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Tema: Clima

Fluxo

Segundo o Le Monde, o estado mexicano de Querétaro, afetado por seca crônica, abriga mais de dois terços dos data centers construídos pelas grandes empresas de tecnologia estadunidenses no México – organizações não governamentais criticam a falta de transparência sobre o uso de água dessas instalações e o número de empregos criados, bem menor que o prometido, e na localidade de Palo Alto, a oeste da capital estadual, os principais data centers do país ficam em parques industriais cercados por câmeras e segurança armada na entrada, entre pequenas plantações.

Luiz Inácio Lula da Silva embarca na manhã de segunda-feira, 9, para viagem que inclui a Turquia, onde participa da cúpula de líderes da COP31, e as Filipinas, onde fará a primeira visita de um chefe de Estado brasileiro ao país, no ano em que os dois países completam 80 anos de relações diplomáticas – com reuniões reservadas e ampliadas com o presidente Ferdinand Marcos Jr., além de almoço oficial e fórum empresarial no dia 14. O bloco reúne população superior a 700 milhões de habitantes e Produto Interno Bruto (PIB) combinado de 4,25 trilhões de dólares, e é a primeira viagem internacional de Lula depois de reeleito para o quarto mandato.

Quase 200 países se reúnem a partir de segunda-feira na Turquia para a conferência do clima da ONU (COP31), com as expectativas contidas por tensões sobre geopolítica, financiamento e combustíveis fósseis, segundo o France 24. O país anfitrião vai defender uma agenda de eletrificação para atender a demanda global de energia. A administração de Donald Trump não participa das negociações, mas uma delegação do Congresso dos EUA comparecerá à conferência. O grupo de negociadores africanos exige que a promessa de triplicar o financiamento para adaptação, dinheiro para lidar com os impactos do clima, seja incluída na pauta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja a Antália na próxima semana, depois de vencer a reeleição contra Flávio Bolsonaro.

A China aprovou uma lei para ampliar a pesquisa antártica e reforçar a regulação de suas atividades de exploração na região. O texto tem 59 artigos em sete capítulos e entra em vigor em 1º de janeiro de 2027. Permissões para pesquisa, turismo, navegação e outras atividades chinesas na Antártida passarão a depender de uma série de condições ambientais, de segurança e de outra natureza. A lei prevê proteção dos animais e plantas locais, tratamento e descarte adequados de resíduos e prevenção da poluição marinha.

O observatório europeu Copernicus afirmou nesta sexta-feira que 2026 será muito provavelmente o segundo ano mais quente já registrado, com 20% de chance de que iguale ou supere 2024, atualmente o ano mais quente já registrado, segundo o boletim mensal do serviço. Outubro de 2026 foi o outubro mais quente já registrado no planeta, com temperatura média do ar 1,75°C acima da média do período pré-industrial, o terceiro mês consecutivo a superar o limite de 1,5°C. Excluindo as regiões polares, a temperatura média da superfície dos mares atingiu 20,95°C, recorde para outubro.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) declarou 96% dos sistemas de recifes de águas rasas criticamente ameaçados, com possibilidade de desaparecer até 2075. A avaliação é a primeira Lista Vermelha global de ecossistemas de recifes de coral, segundo seu líder científico, Mishal Gudka. Sistemas como a Grande Barreira de Corais, o Triângulo de Coral no Pacífico Ocidental e Sudeste Asiático, o Sistema Mesoamericano e os recifes do Mar Vermelho estão todos na categoria de ameaça máxima.

Uma delegação de 19 membros do Congresso dos Estados Unidos vai à 31ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), que ocorre de 9 a 20 de novembro em Antalya, segundo o deputado Sean Casten, de Illinois. Os Estados Unidos não participam das negociações, depois que o presidente Donald Trump retirou o país do Acordo de Paris pela segunda vez ao voltar ao cargo. A delegação é liderada pelo Sustainable Energy and Environment Coalition (SEEC) Institute, centro de estudos não partidário, e os membros se reunirão com formuladores de políticas, sociedade civil e empresários para “explorar oportunidades de renovar o engajamento dos Estados Unidos” em clima, energia e política econômica. Casten disse que a delegação “vai ser recebida com o entendimento do que acabou de acontecer”.

