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Geração Z leva a 34 cidades alemãs protesto contra rearmamento e carestia

O movimento Gen Z regelt somou mais de 68 mil participantes em 12 cidades no ato de 31 de outubro de 2026, contra a triagem militar dos nascidos a partir de 2008 e o custo de vida, e a polícia registrou 120 detenções em Hamburgo. A iniciativa quer levar a pauta à greve juvenil europeia de 20 de novembro, com € 108 bilhões de defesa no orçamento alemão de 2026.

Berlim, Frankfurt, Munique, Hamburgo, Colônia e Stuttgart estão entre as 34 cidades em que a iniciativa Gen Z regelt (algo como “a Geração Z resolve”) convocou protestos em 31 de outubro de 2026. No fim da tarde, um porta-voz do grupo falava em mais de 100 mil participantes somados, com seis a oito cidades ainda sem contagem. A soma parcial divulgada horas antes, a partir de 12 cidades, dava mais de 68 mil pessoas. Nenhuma polícia estadual fechou um total nacional, e a própria iniciativa projetara 182 mil inscritos no site.

Onde a polícia contou, a diferença aparece. Em Berlim, os agentes registraram cerca de cinco mil pessoas no auge da tarde e a organização falou em 11 mil. Em Hamburgo, a polícia contou 6.700 no pico e o comitê organizador, de seis a sete mil.

A pauta publicada tem seis pontos: mais dinheiro para escolas, verba para assistência à dependência química e psicoterapia, medidas contra o custo de vida, justiça social, proteção climática e a rejeição do serviço militar obrigatório, a Wehrpflicht, junto com a recusa de ampliar a vigilância estatal. Na quinta-feira, 29 de outubro de 2026, antes do ato, uma carta aberta ao chanceler Friedrich Merz tinha cerca de 22.500 assinaturas. O texto diz que “a política de corte tira toda a esperança” dos jovens e que uma geração que se vê “apenas necessária, nunca estimulada” perde a confiança na democracia.

O alvo principal tem data. O Bundestag aprovou em 5 de dezembro de 2025 o Wehrdienst-Modernisierungsgesetz, a lei que moderniza o serviço militar, em vigor desde 1º de janeiro de 2026. A lei manteve o serviço voluntário e restabeleceu o questionário para todos os jovens de 18 anos – obrigatório para os homens, facultativo para as mulheres. A partir de 1º de julho de 2027, os homens nascidos a partir de 2008 passam obrigatoriamente pela triagem de aptidão, a Musterung. A convocação em si depende de outra lei, a Bedarfswehrpflicht, que o governo pode pedir ao Bundestag quando os voluntários não fecharem a conta.

O serviço obrigatório existiu de 1956 a 2011, foi suspenso em março de 2011 e nunca revogado: segue no artigo 12a da Constituição alemã. A Bundeswehr tem hoje cerca de 183 mil militares ativos e 50 mil reservistas convocados, e a lei projeta 460 mil até 2035, entre 260 mil ativos e 200 mil reservistas.

Do outro lado da conta, o Ministério da Defesa programou mais de € 108 bilhões para 2026 e quer cumprir a meta de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2029, seis anos antes do prazo de 2035 fixado na cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de 2025. A leitura de que esse dinheiro sai do orçamento social é da iniciativa, e é ela que a leva às ruas. Pesquisa do centro de história militar da Bundeswehr feita em 2025 encontrou apoio de 53% à volta do serviço obrigatório no conjunto da população e de 42% entre os jovens de 16 a 29 anos.

Depois do fim dos atos, a noite teve confronto. Em Hamburgo, a polícia registrou 120 detenções e 12 agentes feridos, com barricadas incendiadas e 1.300 policiais mobilizados. Em Frankfurt, o balanço de domingo trouxe 54 detenções, 100 policiais feridos e cinco lojas saqueadas. A polícia descreveu a maior parte dos detidos, de 13 a 29 anos, como jovens homens com histórico migratório e majoritariamente de nacionalidade alemã, segundo o ministro do Interior de Hesse, Roman Poseck. Nenhum motivo político foi identificado nesse grupo, disse o presidente da polícia de Frankfurt, Stefan Müller. O sindicato policial GdP (Gewerkschaft der Polizei) leu o dia de outro jeito: os protestos foram “muito pacíficos”, e a violência veio de grupos autônomos em parte mascarados.

Quem organiza é um grupo de cerca de 30 jovens que se encontraram nas redes sociais poucas semanas antes, a partir de uma tendência do TikTok. A estrutura é opaca até para quem apoia a pauta. A Bundesschülerkonferenz, que reúne os conselhos estudantis dos estados, se distanciou do ato por não saber “exatamente quem está por trás” e marcou manifestação própria em Berlim em 20 de novembro de 2026, com a GEW (Gewerkschaft Erziehung und Wissenschaft, o sindicato dos professores), o conselho nacional de pais e o Fridays for Future. O apoio político vem da esquerda: assinaram a carta a Merz a chefe da bancada do Die Linke no Bundestag, Heidi Reichinnek, e a ex-presidente dos Verdes, Ricarda Lang.

O fio europeu já estava armado antes do protesto. Em 10 de agosto de 2026, o perfil International Youth Strike convocou uma greve juvenil para 20 de novembro, com as logomarcas de juventudes de partidos de esquerda europeus, entre elas a Juso suíça. A presidente da Juso, Mirjam Hostetmann, descreve a pauta como “a militarização crescente na Europa com programas de corte na seguridade social”, e a Gen Z regelt confirmou que participa.

O que o 31 de outubro deixa aberto é o calendário. O governo não disse se pedirá a Bedarfswehrpflicht, nem quando, e a decisão cabe ao Bundestag. A geração que será chamada aos centros de triagem a partir de julho de 2027 é a mesma que assinou a carta a Merz e que voltará às ruas em 20 de novembro.

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