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Três petroleiros queimam em Ormuz e EUA atingem navio que saiu de porto iraniano

A Guarda Revolucionária afirma que três petroleiros “não conformes” explodiram na rota que Teerã chama de ilegal, enquanto o Comando Central dos Estados Unidos diz ter atingido com munição de precisão a popa de um cargueiro que passou por porto iraniano. Nenhuma autoridade independente confirmou o que explodiu.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste domingo 8 de novembro de 2026 que três petroleiros “não conformes” explodiram e pegaram fogo desde as primeiras horas da manhã enquanto navegavam pelo que o comunicado chama de canal ilegal do Estreito de Ormuz. A nota não informa nome, bandeira, dono nem carga das embarcações, e nenhuma autoridade marítima independente confirmou até a tarde deste domingo o que teria provocado as explosões.

Na véspera, o outro lado do bloqueio também agiu. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou que uma aeronave militar atingiu com munição de precisão a popa do navio mercante Huda, de bandeira de São Cristóvão e Névis, depois que a embarcação tentou deixar águas regionais tendo passado por um porto iraniano. Segundo o comando, a tripulação civil ignorou avisos repetidos, e um vídeo divulgado pelo próprio CENTCOM mostra a explosão na popa.

Os registros das últimas horas não fecham entre si. As Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO), órgão da Marinha britânica que acompanha incidentes na região, informaram que um petroleiro pegou fogo no sábado 7 de novembro de 2026 ao largo de Khasab, em Omã, com a tripulação evacuada, e que outro foi atingido por um “projétil desconhecido” no mesmo dia. Os Emirados Árabes Unidos disseram ter resgatado 22 pessoas de uma embarcação em chamas no Golfo de Omã, sem confirmar se era uma das citadas. A agência estatal de notícias do Irã (IRNA) relatou estrondos em Qeshm, Sirik, Jask e Bandar Abbas na noite de 7 de novembro, e autoridades confirmaram um impacto no porto de Jask.

Dois bloqueios, nenhum árbitro

O estreito opera desde o começo da guerra, no fim de fevereiro de 2026, com dois regimes de passagem rivais. Teerã restringe o tráfego e exige que os navios usem as rotas que autoriza; Washington mantém há meses um bloqueio naval aos portos iranianos e ajuda petroleiros a cruzar o corredor que apresenta como seguro. Cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo passava por ali antes do conflito. O resultado é que cada lado aplica a própria regra no mesmo trecho de mar: o Irã chama de ilegal a rota que os Estados Unidos apresentam como segura, e os Estados Unidos classificam como violação do bloqueio a escala em porto iraniano.

O comunicado de Teerã sustenta que as explosões vieram de minas. Na versão divulgada no sábado à noite, eram dois petroleiros atingidos por engenhos navais, um a leste do estreito e outro dentro dele; na de domingo, três. O CENTCOM diz ter retirado todas as minas da via e sustenta que ajudou países do Golfo a exportar 1,5 bilhão de barris por ali desde o verão de 2026. As duas contas não podem estar certas ao mesmo tempo, e nenhum centro de monitoramento independente mediu o que explodiu.

A conta fica com quem está a bordo

O Huda navega sob bandeira de São Cristóvão e Névis, país caribenho sem costa no Golfo. Nem o dono nem a carga aparecem na nota do CENTCOM; o que aparece é a tripulação civil, que, segundo o comando, seguiu viagem depois de avisos repetidos. Do lado iraniano, o comunicado também não diz quem eram os tripulantes dos petroleiros que queimaram.

O mercado, no entanto, já aposta que o pior passou. O Brent fechou a sexta-feira 6 de novembro a US$ 98,32, queda de cerca de 16% na semana, a maior desde 2020, movimento que operadores ligam à expectativa de recuo da guerra e de retorno do petróleo da região ao mercado.

O desconto veio antes do acordo, e o mar deste domingo mostrou o oposto do que o preço dizia: três petroleiros em chamas numa rota que Teerã condena e um cargueiro com a popa atingida por ter escalado em porto iraniano. Nas duas pontas, quem responde pelo erro é a tripulação, e quem define o que é erro é o lado que tem canhão na água.

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