Quase 90 milhões de pessoas deslocadas à força vivem em países cada vez mais expostos a secas, inundações e calor extremo ligados ao clima, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), que alertou, às vésperas da COP31, que é necessário mais financiamento para ajudar comunidades vulneráveis a se adaptar. Na África subsaariana, um em cada três assentamentos de refugiados pode enfrentar 100 dias ou mais de calor perigoso por ano até 2050. O relatório, divulgado antes da cúpula do clima na Turquia, mostra que esses quase 90 milhões de deslocados equivalem a três quartos do total mundial, vivendo em países altamente expostos a riscos climáticos. Mais de dois terços dos refugiados que voltaram para casa no primeiro semestre deste ano retornaram a países muito vulneráveis a esses riscos.

A Coalizão Jurídica Transnacional (TLC) apresentou nesta quarta-feira 14 denúncias por suspeita de lavagem de dinheiro contra a JBS, seus financiadores e prestadores de serviços, com notificações a agências reguladoras na Holanda, na Alemanha, na Irlanda e no Reino Unido. As denúncias se baseiam em investigação encomendada à organização AidEnvironment, que associou a cadeia de fornecedores diretos e indiretos da empresa a mais de 6,5 milhões de hectares desmatados na Amazônia desde 1988, e a JBS diz que não pode se manifestar sem acesso à metodologia do estudo.

Uma delegação de 19 congressistas democratas vai à COP31 na Turquia, com função diplomática importante, em uma conferência do clima da ONU que ocorre de 9 a 20 de novembro em Antalya, disse o deputado Sean Casten. Os Estados Unidos não participam das negociações depois que Donald Trump retirou o país do Acordo de Paris pela segunda vez ao voltar ao poder. Casten afirmou que a delegação não estará na maioria, mas será recebida com o entendimento do que acabou de acontecer.

O Grupo Africano de Negociadores na convenção do clima da ONU afirma que não há hoje item de agenda que abra espaço para discutir financiamento público e quer criar um sob o Artigo 9.1 do Acordo de Paris, a provisão de 2015 que obriga países desenvolvidos a fornecer recursos financeiros aos países em desenvolvimento. O presidente do grupo, Nana Antwi-Boasiako Amoah, disse que os países ricos devem se opor à adoção da agenda por causa desse item. A cúpula, sediada pela Turquia com a Austrália conduzindo as negociações, abre em 9 de novembro e vai até 20 de novembro.

A China abriga 49% das plantas industriais consideradas limpas do mundo, entre unidades em operação e em construção, respondeu por US$ 45 bilhões em investimentos na transição energética neste ano e concentra 23 dos 36 projetos de descarbonização industrial que chegaram à decisão final de investimento, segundo relatório da Mission Possible Partnership em texto da OilPrice, que registra ainda que o país segue como maior consumidor de carvão do mundo, com quase 50% da geração elétrica vinda do combustível.

A presidência brasileira da COP30 apresentou dois Mapas do Caminho internacionais para acelerar a transição para longe dos combustíveis fósseis e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030. Os documentos abordam os dois maiores vetores da mudança climática – a energia, com 75% das emissões, e a perda florestal, com 11% –, mas são contribuições voluntárias e não prescritivas, sem obrigações, metas nacionais ou mecanismos de prestação de contas, segundo a TNC Brasil. O financiamento anual para florestas precisa saltar dos US$ 84,5 bilhões registrados em 2023 para mais de US$ 300 bilhões em 2030.

O governo do Peru declarou estado de emergência por 60 dias em 1.380 distritos de mais de 1.800, por perigo iminente de chuvas intensas associadas ao fenômeno El Niño. A medida foi oficializada pelo Decreto Supremo 149-2026-PCM e abrange 25 departamentos e a Província Constitucional de Callao. O Centro de Operações de Emergência Nacional registrou 324 pessoas atingidas e 110 casas inabitáveis por chuvas no fim de semana em Tumbes. A comissão técnica Enfen informou que o evento será de magnitude extraordinária até fevereiro e perderá força até junho.

A Autoridade de Desenvolvimento Agrícola e Rural (ARDA) entregou ao Conselho de Comercialização de Grãos mais de 187 mil toneladas de cereais de verão e 60.529 toneladas de trigo de inverno, segundo a 263Chat, em texto republicado pelo AllAfrica. A autoridade também pretende cultivar 100 mil hectares na temporada de verão de 2026/27. O ministro da Agricultura, Anxious Masuka, disse que o Zimbábue está “quase 100% certo” de que terá chuvas abaixo do normal, e o aquecimento do Pacífico Sul central associado ao El Niño deve superar três graus Celsius.

