Irã oferece reabrir Ormuz em dois dias na véspera das legislativas dos EUA
Teerã encurtou de sete para dois dias o prazo para liberar o estreito se Washington aceitar suas condições, e Trump falou em acordo próximo enquanto Netanyahu pressiona por novos ataques.
Em 2 de novembro de 2026, o Ministério das Relações Exteriores do Irã anunciou que o país está disposto a reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias caso Washington aceite as condições apresentadas por Teerã, que incluem um novo itinerário regional de navegação. O prazo é mais curto que o de sete dias oferecido em setembro de 2026, e as autoridades iranianas citaram contatos intensos com a parte estadunidense para evitar uma retomada das hostilidades
“A possibilidade de implementar este plano em dois dias é mais uma demonstração da postura de boa-fé do Irã”, afirmou o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei. O anúncio aliviou o mercado: o barril do Brent, referência internacional, caiu seis por cento, para US$ 106, embora valesse cerca de US$ 70 antes da guerra.
As condições sobre a mesa
Em setembro de 2026, Teerã propôs reabrir a via em sete dias se os Estados Unidos encerrassem a guerra em todas as frentes, liberassem os ativos iranianos congelados, acabassem com as sanções ao petróleo e suspendessem o bloqueio estadunidense aos portos iranianos. Baghaei disse que tudo depende agora de o lado estadunidense aceitar as exigências, e acrescentou que só então as etapas seguintes poderão ser discutidas
Na rodada atual, Teerã quer que Washington reconheça uma nova rota de trânsito pelo estreito acertada entre o Irã e Omã. O país também exige o fim das sanções impostas desde agosto de 2026, parte do que Washington chamou de asfixia econômica. O chanceler Abbas Araghchi disse à agência oficial de notícias do Irã, IRNA, que as consultas são muito intensas. Catar e Paquistão exercem uma mediação ativa nas negociações, segundo Araghchi. O site Axios informou que o vice-presidente dos Estados Unidos, James David Vance, enviou uma carta ao chefe da segurança nacional do Irã, Mohsen Rezaei, sobre novas conversas.
O precedente de setembro
Trump disse em 26 de setembro de 2026, na Casa Branca, que havia rejeitado a proposta iraniana. “Rejeitei a proposta deles. Rejeitei o acordo deles”, declarou o presidente
O Irã havia levado a iniciativa à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, por meio de mediadores do Catar. A proposta previa reabrir a via e encerrar as hostilidades na região em sete dias. O jornal The Wall Street Journal informou primeiro a recusa, citando autoridades dos Estados Unidos não identificadas. Trump disse em privado ver como provável uma nova campanha de bombardeios depois das legislativas, segundo o jornal.
A pressão por novos ataques
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pressiona o governo Trump por uma nova onda de ataques ao Irã depois das legislativas dos Estados Unidos de 3 de novembro de 2026. Netanyahu defendeu os ataques em uma ligação no fim de semana com Trump, que não se comprometeu com ação militar, segundo uma pessoa informada sobre a conversa
Os mediadores tentam avançar um marco para o Irã cessar os ataques no estreito em troca do fim do bloqueio estadunidense aos portos iranianos, disseram duas autoridades sob anonimato.
Washington sinaliza otimismo
Trump sinalizou progresso em direção a um acordo com o Irã. “Parece que isso está avançando muito bem”, disse o presidente em 2 de novembro de 2026, no Memorial Lincoln, em Washington, e atribuiu a queda dos preços do petróleo às notícias sobre o entendimento
Vance disse a jornalistas na base aérea de Andrews que Washington manteve boas conversas com os iranianos e se declarou otimista. Perguntado sobre um prazo para Teerã fechar um acordo antes de novos ataques, Vance disse que nenhum prazo foi definido. Vance afirmou que qualquer acordo exige o compromisso firme e verificável de que o Irã não vai reconstruir o programa nuclear.
A ofensiva diplomática antecede as legislativas dos Estados Unidos de 3 de novembro. A insatisfação com a guerra e com os preços dos combustíveis pesa contra os republicanos de Trump. Em comício em Iowa no domingo, 1º de novembro de 2026, Trump disse que em algum momento será preciso dar um golpe contundente no Irã. Araghchi disse à IRNA em Asgabate, no Turcomenistão, que o estreito será aberto se as condições forem aceitas. “Caso contrário, a situação atual vai continuar, e o Irã não vai se curvar”, afirmou. O líder supremo concedeu poderes ao governo para acelerar as conversas com Washington, segundo a IRNA.