Makalé, capital regional do Tigré, voltou ao controle do Exército etíope, cujas forças entraram na cidade em 3 de outubro sem combate. Uma nova administração interina foi instalada em 16 de outubro, encarregada de organizar eleições em seis meses. Os letreiros de entrada da sede da Frente de Libertação do Povo do Tigré (FPLT) foram retirados e substituídos pelos do “bureau regional de paz e segurança do Tigré”. A guerra do Tigré durou de novembro de 2020 a novembro de 2022 e matou mais de 600 mil pessoas, segundo a União Africana.
Tema: Chifre da África
Debretsion Gebremichael é o “grande derrotado” da fase de enfrentamentos armados que sacode a Etiópia desde o fim de setembro, segundo o Le Monde: ao lançar uma ofensiva contra o governo federal, ele pretendia consolidar as posições da Frente Popular de Libertação do Tigré (FPLT), partido que dirige desde 2017. Em 16 de outubro, o gabinete do primeiro-ministro Abiy Ahmed anunciou a instalação de uma nova administração interina no Tigré, encarregada de organizar eleições em seis meses. Combatentes do FPLT e das Forças de Defesa do Tigré tiveram de recuar para zonas montanhosas do Tigré, onde mantêm ações de guerrilha. Segundo “várias fontes” citadas pelo jornal, o próprio Debretsion estaria refugiado na Eritreia, país que hoje apoia a rebelião tigré.
Confrontos entre forças armadas no sul da Etiópia levaram dezenas de milhares de pessoas ao Quênia vizinho, sem que os refugiados saibam quando poderão voltar em segurança para casa. A Etiópia, segundo país mais populoso da África, com cerca de 130 milhões de habitantes, enfrenta múltiplos conflitos armados, sobretudo nas fronteiras entre seus estados.
A Suprema Corte da Somália decidiu que o presidente Hassan Sheikh Mohamud estendeu o mandato ilegalmente, num agravamento da crise entre a presidência e o Judiciário. A corte ordenou que os líderes políticos acordem um plano eleitoral em 30 dias e realizem eleições em 90 dias. A decisão saiu um dia depois de Mohamud demitir o presidente da Corte, Bashe Yusuf Ahmed, ato que o tribunal disse estar fora da autoridade presidencial. O mandato de quatro anos expirou em maio, e o parlamento aprovou em março mudanças legais que o prorrogaram por um ano.
Ataques de drones que mataram ao menos 30 pessoas em Abyei em outubro acrescentaram “uma dimensão nova e preocupante” à segurança na área disputada, disse ao Conselho de Segurança o chefe de operações de paz da ONU, Jean-Pierre Lacroix. Os ataques de 19 de outubro foram os primeiros do tipo em Abyei, provocaram grandes incêndios, feriram cerca de 59 pessoas e forçaram dezenas de civis a deixar suas casas. Lacroix pediu uma investigação rápida e independente e que os dois governos mantenham o status desmilitarizado da área. Amiet, principal centro econômico de Abyei, é ponto de trânsito de mais de 49 mil refugiados e retornados que fugiram da guerra no Sudão. Sudão e Sudão do Sul retomaram as conversas formais em agosto, e o segundo encontro do mecanismo político e de segurança conjunto está marcado para Cartum, de 8 a 10 de novembro.
A Etiópia fechou o consulado sudanês na cidade fronteiriça de Assosa e ordenou que seus seis diplomatas deixassem o país em 48 horas, e o Sudão respondeu fechando o consulado etíope em Gedaref e expulsando sua equipe, segundo a Reuters, em texto publicado pela TRT World. O Conselho de Soberania de Transição do Sudão divulgou no domingo um relatório que diz documentar 70 ataques da RSF lançados de dentro do território etíope neste ano, com 187 drones de ataque de ida única que mataram e feriram quase 500 civis, segundo a AFP, em texto publicado pelo Citizen Digital – a Etiópia nega apoiar a RSF e acusa o Exército sudanês de sustentar rebeldes ligados à Frente de Libertação do Povo do Tigray, o que Cartum rejeita. O Sudão levou o caso ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e à União Africana, e um assessor do governo de transição afirmou que Cartum faz todo o possível para evitar uma guerra aberta com a Etiópia.
