Bombardeio na fronteira da Venezuela deixa 19 mortos, segundo a Fundaredes
Nove corpos foram levados a San Fernando de Apure, onde peritos começaram a identificação, e outros dez teriam ficado na área do ataque de 30 de outubro de 2026, no município Pedro Camejo, em Apure. O governo interino de Delcy Rodríguez não se pronunciou até a manhã de 1º de novembro de 2026.
Um bombardeio atribuído à Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) atingiu na sexta-feira, 30 de outubro de 2026, um acampamento que a organização não governamental Fundaredes identifica como da guerrilha colombiana Exército de Libertação Nacional (ELN), no setor Buena Vista del Meta, município Pedro Camejo, no estado de Apure, na fronteira com a Colômbia. O coordenador da Fundaredes em Apure, Juan Francisco García Escalona, disse ter visto nove corpos na área e divulgou um vídeo com corpos espalhados pelo chão, árvores caídas e as ruínas do acampamento.
Os nove corpos foram levados a San Fernando de Apure, capital do estado, onde peritos do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas começaram a identificação. Outras dez pessoas teriam morrido no próprio local, e um número não determinado de feridos teria conseguido chegar ao território colombiano, segundo o relato do coordenador publicado em 31 de outubro de 2026. Com isso, a conta da organização chega a 19 mortos.
A especialista em assuntos militares Rocío San Miguel disse à agência France-Presse (AFP) que moradores teriam relatado o ataque e identificado as vítimas como integrantes do ELN, e que na área há “muito medo, porque as pessoas estão sob enorme pressão do grupo guerrilheiro”. O governo interino de Delcy Rodríguez não se manifestou sobre o caso até a manhã de 1º de novembro de 2026, e o Ministério da Defesa e o comando da FANB também não publicaram versão oficial.
A denúncia é de uma organização que há anos documenta a presença de grupos armados na faixa de fronteira. O diretor da Fundaredes, Javier Tarazona, afirmou que, se a autoria se confirmar, este é “o primeiro bombardeio da Venezuela contra o ELN”. O ELN foi criado em 1964 e passou a ser a guerrilha ativa mais poderosa do continente depois do desarmamento da maior parte das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em 2016.
A violência na faixa fronteiriça vem de antes. Em Guasdualito, no mesmo estado de Apure, dois comerciantes foram assassinados em outubro – Joel Vargas, em 20 de outubro de 2026, e Cleiver Carvajal, em 27 de outubro de 2026 –, e a área segue militarizada por causa das ameaças de organizações criminosas aos comerciantes. A Fundaredes pediu que as autoridades expliquem as operações militares na região, identifiquem as vítimas com procedimentos verificáveis e notifiquem as famílias.
O que existe até agora é a contagem da Fundaredes, organização não governamental, sobre um ataque que nenhum órgão do Estado venezuelano confirmou. A soma de 19 depende de os dez corpos que teriam ficado na área serem localizados e identificados, e o bombardeio segue sem versão oficial sobre a autoria, o alvo e o número de vítimas.