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Ataques russos à rede elétrica deixam 600 mil sem luz em Dnipropetrovsk

Ofensiva da madrugada atinge hospitais e transporte em Dnipro com a temperatura perto de zero, dois dias antes da rodada de negociação em Abu Dhabi que Zelensky diz ser o alvo da pressão.

A Rússia atacou instalações energéticas ucranianas na madrugada deste domingo, 8 de novembro de 2026, e deixou mais de 600 mil clientes sem energia na região de Dnipropetrovsk, no centro-leste do país. A empresa de energia DTEK informou no Telegram que o ataque noturno danificou unidades importantes e que o trabalho de restauração é dificultado pelos bombardeios que se repetem, segundo a CBS News.

Em Dnipro, capital da região, os hospitais passaram a operar com geradores a diesel e o transporte público elétrico parou, segundo o chefe da administração militar regional, Oleksandr Hanzha. Na região de Kharkiv, no nordeste, quase 250 mil clientes ficaram sem luz depois que um drone atingiu uma instalação de infraestrutura crítica, disse Mykola Baksheyev, prefeito de Zlatopil. O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que só na região de Zhytomyr 140 edifícios de apartamentos ficaram sem aquecimento, com as temperaturas no país já perto de zero.

A Força Aérea ucraniana contabilizou três mísseis de cruzeiro Kh-59/69 lançados do mar de Azov e 164 drones de ataque, 112 deles com propulsão a jato; do total de 164, 137 foram abatidos. Um drone atingiu uma casa particular num subúrbio de Dnipro e provocou um incêndio. Outro ataque na cidade matou um civil e feriu uma segunda pessoa. Na região de Poltava, quatro pessoas ficaram feridas.

O Ministério da Defesa russo afirmou ter atingido uma subestação que abastecia empresas da indústria de defesa ucraniana e um navio porta-contêineres no mar Negro que, segundo a pasta, entregava armas. Alegações de campo de batalha não puderam ser verificadas de forma independente.

O alvo não é novo. A Rússia intensificou os ataques à infraestrutura energética ucraniana no fim de setembro deste ano e vem bombardeando o setor a cada inverno desde a invasão em larga escala de 2022. Em outubro deste ano, a Radio Free Europe/Radio Liberty obteve das forças armadas ucranianas um documento russo que descreve o plano da campanha deste ano: geração e distribuição de energia, abastecimento de água, rede de esgoto e aquecimento.

Para Kyiv, a sequência tem destinatário. Zelensky acusou a Rússia de intensificar os ataques para pressionar a Ucrânia a dois dias das negociações. “Ao intensificar seus ataques contra a Ucrânia e nossa infraestrutura neste exato momento, a Rússia tenta preparar o terreno para pressionar a posição da Ucrânia e a de seus parceiros”, disse ele. Zelensky acrescentou: “A Rússia entende a diplomacia à sua maneira peculiar: como uma forma de agressão.”

Dois dias antes, o país já havia vivido um apagão maior: a Ucrânia informou que um ataque massivo a instalações energéticas na noite de sexta-feira, 6 de novembro, mergulhou cinco regiões na escuridão e comprometeu a transmissão de energia em Kyiv e arredores. Segundo Zelensky, foram 172 drones em Kyiv e outras 12 regiões, e 36 mísseis balísticos, entre eles mísseis fabricados e fornecidos pela Coreia do Norte; dos mísseis, só quatro foram abatidos, pela falta de interceptadores para os sistemas Patriot.

A rodada que o Kremlin quer influenciar começa na terça-feira, 10 de novembro de 2026, em Abu Dhabi, com negociadores da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos, e deve durar dois dias. É a quarta rodada intermediada pelo governo Donald Trump, depois da de Genebra, em fevereiro: a via diplomática está parada desde então, quando Washington desviou a atenção para a guerra com o Irã.

Enquanto isso, o ataque mais mortífero da guerra segue contando vítimas. Zelensky afirmou que o número de mortos em Komyshuvakha, vila da região de Zaporizhzhia onde um centro de distribuição de ajuda humanitária foi atingido na semana passada, subiu para 55, depois de os serviços de emergência contarem 50; a Associated Press registrou 53. Um drone de visão em primeira pessoa voltou a atingir a vila no sétimo dia das operações de resgate, e o presidente afirmou que mais pessoas podem estar sob os escombros.

O inverno virou o relógio material da guerra porque é ele que mede o que a rede elétrica suporta. Cada subestação destruída sai da conta de um sistema que já perdeu capacidade de reserva, e cada apagão atinge quem ficou sem aquecimento com a temperatura perto de zero. A pergunta que a rodada de Abu Dhabi herda é se a mesa de negociação vai tratar da proteção da rede ou se Moscou vai chegar à sala com mais apagões como argumento.

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