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Coreia do Norte dispara cerca de 12 mísseis e recusa diálogo com Seul

A salva saiu da área de Wonsan em 29 de outubro de 2026, menos de uma semana depois de Seul convidar Pyongyang a restaurar os canais de comunicação. O Norte rejeitou a investigação da ONU sobre as minas que feriram três soldados sul-coreanos em setembro.

A Coreia do Norte disparou cerca de 12 mísseis balísticos de curto alcance para o Mar do Leste, nome que o país dá ao Mar do Japão, na quinta-feira 29 de outubro de 2026. O Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Coreia do Sul (JCS) informou que os lançamentos saíram da área de Wonsan, na costa leste norte-coreana, por volta das 12h30 em Seul (UTC+9), 0h30 em Brasília (UTC-3), e que a análise das distâncias de voo ainda estava em curso, segundo a agência Yonhap. A Al Jazeera, citando a AFP e a Reuters, fala em cerca de 10 projéteis. O Ministério da Defesa do Japão confirmou separadamente o lançamento e afirmou que o objeto que pode ter sido um míssil balístico caiu fora da zona econômica exclusiva japonesa, informou a agência Kyodo.

A resposta de Seul saiu no mesmo dia. O Escritório de Segurança Nacional, sediado no palácio presidencial de Cheong Wa Dae, realizou uma reunião de emergência com integrantes do Ministério da Defesa e do JCS para analisar o lançamento e pediu que Pyongyang interrompa imediatamente as provocações. O órgão classificou os disparos como violação de resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e observou que a salva veio cerca de duas semanas depois do lançamento de 12 de outubro de 2026, quando o Norte testou o que chamou de mísseis balísticos táticos. O JCS informou que ampliou a vigilância e mantém o compartilhamento de informações com os Estados Unidos e o Japão.

A salva respondeu a uma oferta de conversa. Seul anunciou na sexta-feira 23 de outubro de 2026 que havia convidado Pyongyang a discutir a restauração dos canais de comunicação entre os dois países, numa tentativa de reduzir a tensão militar na fronteira. O convite seguia sem resposta quando os mísseis saíram de Wonsan.

A disputa que envenenou o canal começou em 21 de setembro de 2026, quando uma explosão de minas terrestres na Zona Desmilitarizada (DMZ), a faixa fortificada que separa as duas Coreias, feriu três soldados sul-coreanos. Uma investigação conjunta da Coreia do Sul com a ONU concluiu em outubro de 2026 que o Norte plantou as minas mais de um ano antes, e Seul passou a exigir um pedido de desculpas. Pyongyang rejeitou a conclusão e enviou ao Conselho de Segurança uma carta em que o embaixador norte-coreano na ONU, Kim Song, acusou Seul de fabricar o episódio da mina e de usar o caso como cortina de fumaça para a escalada na península. Kim Yo Jong, irmã de Kim Jong Un, chamou de desprezível a exigência de desculpas e recusou uma oferta de equipamentos médicos feita pelo Sul.

No mesmo dia dos disparos, o regime mostrou o que pretende colocar na vitrine. A Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA), órgão oficial do Estado, informou que Kim Jong Un visitou a exibição Desenvolvimento de Tecnologias Aéreas Não Tripuladas-2026 e assistiu a um exercício de fogo com drones suicidas táticos, mísseis de cruzeiro, ataques de veículos aéreos não tripulados e um batalhão de lançadores múltiplos de foguetes de 600 milímetros, sistema que o Norte chama de Sniper e que teve seu disparo exibido ao público pela primeira vez, conforme a tradução da Seoul Broadcasting System (SBS), emissora sul-coreana. Na visita, Kim foi acompanhado da mulher, Ri Sol-ju, e da filha, Kim Ju-ae. Em discurso, ele afirmou que a força é a paz e que a paz só se garante com a força, e definiu a busca de superioridade absoluta em drones como escolha indispensável diante da guerra moderna.

O pano de fundo é a dúvida que Seul carrega há meses. As sinalizações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pyongyang levantaram na capital sul-coreana o temor de ficar de fora de uma eventual negociação nuclear entre Washington e o Norte, num momento em que Kim Jong Un suspendeu praticamente todo o diálogo e toda a cooperação com o Sul.

A oferta de diálogo de Seul ficou menos de uma semana no ar e recebeu como resposta uma salva de mísseis e uma operação de propaganda que exibe drones e lançadores de 600 milímetros. Na prática, a fronteira mais armada do mundo segue sem canal de emergência entre os dois lados, e qualquer conversa que Washington abrir com Pyongyang tratará do programa nuclear norte-coreano sem resolver a disputa que produziu os disparos desta quinta-feira: quem plantou as minas e quem pede desculpas a quem.

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