em Cartum.

Os episódios do comunicado mostram um padrão. Entre 6 e 10 de outubro de 2026, ataques atribuídos às forças do governo contra abrigos de deslocados em Ghubeish e El Nuhud, no Cordofão Ocidental, mataram ao menos 25 civis e feriram 31. Em 9 de outubro, um drone atribuído à RSF atingiu deslocados que garimpavam ouro perto de um abrigo em Abu Shendi, no Nilo Azul, e matou ao menos 31 pessoas, a maioria mulheres e crianças.

As áreas de garimpo se tornaram alvo recorrente, e o escritório da ONU liga os ataques à economia de guerra. Em 9 e 16 de outubro, drones atribuídos à RSF atingiram a área de garimpo de Bajaun, na localidade de Gadeer, no Cordofão do Sul, e mataram 42 civis e feriram 25. Türk lembrou que o valor econômico de um alvo não basta para torná-lo objetivo militar.

Em 18 de outubro, ao menos 139 pessoas morreram quando um caminhão foi atingido em um ataque de duplo toque em Dibab, no Cordofão Ocidental, área controlada pela RSF. Ataques a mercados em Al Dabba, no Darfur do Norte; Nyala, no Darfur do Sul; e Al-Idea, no Cordofão Ocidental somaram 23 mortos. Um ataque atribuído à RSF ao hospital de Um Darfa, no Nilo Azul, em 11 de outubro, feriu gravemente dois agentes de saúde e deixou a unidade fora de operação.

O comunicado registra ainda uma tendência nova, a dos ataques de retaliação: drones atribuídos à RSF atingiram Cartum, inclusive a área do aeroporto, em resposta a ataques aéreos das forças do governo contra Nyala.

Em Abyei, região desmilitarizada disputada entre Sudão e Sudão do Sul, o ataque de 19 de outubro ao mercado de Amiet, também chamado de Al-Naam, e à área de Todach matou integrantes da Força Interina de Segurança das Nações Unidas para Abyei (UNISFA). O balanço subiu de 73 para 153 mortos, segundo autoridades locais citadas pela Reuters em texto republicado pela Radio Dabanga, e cerca de 8 mil pessoas fugiram. O secretário-geral da ONU condenou o ataque, o Reino Unido pediu investigação independente e o Sudão do Sul convocou o embaixador sudanês. Um oficial militar sudanês disse à Associated Press, sob anonimato, que o Exército fez o ataque e mirava caminhões de combustível da RSF; a versão não foi verificada de forma independente.

Em 28 de outubro de 2026, o Ministério da Defesa Nacional da China informou que passou a operar equipamentos de detecção e interferência de drones em Abyei, a pedido da UNISFA, para reforçar um batalhão de infantaria paquistanês da força de paz.

Um dia depois, o governo sudanês acusou a Etiópia de lançar 162 ataques com drones a partir do território etíope, com mais de 400 civis e 102 militares mortos, em coletiva com oficiais militares e de inteligência e subsecretários das Relações Exteriores e da Informação. Os números não têm verificação independente, e a Etiópia já rejeitou como infundadas as acusações de apoio à RSF.

Uma subestação elétrica que abastece o estado de Cartum foi atingida por um drone em 27 de outubro, depois de ataques a estações em El Gezira, Sennar e El Gedaref em 26 de outubro, segundo o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). A França condenou a escalada e afirmou que não há solução militar para o conflito.

A pergunta que a documentação deixa aberta é quem responde pelos 306 mortos de outubro. A ONU atribui os ataques aos dois lados, pede um cessar-fogo negociado e não indica quem vai apurar a autoria caso a caso.

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