ONU aprova fim do bloqueio a Cuba com menor apoio em 30 anos
Por 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções, a Assembleia Geral pediu em 28 de outubro de 2026 o fim do embargo dos Estados Unidos. O placar, o mais baixo em três décadas, reflete a pressão de Washington e o endurecimento das sanções de Donald Trump.
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou em 28 de outubro de 2026, por 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções, a resolução que pede o fim do bloqueio dos Estados Unidos a Cuba. Foi a 34ª votação consecutiva a favor do texto desde 1992, mas com o placar mais baixo em 30 anos.
Em 2025, a mesma resolução recebera 165 votos a favor, sete contra e 12 abstenções, segundo a Agência Brasil, em texto que inclui o voto brasileiro entre os favoráveis. A queda de 35 votos a favor em um ano reflete a campanha intensa de Washington junto a aliados para esvaziar o texto, que a Agência Brasil descreve como decisiva para o resultado.
O recuo apareceu também nas abstenções. Alemanha, Itália e Letônia, que votavam a favor, abstiveram-se pela primeira vez, segundo o El País. Entre os votos contrários identificados publicamente estão Argentina, Colômbia, Costa Rica, Equador e Paraguai, além dos Estados Unidos e de Israel, com quatro votos ainda sem identificação pública nas fontes consultadas.
O bloqueio foi imposto em 1960 e a primeira resolução anual da Assembleia Geral contra a medida data de 1992, quando o placar foi de 59 a favor, três contra e 71 abstenções. O Brasil votou pelo fim do embargo em 28 de outubro. Sob o governo de Jair Bolsonaro, o país votara contra em 2019 e se abstivera em 2021 e 2022.
A votação ocorre no momento mais agudo da crise cubana em décadas. O governo de Donald Trump reforçou o embargo em 2026, anunciou tarifas contra quem vender petróleo à ilha e cortou o fornecimento, o que ampliou apagões generalizados e a escassez de combustível, gás, medicamentos e energia. A ONU News relata o alerta do coordenador das Nações Unidas em Cuba, Francisco Pichon, para o risco de colapso humanitário, com cerca de 100 mil cirurgias adiadas e hospitais sob racionamento.
O representante brasileiro Sergio Danese defendeu o fim do embargo na sessão, segundo relatos da imprensa brasileira ainda sem transcrição integral divulgada. O Ministério das Relações Exteriores ainda não publicou o teor do discurso.
Para Cuba, a resolução mantém o isolamento diplomático de Washington – 130 países ao lado de Havana –, mas o placar mostra que a pressão estadunidense converteu parte desse apoio em abstenção. Para o Brasil, que voltou a votar com a maioria, o gesto recompõe a posição histórica do Itamaraty após a ruptura dos anos Bolsonaro, sem custo bilateral imediato, salvo o atrito retórico com a Casa Branca.