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Protesto em Tel Aviv cobra governo judeu-árabe com 67 das 120 cadeiras

Cerca de 2 mil pessoas marcharam da Praça Habima à Praça Rabin em 31 de outubro de 2026, e 200 apoiadores de Netanyahu pediram investigação de fraude no mesmo lugar. Gadi Eisenkot abriu o futuro governo a qualquer eleito que aceite quatro princípios, entre eles reconhecer Israel como Estado judeu e destruir as capacidades do Hamas.

Cerca de 2 mil pessoas marcharam na noite de 31 de outubro de 2026 da Praça Habima à Praça Rabin, em Tel Aviv, convocadas pelo grupo de esquerda Standing Together para exigir um governo de parceria entre judeus e árabes. Ao longo do percurso pela avenida Ibn Gabirol, os manifestantes gritavam palavras de ordem como “Judeus e árabes nos recusamos a ser inimigos” e “não ao racismo, sim à parceria”, e carregavam cartazes com a frase “há maioria para a mudança”. Houve atos menores em Jerusalém, Beersheba, Haifa e Tayibe.

O mesmo sábado trouxe a condição do outro lado da conta. O presidente do Yashar, Gadi Eisenkot, disse que pretende montar o governo sionista mais amplo possível e listou quatro princípios para quem quiser entrar nele: reconhecer Israel como Estado judeu, democrático, liberal e igualitário; comprometer-se com os valores da Declaração de Independência; aceitar serviço militar, nacional ou civil obrigatório para todos os cidadãos; e reconhecer o Hamas como organização terrorista, com o dever de destruir a sua capacidade militar e de governo na Faixa de Gaza. “As portas do governo que vamos formar estarão abertas a qualquer representante eleito que aceite estes princípios e esteja preparado para corresponder à magnitude do momento”, escreveu.

A aritmética que abriu a janela saiu da contagem final, publicada na manhã de sexta-feira pela Comissão Central Eleitoral. O Likud, de Benjamin Netanyahu, ficou com 27 cadeiras e o seu bloco, com 53; o Yashar, com 21, e o bloco contrário a Netanyahu, com 48; as duas listas árabes somaram 19, o melhor resultado da história da representação árabe no Knesset. Somados, os 48 e os 19 dão 67 das 120 cadeiras, seis acima das 61 necessárias para governar. O novo Knesset toma posse em 10 de novembro de 2026.

A conta de 67 esbarra na política. Dos quatro partidos sionistas de oposição – Yashar, B’Yachad, de Naftali Bennett, os Democratas, de Yair Golan, e o Yisrael Beytenu, de Avigdor Liberman –, só os Democratas se declararam abertos a uma coalizão com as listas árabes. A Lista Conjunta, de Yousef Jabareen, ofereceu sustentar um governo alternativo de fora da coalizão. A Ra’am, de Mansour Abbas, foi a primeira lista árabe a integrar um governo israelense, em 2021, e desde então tenta se tornar mais palatável ao eleitorado judeu.

A poucos metros, cerca de 200 pessoas fizeram um contramanifesto antes da marcha para pedir investigação sobre as alegações de fraude, depois que o Likud acusou os partidos árabes de “roubar a eleição” com apoio de governos estrangeiros hostis. O vice-ministro Almog Cohen, eleito na lista do Likud, disse que “às vezes uma chama enorme sai da menor das faíscas, e esta é a menor das faíscas”. Um dos contramanifestantes disse a participantes do ato que mandaria os “inimigos” de volta às chaminés de Auschwitz e que construiria Sobibor de novo, e jovens na beira do ato gritaram palavras de ordem racistas. A Comissão Central Eleitoral repetiu que o alcance da investigação sobre a suposta compra de votos é limitado e que o resultado da eleição não está em questão.

Eisenkot também anunciou que vai propor, quando o novo Parlamento se instalar, uma comissão estatal de inquérito sobre os ataques de 7 de outubro de 2023, cujas falhas atribui a Netanyahu, e o serviço militar obrigatório para todos os cidadãos.

A maioria de 67 cadeiras existe na aritmética e depende de um acordo que os partidos árabes e a maior parte dos judeus da oposição ainda recusam. Até a posse, em 10 de novembro, a conta segue nos mesmos números, e o presidente Isaac Herzog ainda não havia indicado quem tentaria formar governo.

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