O governo brasileiro apresentou nesta terça-feira o primeiro roteiro global para a eliminação gradual de combustíveis fósseis, com a tese de que os países podem romper a dependência de carvão, petróleo e gás sem esperar novas tecnologias, segundo o Guardian. Os documentos não são vinculantes, não trazem prazos nem marcos e deixam a cada país o diagnóstico da própria dependência de fósseis antes de escolher as políticas. Entre as medidas sugeridas estão cortar com urgência a queima e a liberação de gás nos locais de extração, reduzir subsídios a fósseis e ampliar a geração renovável. O roteiro sobre florestas estima a necessidade de cerca de US$ 300 bilhões por ano até 2030 e de US$ 500 bilhões por ano até 2050, contra cerca de US$ 85 bilhões disponíveis por ano atualmente. André Corrêa do Lago, presidente da conferência do clima da ONU (COP30), disse que os roteiros são documentos de implementação e devem ser assumidos pelos ministérios da Fazenda, dos Transportes, da Energia e da Infraestrutura de cada país. O professor Joeri Rogelj, do Imperial College London, afirmou que os roteiros são valiosos, mas não indicam o ritmo de mudança necessário por não trazerem cronograma nem parâmetros-chave.

As autoridades indianas começaram a evacuar moradores da costa leste com a aproximação do ciclone Murasu, previsto para tocar o solo na madrugada de terça-feira, com cerca de 2 mil evacuados e preparo para mover mais 30 mil, disse Prakhar Jain, diretor-gerente da Autoridade de Gestão de Desastres de Andhra Pradesh, à Reuters. Os estados de Andhra Pradesh e Tamil Nadu devem sofrer o maior impacto; o Murasu deve ser menos intenso que o Arnab, que matou seis pessoas na semana passada, segundo o Departamento Meteorológico da Índia (IMD).

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, declarou estado de emergência nacional no sábado por causa do agravamento das condições climáticas no país, segundo o Brasil 247. A medida permitirá ao governo ampliar a disponibilidade de recursos financeiros e mobilizar equipes de resgate para atender as populações das áreas mais afetadas.

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, assinou neste sábado um decreto que declara estado de emergência nacional para enfrentar os efeitos do El Niño, com o envio de mais equipes de resgate às áreas do país mais atingidas por enchentes e seca, segundo a Al Jazeera. A seca afeta 78 mil famílias em seis dos nove departamentos bolivianos e já causou a perda de mais de 75 mil cabeças de gado, segundo um relatório do governo divulgado nesta semana.

A fumaça de meses de incêndios florestais na Indonésia causou cerca de 3.560 mortes no arquipélago em setembro, segundo um novo estudo citado pelo South China Morning Post (SCMP); a poluição sem ligação com queimadas, de geração elétrica, indústria e transporte, causou outras 1.750 mortes no mês, num total de 5.310 no país de cerca de 290 milhões de pessoas.

Pelo menos seis pessoas morreram e o fornecimento de energia em diversas áreas da costa leste da Índia continua interrompido nesta quinta-feira (29), um dia após o ciclone Arnab ter atingido a região. O governo de Andhra Pradesh confirma seis mortos; autoridades locais falam em nove, por eletrocussão e desabamento de árvores e casas. Um cargueiro com bandeira das Ilhas Marshall e 20 tripulantes encalhou na costa de Andhra Pradesh e seguia parado na quinta-feira por causa do mar agitado.

O tratado de 1996 que rege a partilha das águas do Ganges na estação seca na barragem de Farakka, na Índia, 20 km rio acima de Bangladesh, expira em 12 de dezembro, segundo a AFP. Bangladesh precisa de um novo acordo baseado em “benefício e respeito mútuos”, disse à AFP Rashed Al Mahmud Titumir, assessor do primeiro-ministro que chefia um comitê técnico sobre partilha de águas.

