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Cerco houthi a Taiz completa 30 dias e deixa 1,5 milhão de habitantes sem saída

Todas as estradas da cidade estão cortadas e 250 mil pessoas perderam acesso a atendimento de saúde; quase 300 mil foram deslocadas no Iêmen desde agosto.

O cerco dos houthis a Taiz, a terceira maior cidade do Iêmen, completou 30 dias em 4 de novembro de 2026 e fechou a última saída da cidade para o resto do país. O bloqueio começou com a tomada de al-Turbah, no extremo sudoeste da província, que cortou a principal artéria entre Taiz e Aden, e se completou quando o grupo ocupou o campo ocidental e cercou a cidade por todos os lados. Comida, combustível, remédios e água não chegam, e o lixo se acumula nas ruas porque não há como levá-lo aos aterros fora do perímetro.

O coordenador de Assuntos do Cerco da província, Salah Ahmed Ghaleb al-Majidi, descreveu a situação como o pior cerco catastrófico imposto a uma cidade iemenita desde o início da guerra, em 2014. Taiz está cercada desde 2015, quando os houthis empurraram para fora da capital, Sanaa, o governo reconhecido internacionalmente, mas o grupo controlava apenas os acessos norte, leste e sul. A tomada do campo ocidental fechou o cerco por completo.

O que a Organização das Nações Unidas (ONU) mede

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informa que todas as estradas de acesso a Taiz estão cortadas e que cerca de 250 mil pessoas perderam acesso a atendimento essencial de saúde, entre elas mais de 186 mil crianças menores de cinco anos e 23 mil gestantes. 12 hospitais correm o risco de fechar ou já reduziram serviços por falta de combustível e de insumos, e mais de 1.400 casos de diarreia aguda e suspeita de cólera foram registrados em uma única semana. O coordenador de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, falou com o chanceler iemenita, Afrah Abdulaziz Saleh Alzouba, e pediu acesso imediato à cidade.

Segundo a ONU, desde o início de agosto de 2026, quando os combates se intensificaram, quase 300 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas no Iêmen, num país onde 5,2 milhões de 35 milhões de habitantes já estavam deslocados antes da escalada. O número de pessoas afetadas pelo cerco depende de como se conta: a ONU mede quem perdeu serviços de saúde, e o Al Jazeera fala em 1,5 milhão de moradores da cidade mais cerca de 180 mil deslocados presos nos arredores.

A guerra que voltou em julho de 2026

Depois de quatro anos de uma trégua frágil, a guerra civil iemenita foi retomada em julho de 2026, no contexto do conflito regional entre Estados Unidos e Irã. A situação se agravou em setembro de 2026, quando os houthis tomaram áreas estratégicas da costa do Mar Vermelho, e a coalizão liderada pela Arábia Saudita intensificou os bombardeios. O avanço reforçou o controle do grupo sobre o estreito de Bab el-Mandeb, por onde passa boa parte do comércio marítimo entre Ásia e Europa, e os houthis passaram a responder com ataques cada vez mais frequentes contra alvos em território saudita.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) pediu às partes que protejam civis e trabalhadores humanitários. Para o chefe da missão no Iêmen, Abdusattor Esoev, as famílias fogem muitas vezes apenas com a roupa do corpo. O escritório de direitos humanos da ONU verificou 272 vítimas civis desde agosto, entre 68 mortos e 204 feridos, e 40% delas são crianças.

O cerco como moeda

O cerco a Taiz obedece a um cálculo militar. O grupo usa o controle das estradas para pressionar o governo reconhecido e a Arábia Saudita em duas frentes ao mesmo tempo: a humanitária, porque a fome tem custo político para quem patrocina o governo, e a militar, porque cada cerco libera combatentes para outras frentes. A Human Rights Watch afirmou que o cerco pode constituir crime de guerra justamente pelo uso da fome como método.

A pergunta que o mês de cerco deixa aberta é quanto tempo a coalizão saudita pode sustentar os bombardeios enquanto a fome em Taiz corre contra o governo que ela mesma sustenta.

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