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EUA enviam carta a Teerã e Irã responde com sete condições prévias

O vice-presidente J.D. Vance propôs a Mohsen Rezaei reabrir a negociação nuclear com a reabertura do Estreito de Ormuz em sete dias em troca de alívio das sanções. Teerã prepara a resposta e mantém as sete exigências, enquanto Trump avisa o Golfo para se preparar para a guerra depois de 3 de novembro de 2026.

O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, enviou uma carta ao secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, entregue por mediadores cataris no domingo 25 de outubro de 2026. O texto propõe retomar a negociação direta e exige que o programa nuclear iraniano esteja na mesa desde o começo, segundo o jornal britânico The Guardian. O roteiro descrito pelo jornal prevê compromissos nucleares no início do processo e a reabertura do Estreito de Ormuz em sete dias, em troca de alívio das sanções dos Estados Unidos.

A resposta iraniana estava em elaboração. A agência semioficial Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, informou que a carta chegou e que a liderança prepara a réplica, e acrescentou que os Estados Unidos não cumpriram as sete condições que Teerã põe para voltar a negociar, conforme o The Washington Times. O chanceler Abbas Araghchi afirmou em publicação nas redes sociais em 28 de outubro de 2026 que o Irã continua dando uma chance à diplomacia, e a resposta oficial de Rezaei era esperada para 29 de outubro de 2026, de acordo com a Al Jazeera, que cita o New York Times.

As sete condições são a pedra no caminho. Elas incluem o fim das sanções, o desbloqueio de ativos congelados e o encerramento da guerra em todas as frentes – fórmula que, na prática, exige um cessar-fogo israelense no Líbano. “As condições do Irã foram repetidas e deixadas claras aos mediadores. A abordagem de cenoura e porrete não tem efeito sobre o Irã. Só haverá avanço quando as sete condições do Irã forem aceitas”, escreveu no X o presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf, que conduz a negociação pelo lado iraniano.

O impasse é de sequência. Washington quer compromissos específicos e antecipados sobre a retirada do estoque de urânio altamente enriquecido do Irã. Teerã não quer entregar de graça seu principal trunfo antes de ver o alívio aplicado, que os Estados Unidos podem reverter, e resiste ao retorno dos inspetores da Organização das Nações Unidas (ONU) por temer que eles forneçam inteligência sobre o paradeiro e o estado do material. A contraproposta iraniana é diluir o estoque dentro do próprio país, para que ele deixe de servir a uma bomba. Nenhum dos dois lados publicou o texto da carta, e a discussão sobre garantias de terceiros menciona a China como o único país com peso suficiente para avalizar o acordo, segundo o jornal britânico The Guardian, em 29 de outubro de 2026.

O relógio militar corre em paralelo. Trump avisou os aliados do Golfo para se prepararem para uma campanha curta e de alta intensidade depois das eleições legislativas de 3 de novembro de 2026, e disse que os Estados Unidos podem fazer “outra pequena Epic Fury”, em referência à operação contra o Irã iniciada em fevereiro de 2026. Teerã ameaça responder a uma nova ofensiva atingindo dessalinizadoras, cabos submarinos de internet e redes elétricas no Golfo. O líder supremo, Mojtaba Khamenei, disse que quer o fim do estado atual de nem guerra, nem paz.

Até a autoria da carta virou disputa. O Wall Street Journal informou que Trump orientou Vance a enviá-la, e o próprio presidente contestou a versão: disse que autorizou o contato, mas que ele tratava de levar remédios e outros suprimentos ao país. A confusão interessa a Teerã, que desconfia da capacidade de Vance de entregar o que promete.

A negociação depende de duas coisas que nenhuma das partes controla: quem se compromete primeiro e quem garante o cumprimento depois. A carta de Vance pede que o Irã se comprometa antes de receber o alívio; a réplica iraniana, que ainda não saiu, exige o alívio antes do compromisso. Enquanto a resposta não chega, a conta do Golfo segue nas mãos de um presidente que diz que a carta tratava de remédios e de um eleitorado estadunidense que vota em três dias.

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