A Somália rejeitou o credenciamento por Israel de um embaixador na Somalilândia e o lançamento da pedra fundamental de uma embaixada em Hargeisa, classificando as medidas como violações de sua soberania e integridade territorial. O Ministério das Relações Exteriores somali declarou que as medidas foram tomadas sem o consentimento do governo federal e são “nulas e sem efeito legal”. O primeiro embaixador israelense na Somalilândia, Michael Lotem, apresentou credenciais ao presidente da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdullahi Irro, em Hargeisa na semana passada, e uma cerimônia de pedra fundamental de uma futura embaixada israelense ocorreu em seguida. Israel reconheceu formalmente a Somalilândia em 26 de dezembro de 2025, tornando-se o primeiro Estado-membro da Organização das Nações Unidas (ONU) a fazê-lo desde a declaração de independência unilateral de 1991, e nenhum outro seguiu. O governo somali pediu que Israel reverta as medidas e que países e organizações internacionais não tomem passos que possam dar-lhes legitimidade.
A Etiópia expulsou seis funcionários do consulado do Sudão em Assosa, cidade do oeste do país perto da fronteira sudanesa, e ordenou o fechamento da missão, segundo autoridades dos dois países. O Ministério das Relações Exteriores do Sudão afirmou no sábado que os drones usados pelas Forças de Apoio Rápido (RSF) contra a infraestrutura elétrica do país foram fornecidos pelos Emirados Árabes Unidos e lançados a partir da Etiópia, e que apresentou queixas formais contra Adis Abeba no Conselho de Segurança da ONU e no Conselho de Paz e Segurança da União Africana. O Sudão acusa a Etiópia de apoiar a RSF, enquanto Adis Abeba acusa Cartum de sustentar os rebeldes do Tigray; a Etiópia nega apoiar a RSF e o Sudão nega apoiar a Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF). O conselheiro político do Conselho Soberano de Transição sudanês, Amjad Farid, disse que o governo mantém o direito de defender o território, mas faz todo esforço para evitar uma guerra aberta com a Etiópia. A Etiópia retirou três diplomatas do próprio consulado em El Gedaref, no leste sudanês, e relatos indicam que o Sudão ordenou a saída dos diplomatas etíopes em retaliação; nenhum dos dois ministérios das Relações Exteriores divulgou comunicado oficial sobre a troca de expulsões, segundo o Sudan Tribune. A guerra civil sudanesa, iniciada em abril de 2023, deslocou mais de 14 milhões de pessoas, segundo números da ONU, em texto da Reuters republicado pelo Straits Times.
A Etiópia ordenou que seis integrantes do pessoal diplomático sudanês deixem o país em 48 horas, segundo um alto funcionário etíope ouvido pela Reuters, em texto republicado pelo Addis Standard. Os seis foram instruídos a deixar o consulado do Sudão em Assosa, centro administrativo da região de Benishangul-Gumuz. A decisão ocorre dias depois de o governo sudanês, alinhado ao Exército, ter registrado queixas contra a Etiópia no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e no Conselho de Paz e Segurança da União Africana, acusando Addis Abeba de permitir que as Forças de Apoio Rápido (RSF) usem território etíope para lançar ataques com drones. Addis Abeba acusa Cartum de apoiar rebeldes tigrínios, e as duas partes negam as acusações mútuas. Em 1º de outubro, a Etiópia já havia fechado sua embaixada em Asmara e declarado 10 diplomatas eritreus persona non grata, com saída em 48 horas.
