Governo Meloni esvazia a greve nos trens e não esvazia as ruas
A ordem que Matteo Salvini assinou em 27 de outubro de 2026, a pedido da Comissão de Garantia dos Serviços Públicos, manteve os trens e metrôs circulando, e as tendas erguidas no fim do cortejo de Roma seguem na via dos Foros Imperiais, onde uma assembleia nacional define em 1º de novembro de 2026 os próximos passos. A Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL) marcou greve geral para 20 de novembro contra o mesmo orçamento.
As tendas montadas na via dos Foros Imperiais, a poucos metros do Coliseu, passaram a noite de 31 de outubro para 1º de novembro de 2026 no lugar. Estudantes, sindicalistas, ativistas do movimento por moradia e trabalhadores que fizeram a greve de 30 de outubro de 2026 dormiram ali e querem ficar até domingo, 1º de novembro de 2026. A União Sindical de Base (USB) marcou para as 11h na Itália (UTC+1), 7h em Brasília (UTC-3), uma assembleia nacional aberta às cidades que paralisaram. O governo de Giorgia Meloni esvaziou a greve dos transportes com uma ordem administrativa e não esvaziou a praça.
A conta da jornada depende de quem conta. O Ministério do Interior, o Viminale, registrou 255 mil manifestantes em mais de 60 cidades, e oito pessoas foram detidas em Roma ao tentarem romper os cordões de segurança. A USB reivindica 1,5 milhão e os organizadores falam em cerca de 100 mil pessoas só na capital.
A polícia também contou. A Polícia de Estado cumpriu 60 buscas em 23 cidades contra pessoas que teriam incitado a violência em aplicativos e redes sociais, em operação da divisão de investigações e da polícia postal, e o sindicato de Polícia Coisp contou 11 policiais e dois carabineiros feridos.
A ordem e o seu histórico
A precettazione, prevista na lei 146 de 1990 para os serviços essenciais, permite ao ministro obrigar trabalhadores a cumprir turnos. Em 22 de outubro de 2026, a Comissão de Garantia dos Serviços Públicos recomendou ao ministro da Infraestrutura e dos Transportes, Matteo Salvini, que precetasse o setor, e ele assinou a ordem na noite de 27 de outubro. A justificativa foi a regra da franquia ligada ao feriado de Finados, que fecha a janela de 30 de outubro a 5 de novembro a paralisações.
Esse histórico é frágil, e o paralelo com ele tem limite. O Tribunal Administrativo Regional do Lazio julgou ilegítima em 22 de janeiro de 2026 a ordem 196T, de 14 de novembro de 2023, com que o mesmo ministério comprimiu a greve geral daquele mês no transporte, por motivação insuficiente. Desta vez, porém, foi a própria Comissão de Garantia que pediu a medida e o rito foi seguido, o que estreita a margem de anulação antes do mérito na avaliação do Il Fatto Quotidiano. O Comitê Europeu dos Direitos Sociais (CEDS), do Conselho da Europa, deu razão à USB em março de 2026 em três de seis quesitos, entre eles a extensão excessiva das franquias, numa decisão que o jornal chama de vinculante e sem execução imediata.
O orçamento que uniu as centrais
O escritório de estudos da Cgia, associação de artesãos e pequenas empresas, estimou em até € 817 milhões a perda direta, na hipótese de 20 por cento de adesão, e perto de € 1 bilhão com os efeitos indiretos. A estimativa é cenário, não medição: a adesão real segue sem número oficial.
A Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL) proclamou greve geral nacional de 24 horas para 20 de novembro de 2026, em todos os setores, contra a carestia, o rearmamento, o financiamento insuficiente da saúde e da previdência e a carga tributária. A greve geral é arma política antiga na Itália, e a história dela é uma sequência de rupturas entre as centrais. A primeira nacional saiu em 1904, depois que o Exército matou quatro mineiros na Sardenha, e a de 16 de abril de 2002, contra a reforma do artigo 18 do Estatuto dos Trabalhadores, foi a primeira em 20 anos. A jornada de 30 de outubro saiu da USB e das centrais de base, sem a CGIL.
O acampamento dos Foros Imperiais decide em 1º de novembro de 2026 se continua. A data de 20 de novembro responde a outra pergunta, a de se a maior central do país retoma o instrumento que deixou às siglas menores em 30 de outubro. O que o governo tem, por ora, é uma ordem que manteve os trens circulando e uma praça que ainda não desmontou as tendas.