Chuvas fortes provocaram enchentes em Guayaquil, a maior cidade do Equador. Os rios Pilco, Tenguel e Balao transbordaram em 25 e 26 de outubro, alagando casas e ruas na paróquia de Tenguel, em Guayaquil e no cantão de Balão, na província de Guayas, e causando fechamento de estradas, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). A Secretaria Nacional de Gestão de Riscos (SNGR) registrou 24 eventos adversos em seis províncias em 24 horas e 11 corpos d’água transbordando em Guayas e El Oro, segundo a OPAS.

A Indonésia destacou ônibus equipados com cilindros de oxigênio em uma cidade da ilha de Bornéu, onde moradores sufocam com a fumaça dos incêndios florestais, que não dá sinal de trégua. Mais de 300 mil pessoas em sete províncias foram atingidas por infecções respiratórias entre agosto e outubro, segundo o Ministério da Saúde da Indonésia, citado pela AFP em texto publicado pelo Malay Mail.

O gabinete do primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, está dividido sobre aprovar a perfuração em Rosebank, a oeste de Shetland, um projeto de £ 8,7 bilhões que a operadora diz que bombearia cerca de 69 mil barris por dia no pico, segundo o OilPrice. De um lado está a segurança energética; do outro, os compromissos climáticos do governo.

Tempestades atingiram o norte da Europa neste domingo e cortaram a energia de mais de 150 mil casas, forçaram o cancelamento de centenas de voos e silenciaram redes de telefonia, segundo a AFP. Autoridades dos países disseram que mais de 82 mil casas no Reino Unido, quase 60 mil na França e pelo menos 10 mil na Alemanha tiveram o fornecimento cortado pela passagem das tempestades Boelo e Austen em menos de 24 horas uma da outra. O aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, cancelou dezenas de voos no domingo; a AFP contou cerca de 90 voos cancelados no site do aeroporto, com destino principalmente a cidades europeias como Paris, Roma e Dublin.

A Turquia, país anfitrião da 31ª Conferência das Partes (COP31) da convenção da ONU sobre o clima, está incentivando os países ricos a gastar mais com apoio climático do que com defesa, segundo o OilPrice. O anfitrião da próxima cúpula da ONU disse ao The Guardian que os países ricos deveriam gastar muito mais do que os 5% do PIB prometidos por membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para defesa, porque “a questão climática é a questão de segurança”. Questionado se se deveria gastar com clima tanto quanto com defesa, respondeu: “Muito mais.”

O tufão Champi passou por Taiwan neste sábado, matando uma pessoa e ferindo mais de 500, com ventos fortes e chuva torrencial que derrubaram árvores, interromperam voos e cortaram a energia de milhares de casas, segundo o Times of India. O corpo de bombeiros de Taiwan registrou 527 feridos e manteve o número de mortos em um, um homem arrastado pelas ondas na ilha Liuqiu. A estatal de energia Taipower informou que mais de 167 mil casas ficaram sem eletricidade em algum momento.

O tufão Champi atingiu Taiwan, matou uma pessoa e feriu ao menos 350, enquanto as autoridades alertavam para “ventos destrutivos” e orientavam a população a ficar em casa, segundo a Al Jazeera. A tempestade passou pelo nordeste da ilha na sexta-feira, derrubou árvores, fechou o comércio e as escolas, cortou a energia de milhares de residências e forçou mais de 4.300 pessoas a deixar suas casas.

A operadora japonesa de telecomunicações KDDI pediu desculpas por um grande incêndio florestal que atingiu uma reserva natural da Mongólia no início deste mês, segundo a NHK World. A agência estatal mongol Montsame informou que o fogo começou em 8 de outubro na Área Estritamente Protegida de Numrug, na província oriental de Dornod, e se espalhou para pastagens. A KDDI não divulgou detalhes do incêndio, mas disse que executivos da Mobicom, incluindo o CEO japonês, entraram na reserva em um veículo para fazer um teste de rede de comunicações.

O terremoto de magnitude 7,0 que atingiu o Tibete nesta quinta-feira deixou 16 mortos e 32 feridos, segundo o South China Morning Post. O epicentro foi localizado em área montanhosa a cerca de 190 km a leste-nordeste de Nagqu e 390 km a nordeste de Lhasa, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

O instituto S&P Global advertiu que o choque energético ligado ao estreito de Ormuz pode virar uma crise alimentar global, com diesel e fertilizantes mais caros, demanda forte por biocombustíveis e El Niño pressionando a agricultura mundial, segundo o OilPrice. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta alta de 10% nos preços de fertilizantes até o fim de 2026, o que acrescenta 5% aos custos de alimentos neste ano e mais 2,4% em 2027. Segundo o OilPrice, mesmo que o estreito permaneça aberto, a produção de gás do Golfo levaria meses ou anos para se recuperar, e os países mais pobres, onde a alimentação representa cerca de metade do orçamento familiar, ficam mais expostos.

O presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), Jim Skea, pediu que o plenário suspenso em Adis Abeba seja reconvocado o mais rápido possível, segundo a AFP. Em nota, Skea informou que suspendeu na noite de 16 de outubro a 65ª sessão plenária do painel: a maior parte da agenda foi concluída, inclusive um acordo sobre um novo processo para o uso de inteligência artificial, mas não houve consenso sobre os prazos das três contribuições dos grupos de trabalho ao Sétimo Relatório de Avaliação (AR7) nem sobre o orçamento do IPCC.

O conflito e a seca aumentam o risco de fome nas regiões de Darfur e Cordofão, no Sudão, alertou o monitor global de crises alimentares (IPC), que afirma que a insegurança alimentar, a desnutrição aguda e a mortalidade excessiva provavelmente vão se intensificar. Em maio, quase 19,5 milhões de pessoas, mais de 40% da população, enfrentavam altos níveis de insegurança alimentar aguda, segundo a Associated Press, que também relata uma seca severa ligada ao El Niño afetando mais da metade do Sudão, com quebras localizadas de safra.

O Ministério Público brasileiro abriu uma ação na Justiça contra a filial brasileira da petroleira Shell, atribuindo-lhe responsabilidade pelas chuvas torrenciais que atingiram o sul do país em 2024, segundo o Le Monde. A acusação atribui à Shell 2% das emissões históricas mundiais de gases de efeito estufa associadas à exploração, à produção e à comercialização de combustíveis fósseis, segundo o Le Monde. O Ministério Público pede 270 milhões de reais por danos ambientais e morais climáticos, além do mesmo valor por danos materiais, segundo o Le Monde.

A guerra do Irã empurrou cerca de 25 países a adotar políticas estruturais de eletrificação desde março, segundo a ABC News, em texto da OilPrice, depois que o fechamento do estreito de Ormuz interrompeu o fluxo de petróleo e gás. A COP31, na Turquia, vai pedir que os países atendam 35% da demanda global de energia com eletricidade até 2035, ante 23% hoje. A Agência Internacional de Energia (AIE) projeta a necessidade de 80 milhões de quilômetros de linhas novas ou reformadas até 2040, e um relatório da consultoria Bain & Company aponta que entre 50% e 60% dos projetos renováveis no Vietnã, na Tailândia e na Indonésia foram cancelados ou atrasados entre 2021 e 2025.

Flávio Bolsonaro obteve 47% dos votos no primeiro turno da eleição presidencial brasileira e vai ao segundo turno em 25 de outubro na frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve 44,2%, segundo o Guardian. O governo Lula reduziu o desmatamento na Amazônia em quase 50%, mas o sucesso não se traduziu em tração eleitoral para candidatos pró-floresta na mesma votação.

Ao menos 21 pessoas morreram, cinco estão desaparecidas e cinco ficaram feridas no Nepal após quatro dias de chuva torrencial que provocaram enchentes e deslizamentos, segundo as autoridades. A Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres (NDRRMA) atribui 14 mortes a deslizamentos, quatro a enchentes e três à chuva contínua. Cerca de 3.000 pessoas foram retiradas de áreas de risco, 260 casas foram totalmente destruídas e outras 80 ficaram parcialmente danificadas.

Os incêndios florestais na província de Kalimantan Ocidental, em Bornéu, estão entre os piores em 11 anos sob condições de “super-El Niño”, que elevam as temperaturas e provocam secas severas, segundo a Reuters. Mais de 12,5 milhões de pessoas foram expostas à fumaça em sete províncias de Bornéu e de Sumatra, e os casos de doenças respiratórias ligadas aos incêndios mais que dobraram, chegando a 113.336 em 9 de setembro, contra 50.891 em 1º de setembro, segundo dados do Ministério da Saúde da Indonésia. A fumaça transfronteiriça deixou o ar insalubre na vizinha Singapura e na Malásia.

