Drone russo mata 14 em estação de trem lotada no terceiro dia de trégua
Um drone de propulsão a jato atingiu uma plataforma da principal estação de Dnipro em 29 de outubro de 2026, quando um trem suburbano se preparava para partir. A trégua de seis dias mediada pelos Estados Unidos vale só para a região de Kherson.
Um drone russo de propulsão a jato atingiu uma plataforma da principal estação ferroviária de Dnipro em 29 de outubro de 2026, matando 14 pessoas e ferindo outras 14, segundo o governo da região de Dnipropetrovsk. Seis dos feridos estavam em estado grave, entre eles um menino de 11 anos e um homem que teve as duas pernas amputadas. As imagens dos serviços de emergência mostram corpos na plataforma e dois trens de passageiros incendiados, com as janelas estilhaçadas.
O chefe da administração militar de Dnipropetrovsk, Oleksandr Hanzha, elevou a contagem de mortos de 13 para 14 ao longo do dia. A empresa ferroviária estatal Ukrzaliznytsia informou que o drone acertou a plataforma onde um trem suburbano se preparava para partir rumo a Zaporíjia, cidade vizinha. O presidente Volodimir Zelensky afirmou que o alvo era uma plataforma ocupada por um trem suburbano e por um trem de passageiros comuns.
O balanço do dia não parou em Dnipro. Em Chernigiv, duas adolescentes de 15 anos morreram e 23 pessoas ficaram feridas, quatro delas crianças, segundo a administração militar da cidade. Em Kremenchuk, um drone atingiu um prédio residencial de vários andares e matou três pessoas, ferindo outras 15, entre elas uma criança de seis anos. As outras duas mortes do dia foram as adolescentes de Chernigiv.
O ataque ocorreu no terceiro dia de uma trégua humanitária de seis dias restrita à região de Kherson, no sul do país. Moscou deixou claro que o cessar-fogo, mediado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, valia apenas para permitir a entrada de ajuda humanitária em Oleshky, cidade sob controle russo desde 2022 e onde os moradores enfrentam há meses escassez de alimentos, água e medicamentos. Segundo os dois países, a trégua seguia sendo respeitada no terceiro dia. O defensor público de direitos humanos da Ucrânia, Dmytro Lubinets, anunciou que havia partido com uma delegação ucraniana rumo a Oleshky por Belarus e pela Rússia. A entrega da carga humanitária está marcada para 30 de outubro, com a rota desminada para a missão.
A ferrovia é alvo sistemático, e a série de dados sustenta a tese de que a exceção humanitária convive com a campanha de inverno. Das 521 locomotivas atingidas desde o início da invasão em larga escala, quase 60% foram acertadas neste ano, e os ataques a instalações ferroviárias subiram de 1.206 em 2025 para 1.700 em 2026, segundo estatísticas da Ukrzaliznytsia. O chefe da ferrovia estatal, Oleksandr Pertsovsky, disse que o nível de ameaça foi elevado antes do ataque desta quinta-feira, mas que ainda havia muita gente na plataforma. O Ministério da Defesa da Rússia nega mirar civis e afirma que seus ataques a ferrovias visam a infraestrutura usada para transportar militares e equipamento; não havia posição oficial russa específica sobre o caso de Dnipro nas fontes consultadas.
O Kremlin já havia afirmado que não vai reduzir o ritmo geral da guerra mesmo com os preparativos para retomar negociações paralisadas sob mediação dos Estados Unidos. Zelensky voltou a cobrar sanções dos Estados Unidos, da Europa e do Grupo dos Sete (G7) e criticou o acordo firmado em outubro de 2026 entre Vladimir Putin e Donald Trump, que flexibilizou sanções à Rússia e permitiu a volta das exportações de diesel russo. “Quantos ataques terroristas como este a Rússia realizou contra o nosso povo desde que as sanções foram suspensas para alguns oligarcas russos e para o setor energético, em vez de haver uma redução das tensões?”, perguntou. O primeiro-ministro, Sergiy Koretskyi, disse que a Rússia está deliberadamente caçando civis em trens, estações e prédios residenciais. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o país precisa de muito mais do que um cessar-fogo localizado e que é intolerável que Moscou rejeite todas as propostas e intensifique a escalada.
Rússia e Ucrânia devem se reunir no próximo mês com enviados dos Estados Unidos para discutir formas de encerrar o conflito, ainda sem datas definidas. Moscou exige mais território no leste ucraniano e restrições militares e políticas amplas a Kiev. A Ucrânia e seus aliados afirmam que ceder território equivaleria a uma capitulação e deixaria o país exposto a novos ataques.
A trégua de Oleshky e os 1.700 ataques a instalações ferroviárias no ano são a mesma política em dois tempos: Moscou escolhe onde parar e mantém a pressão sobre o resto do país enquanto negocia. A reunião do próximo mês, ainda sem data, é a primeira em que essa escolha pode entrar na mesa.