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Irã leva carta de Khamenei a Putin e amarra Ormuz e gasoduto ao pós-guerra

Rezaei discutiu em Moscou o arranjo de segurança do pós-guerra e um gasoduto russo para o Irã, e repetiu que Teerã não abre o Estreito de Ormuz nem negocia enquanto os Estados Unidos não cumprirem sete condições. O conteúdo da carta de Khamenei não foi divulgado.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebeu em 5 de novembro de 2026, no Palácio do Senado, no Kremlin, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, que entregou uma carta do líder supremo, Mojtaba Khamenei, e discutiu o período do pós-guerra e os arranjos de segurança da região. A entrega da carta foi divulgada pela emissora estatal iraniana Press TV. O Kremlin não publicou relato próprio do encontro até a noite de 5 de novembro.

“Questões regionais importantes foram discutidas com Putin e conversas significativas aconteceram sobre o período do pós-guerra e os arranjos de segurança regional”, disse Rezaei a jornalistas depois da reunião. Segundo ele, Khamenei pediu que a mensagem fosse entregue o quanto antes, e a viagem estava marcada havia quase um mês, adiada pelas conversas diárias sobre a situação militar. O conteúdo da carta não foi divulgado por nenhum dos dois lados.

O que Khamenei disse em público saiu em comunicado escrito em 4 de novembro: não deve haver “nem a mínima inclinação à submissão” aos Estados Unidos, e o país precisa ser “cada vez mais forte” até um “ponto de dissuasão absoluta”.

A condição iraniana para sair do impasse também foi repetida em Moscou. “Sobre a diplomacia, anunciamos sete condições aos americanos. Enquanto eles não executarem as nossas sete condições, não abriremos o Estreito de Ormuz nem teremos negociações”, afirmou. Em 3 de novembro, Rezaei já havia dito que a resposta dos Estados Unidos não era convincente e que Washington precisava tratar das sete condições de forma completa e explícita, única hipótese em que o estreito seria reaberto. O plano foi apresentado em 22 de setembro por mediadores, previa a reabertura em sete dias e foi reduzido depois para dois, segundo o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei.

O pano de fundo é a guerra que começou em 28 de fevereiro de 2026, quando Israel e os Estados Unidos atacaram Teerã e outras cidades iranianas. Houve cessar-fogo em 8 de abril e um memorando de entendimento assinado em 18 de junho, com negociações previstas para terminar em 17 de agosto e sem acordo. O impasse agora se organiza em quatro pontos: o futuro do Estreito de Ormuz, o bloqueio naval americano aos portos iranianos, as sanções e a retomada da conversa sobre o programa nuclear. O Catar intensificou a mediação, e há temor de que os Estados Unidos retomem os ataques depois das eleições de meio de mandato, em que o partido de Donald Trump perdeu as duas casas do Congresso.

O segundo assunto da reunião foi energia. Rezaei disse que as conversas trataram da construção de gasodutos da Rússia para o Irã, com dois objetivos declarados: resolver a escassez de gás iraniana e permitir que a Rússia venda gás aos países vizinhos do Irã. O Irã é um grande produtor, mas convive há anos com falta de gás para aquecimento, e, segundo Teerã, a fase mais intensa dos combates, de quase 40 dias, atingiu refinarias de gás natural. Rota, capacidade, prazo e financiamento do gasoduto não foram divulgados por nenhum dos dois governos.

Rezaei também disse ter informado Putin de uma reunião realizada em Teerã no fim de outubro entre Irã, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, que o russo teria recebido bem. E deixou explícita a lógica que Teerã quer vender como saída regional: “Como os nossos amigos chineses, acreditamos que deve haver arranjos regionais e que países estrangeiros não devem interferir na segurança da região.”

O vínculo entre os dois países tem uma medida jurídica: Rússia e Irã assinaram em janeiro de 2025 um tratado de parceria estratégica abrangente, em vigor desde outubro daquele ano, que cobre comércio, cooperação militar e ciência, mas não inclui cláusula de defesa mútua, ao contrário do pacto russo com a Coreia do Norte. Não há garantia automática de socorro militar, e o que Teerã busca em Moscou é apoio político e energia, sem aliança formal.

A pergunta que o encontro deixa aberta é o que a carta de Khamenei pede em concreto e se Moscou tem como transformar a mediação em gasoduto. Segundo Rezaei, Putin reiterou que a Rússia está pronta para apoiar o fim da guerra, e o iraniano saiu de Moscou sem dizer o que a carta dizia. Até aqui, o que existe de verificável são sete condições que nunca foram publicadas por inteiro, um estreito fechado e um gasoduto que ainda não tem traçado.

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