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, disse nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, que as enchentes do mês passado foram “um alerta ao mundo” sobre os riscos climáticos no Himalaia, e afirmou que o país, que emite menos de 0,1% dos gases de efeito estufa, está pagando por uma crise que não criou. Shah propôs um Mecanismo de Resiliência Climática do Himalaia com a Índia e a China para compartilhar dados de satélite, monitorar lagos glaciais e reforçar o alerta precoce conjunto. As enchentes deixaram mais de 1.400 mortos e 6.000 desaparecidos, com prejuízos na casa dos bilhões de dólares, segundo a France24.

O furacão Polo se intensificou para a categoria 5, a mais alta da escala Saffir-Simpson, na noite de terça-feira, 22 de setembro de 2026, com ventos máximos sustentados de 265 km/h, e estava a cerca de 338 quilômetros ao sul de Zihuatanejo, no litoral do Pacífico mexicano, segundo a Associated Press, que cita dados do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, órgão que mantém avisos ativos para o fenômeno. O centro alertou para condições de tempestade tropical nas costas de Guerrero, Michoacán e Colima, previu chuva de 8 a 15 centímetros e risco de deslizamentos, e informou que Polo deve seguir para oeste-noroeste sem tocar terra, segundo a AP. É o terceiro furacão de categoria 5 da temporada do Pacífico, depois de Genevieve e Lowell, e o pesquisador Philip Klotzbach, da Universidade Estadual do Colorado, atribuiu a intensificação rápida ao El Niño.

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) estimou que um evento extremo do El Niño deve causar uma perda acumulada de pelo menos 2% do produto interno bruto (PIB) regional em três anos, metade dela no primeiro ano, e pode somar até 4,8 milhões de pessoas à pobreza até o fim da década, em comparação com um cenário sem o fenômeno. O terceiro Informe Especial da agência, divulgado em 21 de setembro de 2026, aponta vulnerabilidade crítica em energia, pesca, agricultura e infraestrutura e recomenda dez medidas de política pública, segundo o comunicado da CEPAL. Projeções citadas no relatório da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte no outono e no inverno boreal de 2026-2027 e 69% de chance de alcançar magnitude histórica, o “Super El Niño”; para o trimestre de outubro a dezembro de 2026, a probabilidade de déficit de chuvas é de 60% e 31,1% do território regional está em alerta alto, segundo a Xinhua.

Um relatório do Climate Impact Lab, centro de pesquisa da Universidade de Chicago, divulgado nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, estima que o calor associado ao El Niño pode provocar até 451 mil mortes adicionais ligadas ao calor entre junho de 2026 e o fim de fevereiro de 2027, na comparação com o que se esperaria num ano típico, segundo a Associated Press. O Sahel deve ser a região mais atingida, com cerca de 66,8 mil mortes adicionais. O relatório também projeta cerca de 19,4 mil mortes por calor somadas em Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja, 19,3 mil na Indonésia, 15,8 mil na Índia e 13,3 mil no Brasil, segundo a AP. O levantamento combinou previsões sazonais de temperatura do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) com estimativas locais de mortalidade por calor em mais de 24 mil regiões do mundo. Michael Greenstone, cofundador do grupo e coautor do estudo, disse à AP que o risco deve persistir depois de fevereiro, quando o El Niño atual já deve ter terminado.

O furacão Polo se intensificou nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, para a categoria 5 no Pacífico, ao largo do sudoeste do México, com ventos máximos de cerca de 290 km/h, e deve seguir “extremamente perigoso” nos próximos dias, segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC), citado pelo Los Angeles Times. O centro emitiu avisos de tempestade tropical para trechos do litoral mexicano, com risco de chuvas intensas, inundações e deslizamentos até quinta-feira, 24 de setembro de 2026. Polo é o 16º sistema nomeado da temporada do Pacífico leste, em um ano de El Niño previsto como o mais forte em ao menos uma geração; na Califórnia, o governador Gavin Newsom declarou emergência estadual na segunda-feira, 21 de setembro de 2026, para preparar o estado a ressacas e temporais de inverno, e a preocupação imediata é a coincidência de maré alta e ondulação forte na próxima segunda-feira, 28 de setembro de 2026, e no dia seguinte.

