EUA negociam acordo para manter tropas na Venezuela por longo prazo
Governo de Donald Trump trata com o governo interino de Delcy Rodríguez um acordo sobre o estatuto das forças que daria base jurídica a presença militar prolongada. Detalhes como efetivo e locais ficariam para acordos futuros.
O governo dos Estados Unidos (EUA) negocia com o governo interino de Delcy Rodríguez um acordo sobre o estatuto das forças que daria base jurídica à presença militar prolongada dos estadunidenses na Venezuela. As conversas vieram a público em 3 de novembro de 2026, um dia depois de o presidente Donald Trump falar em “nossa conquista da Venezuela” durante discurso em Washington.
O Departamento de Estado, chefiado pelo secretário Marco Rubio, conduz as tratativas do chamado acordo sobre o estatuto das forças, o Status of Forces Agreement (SOFA). O pacto cria o marco legal para atividades acordadas entre as partes, como visitas de navios, treino, exercícios militares e ajuda humanitária. Efetivo e locais ficariam para acordos seguintes, ainda sem números definidos.
Uma autoridade do Departamento de Estado afirmou que conversas sobre bases estão distantes e que não há neste momento negociação sobre bases. O comunicado do departamento registra que Washington mantém acordos do mesmo tipo com mais de 100 países, com formatos que vão de dezenas de milhares de soldados em bases a poucos assessores. Segundo o departamento, os pactos promovem a cooperação em defesa ao dar previsibilidade jurídica ao trabalho das forças em território alheio.
O contexto imediato passa pela operação de 3 de janeiro de 2026, quando tropas dos EUA mataram dezenas de pessoas em ataque noturno, capturaram Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, e os levaram a uma prisão em Nova York. Delcy Rodríguez, vice-presidente de Maduro e crítica antiga de Washington, tomou posse como presidenta interina em 5 de janeiro de 2026 diante da Assembleia Nacional e passou a trabalhar diretamente com Rubio. Caracas seguia sem posição oficial sobre o acordo até 3 de novembro de 2026.
A costa caribenha da Venezuela e as fronteiras terrestres com a Colômbia, o Brasil e a Guiana tornam o país ponto estratégico para deslocamentos de tropas na leitura de Washington. A fronteira com o Brasil, em Roraima, entra nesse cálculo geográfico.
O passo seguinte depende de entendimentos futuros sobre números e locais. Sem esses anexos, o SOFA funciona como moldura jurídica para cooperação militar continuada entre dois antigos adversários, agora sob comando interino alinhado de fato a Washington.