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Herzog entrega a Eisenkot o mandato para formar governo em Israel

Ex-chefe do Estado-Maior recebeu 67 recomendações contra 46 de Netanyahu, mas o bloco disposto a trocar o governo soma 48 cadeiras e depende dos ultraortodoxos, que querem negociar o serviço militar.

O presidente de Israel, Isaac Herzog, entregou neste domingo, 8 de novembro de 2026, o mandato para formar governo a Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior e líder do partido de centro Yashar. A cerimônia estava marcada para as 17h em Israel (12h em Brasília), na residência presidencial, em Jerusalém, e Eisenkot tem 28 dias para fechar uma coalizão, prazo que Herzog pode prorrogar por 14.

Na consulta que precedeu a cerimônia, 67 deputados recomendaram Eisenkot, contra 46 que indicaram Benjamin Netanyahu e sete que se abstiveram. Das 67 recomendações, 19 vêm dos partidos árabes, e o bloco sionista disposto a trocar o governo soma 48 cadeiras. Na eleição de 27 de outubro de 2026, o Likud de Netanyahu fez a maior bancada, com 27 das 120 cadeiras do Parlamento, a Knesset, e o Yashar ficou com 21.

O problema de Eisenkot é aritmético antes de ser político. Para chegar aos 61 deputados que sustentam uma maioria com os ultraortodoxos, ele precisa do Judaísmo Unido da Torá, com sete cadeiras, e do Shas, com seis. O Shas, de Arye Deri, recomendou Netanyahu, e dirigentes haredim disseram ao Jerusalem Post que é difícil imaginar o partido sequer sentar para negociar com Eisenkot. O Judaísmo Unido da Torá não recomendou ninguém.

A primeira saída passa por aí, e cobra um preço alto. Os partidos haredim exigem uma lei que regule o status dos estudantes de yeshiva e rejeitam metas de recrutamento e sanções aos que não se apresentam. Eisenkot fixou quatro condições para quem quiser entrar no governo dele, entre elas o apoio ao serviço militar, nacional ou civil para todos os cidadãos – exatamente o item que os ultraortodoxos querem negociar, e que ele prometeu não ceder na campanha.

A segunda saída é um governo minoritário sustentado de fora pelos partidos árabes, que tiveram ganhos históricos na eleição. Só uma legenda árabe, o Ra’am, integrou uma coalizão de governo, em 2021, e agora diz que apoia Eisenkot, sem cadeiras suficientes para dar maioria sozinho. O Joint List, a outra legenda árabe, rompeu décadas de precedente ao oferecer apoio externo para encerrar o ciclo de Netanyahu. O acordo é difícil para os dois lados: do lado árabe, significa sustentar um governo que não deve encerrar as guerras nem frear a expansão dos assentamentos na Cisjordânia ocupada; do lado de Eisenkot, significa depender de partidos que recusam a própria definição de Israel como Estado judeu.

E é justamente aí que Avigdor Liberman trava o caminho. O líder do Yisrael Beytenu, um dos aliados centrais de Eisenkot, diz que não entra em coalizão com partidos árabes nem aceita um governo dependente deles por apoio externo. Ele negocia em separado, com os haredim, um gabinete de 61 cadeiras e, se não houver acordo, prefere nova eleição. Para isso, sinaliza flexibilidade no ponto que era sua linha vermelha, a lei do recrutamento militar.

A terceira saída é o acordo com Netanyahu, e é a que mais contradiz o mandato. Eisenkot defende um governo nacional de emergência de 48 cadeiras; Netanyahu pediu um governo de unidade. O mandato que Herzog entregou neste domingo existe para trocar o primeiro-ministro mais longevo no cargo da história israelense, e um gabinete com o Likud dentro devolveria a Netanyahu a posição que a eleição lhe negou. “Uma maioria absoluta dos deputados que representa o público israelense apoia a mudança”, disse Eisenkot na cerimônia. “Não temos o privilégio de rodadas infinitas de eleições.”

Herzog, que passou o fim de semana telefonando a líderes partidários para entender como Eisenkot pretende resolver as contradições, lembrou o que está em jogo no prazo: as ameaças do Irã, o plano de 20 pontos do governo de Donald Trump para Gaza e a negociação com o Líbano. As três saídas continuam abertas, e cada uma delas obriga Eisenkot a desmentir uma promessa diferente da campanha. A pergunta que o prazo de 28 dias deixa para o eleitor israelense é qual delas ele vai escolher – e quem vai cobrar a conta depois.

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