Os procuradores-gerais da Califórnia, Rob Bonta, e de Nova York, Letitia James, entraram nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, com ações contra o governo de Donald Trump por causa dos acordos que recompram arrendamentos federais de parques eólicos marítimos. Bonta contesta a remoção de um projeto previsto para a costa da Califórnia pela Invenergy, de Chicago; o governo havia anunciado em junho de 2026 que compraria os arrendamentos da empresa referentes a quatro projetos nas costas leste e oeste do país. James lidera sete estados em ações que pedem o bloqueio do acordo com a Invenergy e de outra proposta com a Bluepoint Wind, que concordou em abril em encerrar um parque em desenvolvimento na costa de Nova York e Nova Jersey, segundo a Associated Press, em despacho publicado pelo The Guardian. Os acordos entregariam às empresas cerca de US$ 1,4 bilhão em dinheiro público em troca do cancelamento de vários projetos, e o governo já prometeu quase US$ 4 bilhões a companhias para que abandonem projetos no país. James chamou os acordos de ilegais e disse que eles vão encarecer a conta de luz: “os norte-americanos enfrentam custos de energia crescentes porque esta administração prefere pagar empresas de energia a nos deixar construir as novas fontes de que precisamos”. Os procuradores de Connecticut, Delaware, Maine, Massachusetts, Nova Jersey, Rhode Island e Vermont aderiram à ação de Nova York.

O El Niño em formação no Pacífico ultrapassou nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, todos os registros anteriores e virou o evento mais forte da série observada, segundo o Met Office, o serviço meteorológico do Reino Unido. A temperatura diária da superfície do mar na região central do Pacífico equatorial ficou 3,05 °C acima da média em 19 de setembro, superando o recorde anterior de 3,02 °C do El Niño de 2015, conforme a BBC Weather. O pico do fenômeno só é esperado para o fim de 2026, e medidas de prazo mais longo ainda não bateram recorde. O professor Adam Scaife, chefe de previsão de longo prazo do Met Office, disse que já se vê no mundo efeitos esperados do evento. Entre eles, o serviço britânico cita a monção indiana 15% abaixo do normal até 22 de setembro e a temporada atlântica de furacões de 2026 sem nenhum furacão formado até agora.

O tufão Dujuan deixou quatro mortos e seis desaparecidos no leste do Japão, nas províncias de Chiba e Kanagawa, além de 22 feridos, segundo a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres do Japão (FDMA), citada pelo The Japan Times e pela Jiji Press. Chiba registrou três das mortes. O tufão, o 25º do ano no país, derrubou a energia de dezenas de milhares de casas e obrigou mais de 1,6 milhão de pessoas na região de Tóquio a deixar as áreas de risco, informou a BBC News. O temporal também trouxe chuvas recordes: a ilha de Oshima acumulou 832 milímetros em 48 horas, mais que o dobro da média de todo o mês de setembro, segundo a emissora pública japonesa NHK. A agência meteorológica japonesa rebaixou ou levantou nesta terça-feira a maior parte dos avisos de chuva forte e deslizamento.

Quase quatro semanas depois das enchentes de 26 de agosto de 2026 no Nepal, mais de 1.000 crianças seguiam em abrigos temporários, segundo avaliação do Conselho Nacional de Direitos da Criança do Nepal e da organização não governamental Save the Children, com dados de 4 de setembro: 102 crianças estavam desacompanhadas de qualquer parente e 439 estavam separadas dos pais, sob cuidado de parentes. Mais de 500 vivem nesses abrigos com os pais mortos ou desaparecidos, e a lei nepalesa exige 12 anos de desaparecimento para declarar a morte, com exceção em desastres, quando parentes precisam pedir a declaração judicial. O balanço da Polícia do Nepal divulgado em 16 de setembro registrava 1.404 mortos e cerca de 6.150 desaparecidos na catástrofe, desencadeada pelo colapso de uma geleira e de rochas perto da fronteira com o Tibete. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima em 32 mil as crianças deslocadas e informou que 18 escolas foram destruídas e outras 20 danificadas, deixando cerca de 10 mil crianças em idade escolar sem aulas.