O ex-contratado norte-americano Abraham Teklu Lemma admitiu ter compartilhado dezenas de documentos e fotos classificados com autoridades etíopes ao longo de mais de dois anos, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Ele trabalhou como contratado no Departamento de Estado, no Departamento de Justiça e no National Reconnaissance Office, a agência responsável pelos satélites de inteligência norte-americanos. O material incluía imagens de satélite e detalhes de atividades militares, repassados por mensagens criptografadas, e o FBI afirmou que autoridades etíopes usaram a inteligência em operações militares. Em uma mensagem a um oficial etíope em dezembro de 2021, Lemma escreveu que era preciso “acabar com essas pessoas de uma vez por todas”, porque de outro modo nunca haveria paz na Etiópia, e, no mesmo dia, pediu que o oficial enviasse drones. Ele se declarou culpado de conspirar para transmitir informação de defesa nacional a um governo estrangeiro, tem sentença marcada para 14 de abril de 2027 e pode pegar até 22 anos de prisão.
As autoridades do Quênia, com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e a Cruz Vermelha queniana, começaram por volta de 31 de outubro a registrar nos abrigos de Harhosa e OMC, no condado de Marsabit, os etíopes que fogem dos confrontos em Moyale, cidade de fronteira administrada em conjunto pelas regiões de Oromia e Somali, com mais de 50 mil travessias desde o fim de outubro, segundo a mídia queniana, e as agências pediram cerca de US$ 8,9 milhões para três meses de resposta, em texto do Addis Standard republicado pelo AllAfrica.
O presidente da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdullahi, recebeu as credenciais do embaixador Michael Lotem em cerimônia em Hargeisa, capital do território, onde também foi lançada a pedra fundamental de uma embaixada israelense. Israel é o único Estado do mundo que reconheceu a Somalilândia, que também mantém laços econômicos substanciais com os Emirados Árabes Unidos. O reconhecimento mútuo entre os dois países foi firmado em 26 de dezembro de 2025. O chanceler Gideon Sa’ar afirmou que o envio de embaixadores é outro passo importante no aprofundamento dos laços entre os dois países. Abdullahi disse na cerimônia que era a primeira vez que um presidente da Somalilândia recebia as credenciais de um embaixador de um membro da ONU que reconheceu sua independência.
A Marinha da Índia libertou o navio de pesca Azini de piratas armados e resgatou os 20 tripulantes sem mortos nem feridos, em operação de mais de 48 horas. O navio havia sido sequestrado no mês passado na costa nordeste da Somália e havia o risco de ser usado como “navio-mãe” para novos ataques contra a navegação comercial. Comandos da Marinha foram lançados por paraquedas de precisão de uma aeronave C-17 da Força Aérea indiana, após o navio ser localizado e contido por medidas não cinéticas. O ministro da Defesa, Rajnath Singh, afirmou que a operação foi concluída em 2 de novembro, a mais de 3.000 km de Mumbai. Os 20 tripulantes eram iranianos, segundo a agência Mehr News.
O primeiro contingente de 109 militares das Forças de Defesa do Povo de Uganda (UPDF) deixou Mogadíscio na sexta-feira, após anúncio do chefe do Exército, general Muhoozi Kainerugaba. A retirada é faseada e deve ser concluída em agosto de 2027. Cerca de 4.500 militares ugandenses estão na Somália sob a missão da União Africana (AUSSOM), além de cerca de 2.000 em acordos bilaterais. Uganda foi o primeiro país africano a enviar tropas à Somália, na missão da União Africana criada em 2007 para proteger o governo de transição de ataques de militantes islamistas. O Exército ugandense afirmou que a saída encerra 20 anos de operações de paz e estabilização e permite que as Forças Armadas somalis assumam integralmente a segurança do país.
Uganda começou a retirar suas tropas da Somália, e o primeiro contingente já voltou ao país. A retirada de todas as forças, incluindo as que servem na Missão de Apoio e Estabilização da União Africana na Somália (AUSSOM), deve ser concluída até o fim de 2027, dias depois de a ONU encerrar sua missão política na Somália.
