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Coreia do Norte apresenta novo sistema antiaéreo, mas mantém em sigilo suas capacidades

A Administração de Mísseis testou em 4 de novembro de 2026 um sistema antiaéreo de projeto novo, sem designação, local nem alcance divulgados, e no mesmo dia uma subunidade fez exercício de ataque com míssil de cruzeiro contra um aeroporto simulado. Seul detectou lançamentos em Sondok e não conseguiu classificá-los.

A Administração de Mísseis da Coreia do Norte testou em 4 de novembro de 2026 um sistema antiaéreo de projeto novo, segundo o comunicado divulgado no dia seguinte pela Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA). No mesmo dia, uma subunidade de fogo da unidade de mísseis de cruzeiro estratégicos de longo alcance da área leste fez um exercício de ataque contra um aeroporto simulado.

O comunicado não informa a designação do sistema, o local do teste nem o alcance. Traz apenas o que o teste teria comprovado: as especificações técnicas e a confiabilidade do material novo, o modo de guiagem múltipla inteligente do projétil, a capacidade de identificação e rastreamento de alvos e o processador de informação de detecção do sistema antiaéreo. Segundo o comunicado, o teste foi dirigido pelo general Kim Jong Sik, membro da Comissão Militar Central do Partido dos Trabalhadores.

Seul mediu outra coisa, e de outra natureza. O Estado-Maior Conjunto sul-coreano detectou na manhã de 4 de novembro múltiplos lançamentos na área de Sondok, na província de Hamgyong do Sul, em direção ao mar do Japão, que em Seul se chama mar do Leste. Os projéteis teriam voado menos de 300 quilômetros, e o Estado-Maior Conjunto deixou aberta a possibilidade de se tratar de míssil balístico de curto alcance. Nenhum dos dois lados disse se os lançamentos são o teste antiaéreo, o exercício de cruzeiro ou os dois.

Os dois anúncios saíram no meio da Freedom Flag 26-2, exercício aéreo conjunto de duas semanas que começou em 26 de outubro de 2026 na base de Kunsan e terminou em 6 de novembro de 2026. Tem duas edições por ano; a primeira foi em abril de 2026. Nesta, a Coreia do Sul liderou as missões combinadas como preparação para a transferência do controle operacional em tempo de guerra, com treinos também contra aeronaves inimigas simuladas. A Sétima Força Aérea dos Estados Unidos descreve o exercício como defensivo por natureza. A Coreia do Norte faz o mesmo com o teste de 4 de novembro: chama de defesa um sistema que não descreve.

O teste se soma a uma sequência de armas novas anunciadas em poucas semanas. Em 31 de outubro a Coreia do Norte disparou ogivas de fragmentação Standard Type 2 de mísseis balísticos táticos Hwasong-11D e afirmou que a ogiva transforma em cinzas uma área de 12 a 13 hectares. O mesmo general Kim Jong Sik supervisionou esse teste, e Kim Jong Un não compareceu. Em 17 de outubro, o país disse ter testado um torpedo de precisão guiado por inteligência artificial. Em 30 de outubro, numa demonstração de aeronaves não tripuladas, Kim Jong Un pediu “superioridade absoluta” em drones. No comunicado das ogivas de fragmentação, o diretor da Administração de Mísseis, que não foi nomeado, disse que o país classifica as ogivas em quatro categorias e pretende habilitar as unidades a usar todas ainda neste ano.

O calendário em volta pesa. Os lançamentos de 4 de novembro coincidiram com as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em que os democratas retomaram o Congresso, e com duas declarações seguidas de Kim Yo-jong, irmã de Kim Jong Un, rejeitando uma investigação dos Estados Unidos que atribui à Coreia do Norte o roubo de mais de US$ 6 bilhões em criptomoedas da Binance. O Japan Times lê a sequência de testes como acúmulo de barganha antes de um eventual encontro entre Kim e o presidente Donald Trump na cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), em Shenzhen, prevista para novembro de 2026: Trump já levantou a hipótese várias vezes e Kim não respondeu publicamente.

O que o comunicado deixa aberto é a pergunta que mais interessa a Seul: qual sistema a Coreia do Norte testou, de onde, e até onde alcança. Pyongyang não descreveu o sistema que diz ter testado, e o Estado-Maior sul-coreano não classificou os lançamentos de Sondok. Nenhum dos dois respondeu até 6 de novembro.

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