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Queda das ações de tecnologia e IA derruba bolsas asiáticas

O Kospi interrompeu o pregão três minutos depois da abertura em Seul, a 11ª vez no ano, e o Nikkei perdeu mais de 6%, um dia depois de a Nasdaq cair 5,5% com a vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

O pregão de Seul parou três minutos depois da abertura desta sexta-feira, 6 de novembro de 2026. O Kospi abriu em queda de 2,24%, a 5.263,26 pontos, perdeu o patamar dos 5.000 pela primeira vez desde 6 de fevereiro de 2026 e acionou o circuit breaker de nível 1 – a interrupção automática de 20 minutos quando o índice cai mais de 8%. Foi a 11ª vez neste ano e a 17ª na história do mercado coreano.

Passados os 20 minutos, a venda continuou: às 9h34 de Seul (21h34 em Brasília) a bolsa acionou o sidecar de venda, que freia ordens de negociação programada, pelo segundo dia seguido, e às 10h o Kospi caía 8,35%, a 4.934,09 pontos. O Kosdaq, índice das empresas menores, recuava 6,34%.

O resto da Ásia seguiu o mesmo movimento. O Nikkei despencou mais de 6% logo depois da abertura e Taiwan caía mais de 8%. A Kioxia perdeu 14%, a Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC) 8,5%, a Samsung 9,98%, a 181.400 won, e a SK Hynix 11,71%, a 1.116.000 won. A SoftBank recuou 11%, e o seguro contra o calote da SoftBank ficou no maior nível em quatro anos.

A origem estava em Nova York. Na quinta-feira, 5 de novembro, a Nasdaq caiu 5,52%, a maior queda em um dia desde o tarifaço recíproco de abril de 2025, e US$ 3 trilhões saíram do valor de mercado das empresas do S&P 500. O índice de semicondutores da Filadélfia recuou 12,25%, a maior queda desde a pandemia de covid-19, com a SanDisk recuando 22,26% e a Micron, 17,46%. O VIX (índice de volatilidade), termômetro do medo em Wall Street, chegou a 28,09, o maior em oito meses. A National Public Radio (NPR) calcula US$ 2 trilhões só nas ações de tecnologia, recorte distinto do total do S&P 500.

O gatilho foi a eleição. Os democratas conquistaram a maioria na Câmara em 3 de novembro de 2026, e dirigentes do partido pediram restrição ao setor que sustentou a alta das bolsas. “Moratória nacional de data centers, agora”, escreveu no X o senador Bernie Sanders, independente de Vermont. Entre os eleitores, 56% disseram que a inteligência artificial e os data centers pesaram no voto, e 65% desses votaram nos democratas, segundo pesquisa do canal CNBC.

Onde a conta chega primeiro é no mapa da produção. As fabricantes de chips e de equipamentos para data centers da Coreia do Sul, de Taiwan e do Japão são as mais expostas, e já vinham caindo na quarta-feira, 4, e na quinta-feira, 5. O Texas, que concentra 27% da capacidade planejada de data centers nos Estados Unidos, segundo o Wells Fargo, elegeu a democrata Gina Hinojosa, que prometeu suspender as aprovações do tipo até que a legislação estadual aprove regras de proteção.

Em 5 de agosto de 2024, o Kospi perdeu 8,8%, ou 234,64 pontos, fechou a 2.441,55 e acionou o primeiro circuit breaker em mais de quatro anos. Naquele dia, o Nikkei caiu 12,4%, 4.451,28 pontos, a maior queda diária da história do índice, acima da Segunda-Feira Negra de 1987. O gatilho era macroeconômico: emprego fraco nos Estados Unidos, alta de juros do Banco do Japão e o desmonte de apostas financiadas por iene barato. Desta vez, o gatilho é a eleição de 3 de novembro.

O governo sul-coreano prometeu mobilizar todos os recursos disponíveis para estabilizar o mercado. O vice-primeiro-ministro e ministro da Economia, Lee Hyeong-il, pediu que os investidores não reajam além dos fundamentos.

Nenhuma restrição federal aos data centers foi votada ainda, e a Casa Branca mantém o poder de veto. Contudo, o mercado cobra uma promessa de campanha.

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