Todas as forças, incluindo as da missão da União Africana, sairão da Somália até o fim de 2027 na retirada faseada que Uganda começou a executar após quase duas décadas de envolvimento militar no país.
A missão política da Organização das Nações Unidas (ONU) na Somália (UNSOM) foi encerrada após uma transição de dois anos, fechando um capítulo de mais de três décadas de operações de paz da ONU no país do Chifre da África. A UNSOM foi criada pelo Conselho de Segurança em 2013 para apoiar a transição somali para a democracia e o Estado de direito depois de mais de duas décadas de conflito com milícias, grupos islâmicos e gangues criminosas.
A Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) afirma que 500 soldados foram mortos e 800 ficaram feridos em combates com o exército do governo federal etíope e forças aliadas no norte da região do Tigré. Os números foram divulgados pela emissora Dimtsi Weyane, ligada à TPLF, e não puderam ser verificados de forma independente, e o governo da Etiópia não comentou as alegações.
O Sudão apresentou queixa contra a Etiópia ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e ao Conselho de Paz e Segurança da União Africana depois de uma série de ataques mortais com drones neste ano, segundo o Al Jazeera.
Piratas somalis sequestraram a embarcação pesqueira iraniana Azini, com 23 pessoas a bordo, e o Centro de Segurança Marítima do Oceano Índico alertou que o navio se aproximava de uma rota comercial e poderia virar base flutuante para novos ataques. O Azini foi tomado na quinta-feira entre Bandar Bayla e Hafun, no nordeste da Somália, disse no domingo um oficial da Força Policial Marítima de Puntland. Segundo o oficial, 12 piratas tomaram o navio, que levava 21 tripulantes iranianos e dois guardas somalis.
O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, submeteu ministros e outros altos funcionários do governo a treinamento militar no centro de Hurso, segundo a BBC, dizendo que a disciplina das forças armadas ajuda a formar líderes mais fortes. Entre os participantes estão a presidente da Casa da Federação, Muferiat Kamil, e os ministros das Finanças, Fitsum Assefa, e da Saúde, Mekdes Daba. O treinamento ocorre enquanto a Etiópia enfrenta vários desafios de segurança, incluindo combates contínuos em partes da região norte do Tigray, conflito em Amhara e insegurança em Oromia.
A Missão de Assistência Transitória da Organização das Nações Unidas (ONU) na Somália (UNTMIS) encerra o mandato de dois anos em 31 de outubro, depois de mais de três décadas de missões políticas da ONU no país, segundo a ONU News. O encerramento marca o fim de três décadas de engajamento político, segundo a Al Jazeera.
Ao menos 14 pessoas, incluindo crianças, foram mortas em vários ataques de drones na quinta-feira (29 de outubro) contra um campo de deslocados na região de Amhara, segundo três testemunhas ouvidas pela AFP em reportagem publicada pelo The Hindu. Mídia local e monitores de conflito relataram pelo menos 16 civis mortos e 22 feridos no ataque de quinta-feira contra um campo de deslocados por conflito no norte de Amhara. O campo abriga mais de 1.800 deslocados internos, muitos dos quais fugiram da violência na região de Oromia, incluindo a área de Wollega, segundo a Anadolu.
Até cerca de 50 mil pessoas cruzaram para o Quênia, segundo autoridades locais citadas pelo Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), após confrontos entre os exércitos das regiões somali e de Oromia, no sul da Etiópia; o ACNUR enviou equipe de emergência a Moyale.
O governo do Sudão acusou a Etiópia de ceder plataformas em seu território para o lançamento de drones que tiveram o país como alvo recentemente, na quarta-feira, e alertou para riscos à segurança e à estabilidade regionais, segundo a agência chinesa Xinhua. O chanceler sudanês, Khalid, disse que o Sudão se reserva o direito de defender sua segurança por todos os meios legítimos. Nos últimos três dias, drones que a agência associa às Forças de Apoio Rápido (RSF) atingiram estações de energia em vários estados sudaneses.
