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Moçambique fecha com a China novo prazo para pagar dívida

Acordo-quadro assinado em Maputo em 26 de outubro de 2026 reescalona o serviço da dívida com o maior credor bilateral do país, de cerca de US$ 1,28 bilhão. Maputo busca agora alívio adicional e avalia converter dívida em investimento.

Moçambique assinou em 26 de outubro de 2026, em Maputo, um acordo-quadro complementar com a China para reescalonar o serviço da dívida pública. O texto foi assinado pela ministra das Finanças, Carla Louveira, e pela embaixadora chinesa em Maputo, Zheng Xuan, e prevê a formalização posterior dos instrumentos de financiamento com o Banco de Exportação e Importação da China, o Exim Bank.

A China é o maior credor bilateral de Moçambique, com cerca de US$ 1,28 bilhão devidos ao fim de junho de 2026, o equivalente a 15% da dívida externa do país, segundo a Reuters. O acordo de 26 de outubro sucede a visita de Estado do presidente Daniel Chapo a Pequim em abril de 2026, quando o presidente Xi Jinping recebeu o dirigente moçambicano e os dois países acertaram o perdão de 204 milhões de yuans em empréstimos sem juros vencidos até dezembro de 2024, conforme a Agência de Informação de Moçambique.

Em 28 de outubro de 2026, o Ministério das Finanças disse que Maputo vai buscar alívio adicional junto a credores bilaterais, com a possibilidade de converter parte da dívida em investimentos, e que o país precisa de US$ 528 milhões em financiamento externo para complementar um programa que negocia com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O ministério não informou o valor coberto pelo acordo de 26 de outubro nem o novo cronograma de pagamentos, lacuna que a Reuters registra expressamente.

Para um país de língua portuguesa ainda marcado pelo escândalo das dívidas ocultas de 2016, quando empréstimos de mais de US$ 2 bilhões contraídos sem aval do Parlamento levaram ao calote e ao isolamento financeiro, o acordo de reescalonamento dá a Maputo mais fôlego fiscal. Pequim, que já havia perdoado juros em abril de 2026, aceita agora alongar prazos; a possibilidade de converter passivo em participação em projetos foi anunciada pelo Ministério das Finanças moçambicano em 28 de outubro de 2026.

A operação interessa ao leitor brasileiro por duas vias diretas. Moçambique é membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, com laços empresariais e de cooperação com o Brasil, e o modo como a China trata o maior devedor bilateral da África lusófona pode indicar o padrão que Pequim oferece a parceiros endividados – alongar e investir, em vez de executar. Resta saber em que condições o Exim Bank vai precificar o novo prazo, ponto que só a formalização dos contratos vai revelar.

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