O mandato da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental (MINURSO) expirou à meia-noite de sábado, depois que o Conselho de Segurança não conseguiu acordo na sexta-feira: um projeto dos Estados Unidos foi vetado pela Rússia e um texto russo rival não alcançou os nove votos necessários.
O secretário-geral, António Guterres, afirmou que a saída da missão “não anula” o “direito inalienável à autodeterminação” do povo saaraui, em comunicado lido por seu porta-voz. A Rússia vetou o projeto americano apesar do apoio de 11 dos 15 membros do Conselho, entre eles França e Reino Unido; o texto dos EUA estendia a missão por um ano, retirava a palavra “referendo” do nome da missão e tornava a proposta de autonomia marroquina a única base das negociações seguintes. Quando o mandato terminou, a missão tinha sede em Laayoune, nove bases – quatro a oeste do muro de areia e cinco a leste – e um escritório de ligação em Tinduf, com cerca de 200 civis, observadores militares e oficiais de estado-maior de mais de 35 países. O Palácio Real marroquino afirmou que o “compromisso voluntário” de Rabat com o cessar-fogo não muda com o fim da missão, após reunião do rei Mohammed VI com o primeiro-ministro, um conselheiro real e o chefe do Exército — segundo a Reuters, em texto republicado pelo Yahoo News Malaysia. A mesma declaração classificou como “desenvolvimento significativo” o fato de a missão não ter sido renovada, o que retira o tema do Conselho de Segurança. O chanceler Nasser Bourita disse à mídia estatal que o próximo passo de Rabat será retirar o Saara Ocidental do comitê de descolonização da ONU, alegando apoio de dois terços dos Estados-membros.