A Etiópia recebeu 12 caças Su-35 da Rússia, em meio à intensificação dos combates na região do Tigré, no norte, vizinha da Eritreia, segundo a BBC, e vai adquirir quatro baterias de defesa aérea S-400, anunciou o premiê Abiy Ahmed, segundo a Al Jazeera.
Os confrontos no sul da Etiópia levaram cerca de 50 mil pessoas a atravessar a fronteira para o Quênia desde que os choques começaram na semana passada, segundo as Nações Unidas, que citam autoridades locais. A representante do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) no Quênia, Fatima Mohammed-Cole, disse que até 50 mil pessoas cruzaram a fronteira, conforme as autoridades locais. Os combates opõem os exércitos das regiões de Somali e Oromia.
Cerca de 36 mil pessoas cruzaram da Etiópia para o Quênia fugindo do conflito em Moyale e arredores, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) no Quênia, com comida, água potável, abrigo, saneamento e saúde como necessidades mais urgentes. A Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quênia fala em cerca de 40 mil refugiados em Moyale, com mais de 15 mil em oito abrigos temporários.
O governo da Somália e o Al-Shabaab divulgaram versões opostas sobre um combate perto de Leego, cada lado reivindicando pesadas perdas ao outro, segundo o AllAfrica. O Ministério da Defesa somali disse que tropas federais mataram 75 militantes e feriram 56. O Al-Shabaab, ligado à Al-Qaeda, afirmou ter matado 321 soldados do governo em um ataque contra tropas treinadas pela Turquia e uma milícia aliada.
Ao menos 60 cristãos ortodoxos foram mortos em ataques separados em 20 e 24 de outubro na região de Oromia – 14 pessoas no dia 20 em Gora Silingo, em Merti, e outras 46 no dia 24 em Tereta, Chole e Birbo, em Shirka –, segundo autoridades da Igreja Ortodoxa Etíope. Os ataques foram atribuídos por uma autoridade local a uma coalizão rebelde recém-formada, a Aliança pela Sobrevivência, que inclui o Exército de Libertação Oromo (OLA), que não comentou mas já negou ataques anteriores contra civis, segundo a BBC.
Moradores e o monitor de conflitos Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED) disseram à AFP que ao menos 43 pessoas foram mortas e 18 ficaram feridas quando um grupo armado não identificado atacou aldeias no distrito de Shirka, em Oromia, a cerca de 270 km ao sul de Adis Abeba, em texto republicado pelo Punch. O ataque a igrejas e casas de cristãos ortodoxos no estado central etíope de Oromia ocorreu no sábado e deixou mais de 40 mortos, segundo moradores e o ACLED ouvidos pela AFP, em texto republicado pelo CP24.
Mais de 14 mil etíopes fugiram de combates mortais no sul da Etiópia para o Quênia, segundo autoridades humanitárias, em meio ao temor de que confrontos entre comunidades rivais tenham matado mais de uma dezena de pessoas, conforme o TRT World. A Cruz Vermelha do Quênia afirmou que mais de 10.900 deslocados estão em seis acampamentos temporários na cidade fronteiriça de Moyale e outros 4 mil estão hospedados com parentes e famílias que os receberam.
O chefe de direitos humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), Volker Türk, condenou na sexta-feira a escalada de ataques com drones em todo o Sudão neste mês, que mataram ao menos 306 pessoas e feriram centenas apenas nas três primeiras semanas de outubro, segundo a AllAfrica. Os ataques, atribuídos tanto às Forças Armadas Sudanesas (SAF) quanto às Forças de Apoio Rápido (RSF), atingiram casas, mercados, hospitais, locais de deslocados, usinas e fontes de água em Kordofan, Darfur, Nilo Azul, Cartum e outros estados, segundo o Escritório de Direitos Humanos da ONU (OHCHR).