O tufão Dujuan deixou ao menos quatro pessoas mortas e 22 feridas no Japão, informou a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres do Japão (FDMA), citada pela Agence France-Presse (AFP) nesta terça-feira, 22 de setembro: três mortes na província de Chiba e uma em Kanagawa, ambas vizinhas de Tóquio. As buscas por seis desaparecidos em deslizamentos de terra continuavam na manhã desta terça. Mais de 45 mil residências seguiam sem energia em Chiba e 460 casas foram danificadas. O número de mortos, contabilizado em dois na noite de segunda-feira, 21 de setembro, subiu com o avanço das equipes de resgate. A tempestade se afastou da costa e seguia para o oceano Pacífico na manhã desta terça, o que levou a Agência Meteorológica do Japão a suspender ou rebaixar a maior parte dos alertas de chuva forte e de deslizamento. A ilha de Oshima registrou 832 milímetros de chuva em 48 horas, mais que o dobro da média de todo o mês de setembro, informou a emissora pública NHK, e o bairro de Edogawa, em Tóquio, teve 282,5 milímetros em 24 horas, recorde local. A primeira-ministra Sanae Takaichi adiou em cerca de quatro horas a partida para Nova York e chegou à cidade na noite de segunda-feira, relatou a agência Kyodo; ela se reúne nesta terça com Donald Trump.

O tufão Dujuan deixou duas pessoas mortas no Japão, em deslizamentos de terra nas províncias de Chiba e Kanagawa, segundo governos locais citados pela imprensa japonesa, entre ela a agência Kyodo, e pela Agence France-Presse (AFP). Na madrugada desta terça-feira, a tempestade já se afastava da costa e seguia para o mar, a nordeste, com ventos mais fracos, segundo a Agência Meteorológica do Japão (JMA). A Japan Airlines cancelou 135 voos e a All Nippon Airways (ANA), 140, e mais de nove mil residências ficaram sem energia perto de Tóquio, segundo a AFP. A chuva obrigou ao fechamento antecipado do Tokyo Game Show, uma das maiores feiras de videogames do mundo, na segunda-feira, último dia do evento, e à suspensão de um festival de música e de uma partida de beisebol em Chiba.

Um juiz federal dos Estados Unidos negou nesta segunda-feira o pedido de liminar que tentava bloquear a troca de terras pela qual a SpaceX receberá mais de 700 acres (280 hectares) do Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Baixo Vale do Rio Grande, no Texas, segundo a Associated Press (AP). O juiz Fernando Rodriguez Jr., do Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul do Texas, nomeado por Donald Trump no primeiro mandato, disse que os autores apresentaram evidência “relativamente fraca” de dano ambiental e que a liminar atrasaria os planos da empresa. A SpaceX entrega 683 acres (276 hectares) que comprou no condado de Cameron. O Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos (FWS) aprovou a operação em junho, num parecer que concluiu não haver impacto significativo. A ação é do Centro para a Diversidade Biológica e da Nação Carrizo/Comecrudo do Texas, que afirmaram que vão continuar litigando; o porta-voz Laiken Jordahl disse que a troca equivale a entregar terras públicas à empresa e abre caminho para as escavadeiras no refúgio. O governo avalia operação semelhante com terras do Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia.

O tufão Dujuan avançava nesta segunda-feira pela costa leste do Japão, levando as autoridades a orientar a evacuação de mais de 1,9 milhão de pessoas e a cancelar centenas de voos, segundo a BBC. É o 25º tufão da temporada e não deve tocar o solo, mas deve trazer chuva recorde perto de Tóquio, com alertas de deslizamento nas províncias de Tóquio, Chiba, Kanagawa e Shizuoka, segundo o The Independent. A Agence France-Presse (AFP) relatou mais de 1 milhão de pessoas sob avisos de evacuação e apagões na costa leste, e a agência americana United Press International (UPI) registrou a paralisação de trens e a suspensão de voos na região central do país.

Chefes de Estado abriram nesta segunda-feira em Nova York a Semana do Clima, que corre em paralelo à assembleia geral da ONU, num ano marcado por calor extremo na Europa e nos Estados Unidos, incêndios na África e um El Niño recorde, segundo o The Guardian. O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, fez o discurso de abertura, e a primeira-ministra da Islândia, Kristrún Frostadóttir, fechou o dia falando da transição geotérmica do país. O chanceler britânico, Ed Miliband, disse à AFP que a crise climática é responsabilidade de chefes de Estado.

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