Guerra no Golfo e custo de vida decidem o Congresso dos Estados Unidos
A uma semana da votação de 3 de novembro de 2026, Donald Trump e Barack Obama fizeram campanha em Ohio e na Geórgia, com 36,4 milhões de votos antecipados e a aprovação do presidente em 32%. Custo de vida e guerra contra o Irã aparecem como os temas que mais pesam contra os republicanos.
Donald Trump e Barack Obama fizeram campanha nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, em Ohio e na Geórgia, os dois estados que podem decidir o controle do Senado dos Estados Unidos na eleição de 3 de novembro. Trump foi a Ohio ao lado do senador republicano Jon Husted, que enfrenta o ex-senador democrata Sherrod Brown, numa das disputas mais acirradas do país. Obama discursou na Geórgia em apoio ao senador democrata Jon Ossoff, que disputa a reeleição contra o deputado republicano Mike Collins.
O pano de fundo é uma campanha que entra na semana final com o presidente em baixa. A pesquisa Reuters/Ipsos concluída em 26 de outubro deu 32% de aprovação a Trump, um ponto acima da mínima histórica da semana anterior. Na pergunta genérica de intenção de voto para o Congresso, os democratas aparecem com 47% e os republicanos com 36%, diferença de 11 pontos, um a menos que no levantamento encerrado em 19 de outubro. Entre os eleitores que se dizem inclinados a um lado, a vantagem cai para 50% a 41%.
O tamanho da conta
Estão em disputa as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 do Senado. Os republicanos têm maioria de 53 a 47 no Senado, e os democratas precisam virar cadeiras em estados tradicionalmente republicanos, como Ohio, Iowa e Alasca, para chegar às 51 cadeiras que dão o controle do Senado.
Mais de 36,4 milhões de eleitores já tinham votado antecipadamente até 29 de outubro de 2026, segundo o Laboratório Eleitoral da Universidade da Flórida. Nas eleições de meio de mandato de 2022, esse número havia sido de 45,9 milhões, o que indica uma corrida mais morna ou mais concentrada no dia da votação. As projeções da Reuters publicadas pelo portal G1 apontam os democratas como favoritos na Câmara e o Senado como disputa mais difícil. Na Pensilvânia, quatro disputas pela Câmara devem pesar na conta final. Na Geórgia, as três últimas eleições para o Senado foram decididas em segundo turno.
Obama passou boa parte da campanha discreto e voltou aos palcos na semana passada, com discursos duros contra o sucessor. Em um ato de apoio ao democrata Abdul El-Sayed, atacou o que chamou de “Congresso sem espinha dorsal”, expressão que resume o argumento democrata contra um Legislativo que deixou de frear o presidente.
O que o eleitor cobra
As pesquisas apontam dois temas na origem da insatisfação: o custo de vida e a guerra contra o Irã. O primeiro atinge o eleitor no supermercado e no aluguel. O segundo aparece nos noticiários e nos preços da gasolina, e coloca a política externa no centro de uma eleição que costuma ser decidida em temas domésticos.
O Congresso que sair das urnas terá voto sobre o orçamento de defesa, sobre autorizações de uso da força e sobre a composição das comissões que fiscalizam a guerra. Um Congresso com maioria democrata não impede o presidente de agir; muda, porém, o custo político de cada ação e o ritmo de cada pedido de verba.
Para o Brasil, a eleição dos Estados Unidos pesa por vias concretas: tarifas sobre produtos brasileiros, acordos comerciais pendentes e a política para a América Latina passam pelo Legislativo, que confirma indicados e aprova tratados.
A votação de 3 de novembro decide mais do que maioria parlamentar: decide se o governo que bombardeia o Irã terá um Congresso disposto a pagar a conta por mais dois anos. A aprovação de 32% é o número que as duas campanhas observam: ele mede o presidente, não os candidatos.