Ataques de drones mataram ao menos seis crianças em idade escolar e feriram mais de 20 em uma escola primária na Etiópia, segundo relatos preliminares. O ataque atingiu a Escola Primária de Sana, no distrito de Dera, na zona de Gondar do Sul, em Amhara, na terça-feira, 20 de outubro, entre 10h e 11h, segundo o Addis Standard, em texto republicado pelo AllAfrica. Em outro ataque, em Finaruo, no distrito de Saharti Samre, na zona sudeste do Tigray, quatro pessoas foram mortas e seis ficaram feridas enquanto carregavam gado em um caminhão, segundo moradores. O Addis Standard afirmou não ter conseguido estabelecer de forma independente as circunstâncias dos dois ataques nem obter resposta do Exército etíope.
A Etiópia instalou uma nova administração em Tigray, atingido pelo conflito depois que as forças federais repeliram os combatentes tigrínios, mas as tensões com a Eritreia continuam a alimentar o temor de uma guerra regional mais ampla, segundo a DW.
Um ataque de drone das Forças de Apoio Rápido (RSF), as forças paramilitares do Sudão, matou 41 pessoas em um acampamento de deslocados na área de Abu Shandi, no estado do Nilo Azul, na fronteira com a Etiópia, segundo o grupo de direitos humanos Emergency Lawyers, citado pela BBC. O ataque ocorreu na sexta-feira.
Um acordo de paz assinado em novembro de 2022 encerrou dois anos de combates brutais no estado etíope do Tigray, mas as disputas sobre poder político, território e desarmamento de grupos armados seguem sem solução, segundo o The Hindu. Com Adis Abeba e Asmara novamente em lados opostos, conflitos em curso em outras partes da região e tensões altas do outro lado do mar Vermelho, há temores de um contágio mais amplo da violência, segundo a Reuters.
O governo federal da Etiópia criou uma administração interina de seis meses para a região do Tigré, encarregada de restaurar a segurança, reconstruir a infraestrutura danificada e organizar eleições, segundo a AllAfrica. O governo disse que os esforços reiterados para resolver o conflito do Tigré sob o acordo de paz de Pretória fracassaram e culpou a Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) por obstruir a implementação.
A Etiópia acusou a Eritreia de uma “invasão total” de sua região norte do Tigré e avisou que vai se defender, segundo a BBC. Em carta ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o chanceler etíope, Gedion Timothewos, chamou a entrada de tropas de “ato flagrante de agressão” e disse que forças eritreias avançaram até 60 km dentro do Tigré; a Eritreia respondeu que enfrenta uma “guerra de agressão não provocada” do vizinho. Para o The New York Times, os dois países, antes aliados, estão à beira da guerra.
O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, disse na segunda-feira que reconhece a república separatista da Somalilândia como “um país totalmente diferente”, segundo o Middle East Eye.
Ao menos 139 pessoas, incluindo crianças, morreram após um barco com 305 migrantes virar na costa de Djibuti, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que divulgou o balanço no domingo, em informação da Associated Press (AP) republicada pela NBC News. Ao menos 84 pessoas seguiam desaparecidas, numa das travessias mais mortais do Chifre da África à península Arábica.
A Etiópia acusou a vizinha Eritreia de “invasão total” do Tigré e disse que vai se defender, segundo carta ao Conselho de Segurança citada pela ONU News. A Eritreia rejeitou a acusação, e seu ministro da Informação disse que o país enfrenta uma “guerra de agressão não provocada”. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse estar profundamente preocupado com relatos da presença de forças eritreias no norte da Etiópia.
O naufrágio de uma embarcação na costa do Djibuti, na noite de 8 para 9 de outubro, matou ao menos 109 migrantes, entre eles 15 crianças, e deixou 116 desaparecidos, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM). O barco, que levava 350 pessoas do Djibuti para o Iêmen, virou ao norte da cidade de Obock. Equipes da OIM atuam no local com autoridades locais na ajuda de emergência, segundo o The Hindu.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu a cessação imediata das hostilidades em Tigray, Afar e Amhara e o retorno ao diálogo no âmbito do Acordo de Pretoria, em comunicado emitido na sexta-feira à noite em Nova York por seu porta-voz, Stéphane Dujarric, segundo a ONU News. Ainda segundo a ONU News, relatos da imprensa apontam que a Etiópia acusou a vizinha Eritreia de invasão total de Tigray e advertiu que vai se defender.
