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Alemanha e Coreia do Sul firmam parceria em chips, baterias e armas

Encontro em Seul em 29 de outubro de 2026 elevou a relação ao nível mais alto desde 1883 e amarrou indústria e defesa. Seul pediu igualdade na nova lei industrial europeia e Berlim prometeu examinar o pedido.

O presidente Lee Jae Myung e o chanceler Friedrich Merz elevaram em 29 de outubro de 2026, em Seul, a relação bilateral a uma parceria estratégica reforçada. Foi a primeira visita de um chanceler alemão à Coreia do Sul em três anos e o terceiro encontro entre os dois desde que Merz assumiu o governo.

Os ministérios de Comércio dos dois países assinaram uma declaração de intenções por um arcabouço de economia e alta tecnologia que tira a cooperação do eixo de comércio e investimento e leva para indústria, tecnologia de ponta e inovação. O texto prevê trabalho conjunto em automóveis, baterias, semicondutores, inteligência artificial industrial, manufatura inteligente, sistemas avançados de energia e robótica, além de pesquisa comum, projetos industriais e padrões. Na mesma declaração conjunta, os dois lados se descrevem como parceiros de confiança com forças complementares em semicondutores e prometem fechar em breve uma parceria de ecossistema de chips.

Merz disse em coletiva que a segurança da Ásia e da Europa estão ligadas, citando o emprego de soldados norte-coreanos na guerra da Ucrânia e o fornecimento de armas russas a Pyongyang. Os dois governos prometeram concluir rapidamente um acordo de proteção de informações militares classificadas, com diálogo estratégico entre chanceleres, intercâmbio militar regular e mais partilha de informações. Lee afirmou que fabricantes sul-coreanas de armamento têm forte interesse em sociedades de longo prazo com empresas alemãs, por meio de empreendimentos conjuntos e desenvolvimento conjunto.

É a primeira parceria desse nível desde o estabelecimento das relações em 1883. A Alemanha é o maior parceiro comercial da Coreia do Sul na Europa, com comércio bilateral acima de US$ 30 bilhões por ano, enquanto o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e a Coreia do Sul dobrou o intercâmbio de mercadorias para cerca de €130 bilhões desde 2011, com 99 por cento das tarifas eliminadas. Os dois lados renovaram a declaração de intenções da parceria de energia, com intercâmbio de política e tecnologia em energia renovável e redes elétricas, e assinaram um protocolo que altera o acordo contra a bitributação.

Lee pediu apoio para que as empresas sul-coreanas recebam na Lei de Aceleração Industrial da UE o mesmo tratamento das empresas dos Estados-membros, e Merz respondeu que vai examinar o pedido. A norma europeia prevê preferência de compra pública a produto fabricado na UE e condições ao investimento estrangeiro. Não há posição da Comissão Europeia sobre o pedido, e o texto da parceria de chips e do acordo de informações classificadas segue sem publicação, com os dois governos falando apenas em conclusão rápida.

A viagem fecha um giro asiático de uma semana que passou por Singapura e pelo Japão e busca parcerias entre países de mesma orientação como contrapeso às tarifas dos Estados Unidos e à expansão industrial chinesa com apoio estatal, segundo a Reuters em texto republicado pela America Online (AOL). A agência de inteligência sul-coreana calcula que mais de dez mil soldados norte-coreanos foram enviados à Rússia desde 2024. Merz abre a 19ª Conferência Ásia-Pacífico da Economia Alemã em Seul e visita a zona desmilitarizada entre as duas Coreias na sexta-feira, antes de convidar Lee para ir a Berlim no outono de 2027 e participar como parceiro da cúpula digital alemã.

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