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Brent tem maior queda semanal desde 2020, com petroleiros sob ataque

O barril recuou para perto de US$ 98 depois que a derrota republicana nas intermediárias dos Estados Unidos abriu expectativa de acordo com o Irã, enquanto os ataques a navios no estreito de Ormuz seguem perto de um ritmo recorde.

O preço do petróleo fechou a semana de 2 a 6 de novembro de 2026 com a maior queda semanal desde o início da pandemia de covid-19. O Brent, referência usada para a maior parte do petróleo importado no mundo, terminou a sexta-feira perto de US$ 98 o barril, depois de recuar cerca de 16% na semana, a maior baixa em percentual desde 2020 e a maior em termos absolutos na série da London Stock Exchange Group (LSEG), que começa em 1988. O West Texas Intermediate (WTI), referência dos Estados Unidos, caiu perto de 13% e ficou em torno de US$ 91.

O gatilho foi político. A derrota do partido do presidente Donald Trump nas eleições intermediárias abriu a expectativa de uma desescalada da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, e o mercado passou a descontar mais petróleo na cotação internacional. Os prêmios pagos pelo petróleo do Oriente Médio voltaram aos níveis anteriores ao conflito, sinal de que a oferta deixou de ser tratada como escassa.

A queda veio em dois degraus. Na segunda-feira, 2 de novembro de 2026, relatos de conversas mediadas pelo Catar derrubaram as cotações; na quarta-feira, 4 de novembro de 2026, o barril caiu 8% num único dia, depois que os democratas varreram as intermediárias dos Estados Unidos, e fechou no menor nível em dois meses. O mercado leu o resultado como pressão política para Washington fechar um acordo.

O piso, porém, resistiu, e o motivo é material. Os ataques a navios que transportam petróleo no golfo e no estreito de Ormuz continuam perto de um ritmo recorde, segundo dados da agência britânica de segurança marítima United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), e cada novo ataque devolve prêmio de risco ao preço. O Brent chegou a US$ 93,22 na quinta-feira, 5 de novembro de 2026, e fechou a sexta-feira perto de US$ 98.

O que o mercado está comprando é uma promessa. O Irã enviou uma proposta nuclear a Washington por intermédio do Catar, e Teerã diz que Ormuz pode reabrir em dois dias se suas exigências forem atendidas: fim do bloqueio naval norte-americano, alívio de sanções e liberação de ativos congelados antes de qualquer acordo completo. Nenhum arcabouço foi anunciado, e o volume que passa pelo estreito segue abaixo de 60% da capacidade, o que mostra que a oferta física não melhorou na mesma velocidade do preço.

“O mercado de petróleo está se afrouxando para uma situação de excesso de oferta pelo balanço, mas a diferença de qualidade continua existindo, porque as refinarias recuperam o que conseguem processar diante do que está disponível”, disse à Reuters o analista Janiv Shah, da consultoria Rystad, referindo-se às rotas mais longas e às transferências de navio para navio usadas para contornar Ormuz. Para ele, o mercado ainda espera a evidência de um acordo assinado. “O petróleo não precisa estar a US$ 117 para ser caro, e uma queda para US$ 93 não significa que os problemas por baixo desapareceram”, disse Matt Stanley, da Kpler, consultoria que acompanha navios-tanque e fluxos de energia.

Para o Brasil, a queda chega pelo lado do custo. O país exporta petróleo bruto e importa diesel, e o preço do barril em dólar entra direto na conta do combustível que move caminhão e ônibus. Um Brent perto de US$ 98 por algumas semanas alivia a pressão sobre o diesel importado e sobre o frete, e reduz o repasse à inflação.

O risco está do outro lado da mesa. O analista Bob McNally, da Rapidan Energy Group, calcula em 80% a probabilidade de os combates recomeçarem, cenário que levaria as duas referências de volta acima de US$ 100. A pergunta que a semana deixa é quanto do preço atual é acordo e quanto é aposta: o prêmio de guerra que levou meses para se formar saiu em cinco dias, e pode voltar na mesma velocidade se a negociação travar.

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