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Premiê do Líbano adverte contra nova guerra enquanto Israel mata no sul

Nawaf Salam disse que a decisão de guerra e paz cabe ao Estado, no dia em que um drone israelense matou uma pessoa em Qabrikha e as negociações com Israel seguem paradas.

Uma aeronave israelense não tripulada atingiu uma motocicleta em Qabrikha, no distrito de Marjayoun, no sul do Líbano, em 4 de novembro de 2026, matando uma pessoa e ferindo outra. O Centro de Operações de Emergência, órgão do Ministério da Saúde Pública libanês, confirmou o balanço em comunicado, e a Agência Nacional de Notícias do país atribuiu o ataque a um avião não tripulado. O ataque ocorreu com o cessar-fogo técnico em vigor e com as negociações entre o Líbano e Israel para implementar o acordo-marco anunciado em junho de 2026 paradas há meses.

No mesmo dia, o primeiro-ministro Nawaf Salam falou depois de se reunir com o presidente Joseph Aoun e fez um alerta dirigido ao Hezbollah. “Ante o perigo de uma nova guerra na região, reitero meu alerta contra arrastar o Líbano a uma nova aventura inútil a serviço de interesses estrangeiros e contra envolvê-lo em confrontos com consequências que ele não pode enfrentar”, disse Salam, segundo comunicado do seu gabinete. Ele acrescentou que proteger o país exige garantir que “as decisões sobre a guerra e a paz recaiam exclusivamente sobre o Estado e suas instituições”.

O cálculo do Hezbollah

A advertência tem endereço. Em março de 2026, quando começou a guerra entre os Estados Unidos e o Irã, o Hezbollah abriu a frente norte e atraiu sobre o Líbano a ofensiva israelense que se estende até hoje. O balanço oficial libanês contabiliza 4.389 mortos e 12.250 feridos desde o início daquela guerra até 30 de outubro de 2026, e as forças israelenses continuam a atacar o território libanês quase todos os dias, em boa parte com artilharia.

Israel mantém no sul uma zona de ocupação que chama de linha amarela, com dezenas de vilarejos, onde detona casas de forma deliberada e derruba outras com escavadeiras. O Hezbollah, por sua vez, condiciona qualquer recuo a uma decisão de Teerã: se a guerra com os Estados Unidos voltar a escalar, a frente libanesa é a alavanca mais barata que o grupo tem para pressionar Israel em nome do Irã, e o preço dessa alavanca é pago por quem mora entre o Litani e a fronteira.

O desarmamento em fases

Salam disse ao jornal Asharq al-Awsat que a primeira fase do plano de monopolização das armas, ao sul do rio Litani, estava a dias de ser concluída, e que a segunda cobriria a área entre o Litani e o Awali. A terceira fase abrangeria Beirute e o monte Líbano, e a quarta, o vale do Bekaa, segundo o primeiro-ministro. O Exército libanês impôs a autoridade do Estado, do sul do Litani até a fronteira, exceto nas áreas que Israel ocupa, e o governo pretende se reunir no início de 2027 para avaliar a primeira fase.

O obstáculo está no papel que o Hezbollah aceita assinar. O partido recusa entregar as armas ao norte do Litani, sustenta que o cessar-fogo não cobre essa área e vincula o desarmamento à retirada israelense do sul. Salam responde que o monopólio estatal da força é uma necessidade libanesa antes de ser uma exigência internacional, e cobra de Israel medidas recíprocas, como o fim das violações do cessar-fogo.

A negociação que trava tudo

O pano de fundo é a mesa entre Teerã e Washington. Os dois países retomaram as conversas indiretas havia mais de uma semana, e o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, disse na véspera que a resposta dos Estados Unidos à última proposta iraniana não foi convincente. Sem acordo entre os dois, cada frente regional volta a ser moeda de troca, e o Líbano é a mais exposta delas.

O que Salam controla é limitado e real: o Exército, a diplomacia e a agenda do desarmamento. O que ele não controla é a decisão do Hezbollah de atirar ou não, tomada em coordenação com Teerã. A aposta do primeiro-ministro é converter o cessar-fogo em autoridade estatal antes que a escolha seja feita em outro lugar.

A pergunta que o alerta de Salam deixa aberta é quem, em Beirute, pode impedir que a decisão sobre a próxima guerra seja tomada fora do Estado.

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