Hegseth demite chefe do planejamento militar do Pentágono e caso vai à Justiça
O tenente-general Brett Sylvia, diretor do J5, foi afastado sob acusação de vazar informação classificada sobre as guerras do Irã e da Ucrânia, e o caso foi para o Departamento de Justiça. A saída cai a seis dias das legislativas de 3 de novembro de 2026, quando Trump prometeu decidir novos bombardeios.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, demitiu o tenente-general Brett Sylvia, diretor de Estratégia, Planos e Política do Estado-Maior Conjunto, o posto que o jargão militar chama de J5. Um funcionário da Defesa, que falou sob a condição de anonimato, disse à Associated Press que não há substituto imediato para o general e que nenhum motivo foi informado na hora do afastamento. O caso foi revelado primeiro pelo The Atlantic e chegou à imprensa na quarta-feira, 28 de outubro de 2026.
Sylvia passou 11 meses no J5 e é o segundo general a perder o posto neste governo. O antecessor, o tenente-general Joseph McGee, foi forçado a se aposentar em outubro de 2025. Antes de chegar ao Estado-Maior Conjunto, Sylvia comandou a 101ª Divisão Aerotransportada, em Fort Campbell, no Kentucky, até maio de 2025, e a biografia oficial dele saiu do ar depois da demissão. A agência o descreve como o mais recente de quase duas dezenas de generais, almirantes e outros chefes militares afastados, aposentados à força ou deixados de lado desde que Hegseth assumiu o Pentágono.
A explicação oficial veio no dia seguinte. O Pentágono afirmou à rede de televisão American Broadcasting Company (ABC) News que Hegseth demitiu Sylvia por “conduta grave”, depois de uma investigação do Serviço de Investigações da Força Aérea sobre vazamento de informação classificada à imprensa a respeito da guerra do Irã, da guerra da Ucrânia e de outros assuntos. O porta-voz Sean Parnell confirmou a investigação e o envio do caso ao Departamento de Justiça para possível ação legal, sem citar o general pelo nome. Uma fonte ouvida antes pela mesma emissora falara em “falta de confiança”. O Departamento de Justiça não respondeu ao pedido de comentário.
O Estado-Maior Conjunto publicou primeiro uma nota de despedida, elogiando os 32 anos de serviço de Sylvia, e depois recolheu o texto. “Após nova revisão, concluímos que a declaração não era apropriada”, diz a segunda nota, sem que nenhuma autoridade explicasse o que mudou entre uma e outra.
O relógio do Irã
O afastamento cai no meio da decisão mais pesada da guerra. Trump disse que novos ataques ao Irã são uma opção depois das eleições legislativas de 3 de novembro de 2026, no oitavo mês do conflito que ele abriu ao lado de Israel, e prometeu “concluir o trabalho” no país. Dois diplomatas informados do assunto disseram à Associated Press que autoridades estadunidenses avisaram países do Oriente Médio e aliados regionais para se prepararem para uma possível nova ação militar depois da votação, e para a hipótese de o Irã retaliar. Um terceiro porta-aviões estadunidense e milhares de soldados adicionais seguem para a região. Segundo os diplomatas, o presidente ainda não tomou a decisão final.
O diretor do J5 e sua equipe geram e coordenam os planos militares com o chefe do Estado-Maior Conjunto e com o presidente. É por essa mesa que passa o planejamento de qualquer campanha que Trump venha a ordenar, e o posto está vago sem data para ser preenchido.
Para o Brasil, a janela chega pelo combustível: o país compra diesel no exterior, e uma escalada no Golfo aparece no preço do barril e do frete.
Dois diretores do mesmo escritório afastados em um ano, o segundo a seis dias de uma eleição que o presidente disse que esperaria antes de decidir sobre o Irã, deixam o planejamento da campanha sem o chefe que redige os planos. Até que o posto tenha titular, a equipe que responde pelo que Trump pode pedir depois das urnas segue sem nome anunciado.