Washington deixa ataque ao Irã pronto e decide depois das legislativas
Forças dos Estados Unidos podem atacar o Irã em 96 horas após ordem de Trump, adiada para depois de 3 de novembro. No Conselho de Segurança, a agência nuclear cobra acesso aos 440 quilos de urânio enriquecido sem inspetor desde junho de 2025.
Os Estados Unidos deixaram pronta uma nova campanha militar contra o Irã e podem lançá-la em até 96 horas após uma ordem do presidente Donald Trump, segundo duas autoridades ouvidas pela rede CNN em 26 de outubro de 2026. Forças suficientes já estão posicionadas na região para um esforço que uma das fontes descreveu como grande. A decisão, porém, ficou para depois das eleições legislativas de 3 de novembro de 2026. No dia seguinte, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, Rafael Grossi, disse ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que segue sem acesso ao material nuclear declarado pelo Irã, incluindo 440 quilos de urânio altamente enriquecido.
O plano de 96 horas
O dispositivo descrito pela CNN vai além de uma operação punitiva curta. Os alvos na lista incluem infraestrutura de energia, instalações militares e instalações nucleares, além de radares e lançadores que o Irã recompõe com rapidez. A formulação de uma das autoridades resume o cálculo: a pergunta seria quando, não se, com ação possível a qualquer momento até o fim de 2026, muito provavelmente depois das legislativas.
Trump ainda não bateu o martelo, e a CNN registra a ressalva: o presidente se mostra inclinado a ordenar uma ação de grande porte, mas já recuou antes depois de sinalizar ataques. O tamanho da operação exigiria apoio de Israel na defesa antimísseis, e, segundo relato da CNN de 26 de outubro de 2026, Washington teria pedido a Tel Aviv que adiasse novos ataques para uma ação conjunta, provavelmente depois das legislativas estadunidenses.
O alerta interno acompanha o plano. Um memorando do diretor de Inteligência Nacional, Jay Clayton, enviado em 23 de outubro de 2026 ao secretário de Estado Marco Rubio, afirma que o Irã ampliou de forma substancial os esforços para atingir pessoal estadunidense no Oriente Médio, em estágio avançado de preparo. A embaixada dos Estados Unidos em Riad passou a operar com saída ordenada de funcionários, e outras representações na região devem receber orientação semelhante. Militares sem função essencial deixaram de ser enviados à região.
No mar, o cerco aparece. O chefe do Comando Central, almirante Brad Cooper, visitou o Estreito de Ormuz, por onde passa parte central do petróleo mundial. Os Estados Unidos mantêm um bloqueio a portos iranianos, e minas foram removidas da via. A avaliação que circula em Washington classifica a situação como insustentável, com os preços do petróleo em alta em parte por causa da ameaça.
O petróleo e as embaixadas
O mercado já precifica a guerra. O barril do Brent passou de US$ 116, máxima em seis meses, e o West Texas Intermediate (WTI) subiu 3,8%, acima de US$ 103, enquanto embaixadas reforçavam a segurança e Washington mandava funcionários não essenciais deixarem a Arábia Saudita. O governo Trump prometeu adiar ataques ao Irã para depois das legislativas de 3 de novembro de 2026, com a inflação e o custo de vida no centro das preocupações do eleitorado.
A troca de golpes segue diária. A coalizão liderada pelos sauditas afirma ter destruído dois mísseis balísticos lançados pelos houthis, aliados do Irã, contra Taif e Yanbu. Os houthis reivindicaram em 27 de outubro de 2026 um acerto com míssil balístico na refinaria de Ras Tanura, a maior da Arábia Saudita, e a coalizão respondeu que interceptou os projéteis sem vítimas.
Na diplomacia regional, quatro países tentam segurar o tabuleiro. Arábia Saudita, Irã, Turquia e Paquistão concordaram em 26 de outubro de 2026, em Teerã, em manter o diálogo pela paz e pela segurança regional, no primeiro contato de alto nível entre o Irã e os três signatários do pacto de defesa de Meca desde que a guerra chegou à Arábia Saudita e ao Iêmen. O chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, levou a Teerã uma proposta com aval de Trump para a diplomacia, sem detalhes divulgados, e os países do pacto, ao lado do Qatar, poderão atuar como garantidores.
Os 440 quilos sem inspetor
O outro relógio da crise corre em Viena. Grossi pediu em 27 de outubro de 2026 que o Irã entregue as informações e o acesso necessários para verificar o material nuclear declarado, incluindo 440 quilos de urânio altamente enriquecido, segundo relato da agência Anadolu. O Conselho de Segurança abriu a sessão com votação de 11 a favor da pauta, dois contra, da Rússia e da China, e duas abstenções, do Paquistão e da Somália.
Grossi disse que a agência segue em contato com Teerã em busca de saídas para esclarecer as questões pendentes de salvaguardas, abertas há mais de cinco anos. A agência retirou todos os inspetores do Irã até o fim de junho de 2025, por segurança, depois do início dos ataques militares, e os inspetores seguem disponíveis para voltar há meses. A única exceção é a usina nuclear de Bushehr, onde a verificação continua. Teerã ainda precisa entregar equipamentos e dados para conferir o combustível irradiado antes da transferência para um depósito seco prevista para o início de 2027.
O número condensa o impasse: sem acesso às instalações de Fordow, Natanz, Esfahan e Khondab, a agência não atesta o paradeiro nem o estado do estoque. O que existe é a última estimativa declarada, não uma medição atual. Enquanto os inspetores não voltarem, cada semana sem verificação alimenta a tese, em Washington e em Tel Aviv, de que o programa segue fora de controle.
A janela depois de 3 de novembro
Tudo converge para a semana seguinte às urnas de 3 de novembro de 2026. A campanha militar pronta em 96 horas, o adiamento pedido a Israel, a saída de pessoal das embaixadas e o petróleo acima de US$ 116 formam o cenário de uma decisão represada pelo calendário eleitoral. Trump prometeu segurar os ataques até as legislativas de 3 de novembro de 2026 por causa do preço dos combustíveis e da inflação. Passada a eleição, a decisão sobre o ataque será retomada.
O Irã responde com desafio público. O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei, disse que as ameaças estadunidenses têm pouco efeito sobre os países da região e falou em atmosfera nova e positiva. Nos bastidores de Teerã, o recado é outro: negociar com Washington uma rede de não agressão regional, com garantidores árabes e o Qatar, antes que os bombardeiros decolem.
Para o Brasil, que importa diesel e fertilizantes e observa o preço do petróleo com atenção, a conta chega pelo combustível e pelo frete. Se a campanha sair do papel depois de 3 de novembro, o choque no Brent atravessa o Atlântico em dias. A janela até lá combina conversas em Teerã, inspetores à porta e uma frota posicionada à espera de uma ordem.