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Guarda Revolucionária diz ter destruído quatro petroleiros em Ormuz

O comunicado de 4 de novembro afirma que os navios tentavam cruzar por uma rota proibida ao sul do estreito e que outras duas embarcações foram interceptadas; nenhuma autoridade marítima independente confirmou a explosão por minas.

A Guarda Revolucionária do Irã anunciou em 4 de novembro de 2026 a destruição de quatro petroleiros que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz por uma rota que Teerã não autoriza. O comunicado, divulgado pela televisão estatal, afirma que as embarcações “atingiram minas navais e continuam em chamas” e que outras duas, também fora das regras, foram interceptadas. A nacionalidade, o dono e a carga dos navios não foram divulgados, e nenhuma autoridade marítima independente confirmou a explosão por minas até a noite de 4 de novembro. A Guarda Revolucionária informou ainda ter abatido um drone sobre o estreito.

O anúncio veio depois de o presidente Donald Trump confirmar ataques dos Estados Unidos contra alvos no Irã, na sequência de relatos de uma incursão militar a Qeshm, a maior ilha do estreito. Em 30 de outubro de 2026, a mesma força havia anunciado três petroleiros em chamas; o comunicado de 4 de novembro fala em quatro.

Duas rotas, uma proibida

O estreito passou a funcionar com dois regimes de passagem. Teerã exige que os navios sigam o corredor que designou ao longo da costa iraniana e chama de proibida a rota ao sul, que os Estados Unidos coordenam e apresentam como segura. Quem tenta a rota sul, na versão iraniana, entra numa área minada. A diferença de tratamento entre as duas rotas é o que sustenta esse arranjo: a passagem existe para quem aceita a autorização de Teerã, e o navio que a recusa fica sujeito à rota que Teerã chama de proibida.

A única contabilidade independente é a do centro marítimo conjunto (JMIC), que reúne o UKMTO (United Kingdom Maritime Trade Operations, o órgão britânico de monitoramento marítimo) e parceiros. O boletim de 1º de novembro de 2026 registra 18 ataques confirmados no estreito desde 6 de outubro e mantém o nível de ameaça regional em severo. Entre 28 e 29 de outubro, três navios foram atacados ao largo de Musandam: o Riti, o Louise 1 e o Arzanah. No Louise 1, um barco pequeno se aproximou e fixou dois explosivos no casco, acima da linha d’água; a explosão abriu incêndio na casa de máquinas e deixou o navio sem propulsão por algumas horas. Foi o primeiro uso bem-sucedido de minas de fixação contra navio mercante na via desde o começo da guerra, segundo Martin Kelly, consultor de risco marítimo. O registro anterior atribuído ao Irã era de maio de 2019, em Fujairah, seguido dos ataques aos petroleiros Kokuka Courageous e Front Altair no mês seguinte.

O mesmo boletim informa que os Estados Unidos aplicam bloqueio a todos os portos iranianos, com exigência de documentação às embarcações que pedem liberação. Segundo números do Comando Central estadunidense citados no documento e datados de 1º de novembro, 144 navios comerciais foram redirecionados, quatro ficaram incapacitados e dois foram abordados por descumprimento do bloqueio.

O custo que sai do estreito

O mercado cobra o risco no preço. O barril do Brent subiu 0,8%, para US$ 104,42, e o do WTI (West Texas Intermediate) avançou 0,5%, para US$ 96,59, num pregão em que os investidores esperavam o próximo passo de Washington na guerra. Para o Brasil, o canal é o diesel: o país importa parte do combustível que consome, e um barril acima de US$ 100 encarece o frete marítimo e chega ao preço da bomba. O efeito não depende do resultado das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, porque a decisão sobre as operações no Golfo segue com a Casa Branca.

A versão de Teerã

O governo iraniano sustenta que quer resolver a crise por negociação. O presidente Masoud Pezeshkian disse em 3 de novembro de 2026 que ninguém se beneficiaria de uma retomada dos combates, e a chancelaria iraniana afirma estar disposta a reabrir o estreito se Washington aceitar a lista de exigências de Teerã. O principal negociador do país com os Estados Unidos, Mohammad Bagher Ghalibaf, resumiu a posição militar: o Irã está “pronto para o combate, com o dedo no gatilho”.

A pergunta que o comunicado deixa aberta é quem responde pela segurança de uma rota que só existe com a autorização de quem a mina.

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