Drones atribuídos a forças do governo etíope atingiram tropas, veículos e munição eritreus perto da cidade de Adigrat, no norte da Etiópia, entre a noite de quarta e a manhã de quinta, segundo o The Media Line, em texto publicado pelo Jerusalem Post. Em carta de 8 de outubro ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o ministro das Relações Exteriores da Etiópia, Gedion Timothewos, acusou a Eritreia de invadir território etíope e exigiu a retirada das tropas. A Eritreia pediu no sábado ao Conselho que condene a “declaração de guerra” da Etiópia, alertando que ela pode desestabilizar a região, segundo a AFP, em texto publicado pela LBC.
Uma fonte de segurança estrangeira estimou em 5 mil a 8 mil o número de soldados da Eritreia presentes no Tigré, segundo a AFP, citada pela DW, que afirma que diversas fontes confirmaram a presença de forças armadas eritreias na Etiópia. A Etiópia escreveu ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) pedindo a retirada imediata das tropas eritreias do seu território, dizendo não ter outra opção senão se defender, segundo a Reuters, citada pela DW.
A Etiópia e a Eritreia acusaram-se mutuamente de iniciar uma guerra de agressão nesta sexta-feira, num momento em que um conflito interno etíope ameaça se transformar em guerra regional, segundo a France 24, em texto com a AFP. Uma fonte de segurança estrangeira, que falou sob anonimato, estimou à AFP entre 5 mil e 8 mil soldados eritreus presentes no Tigré. Testemunhas disseram à AFP que os rebeldes perderam outras duas cidades na região, Shire e Adigrat.
A Etiópia disse ao Conselho de Segurança da ONU que forças da Eritreia, incluindo unidades mecanizadas, avançaram até 37 milhas (cerca de 60 quilômetros) no seu território norte, segundo a Africa Today News New York. A carta diz que a presença das tropas aciona o direito inerente à legítima defesa da Etiópia e descreve a incursão como uma “invasão total”. Moradores de Adigrat disseram à BBC que soldados eritreus cruzaram para o norte da Etiópia rumo à área de confrontos no Tigré.
Drones da Etiópia atingiram unidades do Exército da Eritreia na cidade de Adigrat, no Tigré, na madrugada de 8 de outubro, segundo a agência russa TASS. Um morador local afirmou que vários caminhões militares eritreus foram destruídos.
Forças federais da Etiópia entraram em Mekelle, capital do Tigré, após a retirada dos rebeldes da cidade, em combates que na prática encerraram o cessar-fogo de Pretória de 2022, com relatos de tropas da Eritreia no norte do Tigré, após a Etiópia fechar a embaixada na Eritreia e expulsar diplomatas em 1º de outubro, acusando Asmara de atos hostis e envolvimento nos combates, segundo a Al Jazeera.
Tropas da Eritreia entraram na Etiópia, o que faz temer um confronto direto com Adis-Abeba, segundo o Le Monde. Nos últimos dias, as tropas se posicionaram em torno de uma cidade na região norte do Tigré, disseram uma autoridade local e moradores, após duas semanas de conflito interno que ameaça uma guerra regional mais ampla, segundo a AFP, em texto publicado pelo Modern Ghana.
Egito, Eritreia, Sudão e Somália emitiram uma declaração conjunta após se reunirem no Novo Alamein, no Egito, afirmando “o princípio da liberdade de navegação” e que “a governança do Mar Vermelho é responsabilidade exclusiva dos Estados ribeirinhos”. O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, renovou o apelo por acesso ao Mar Vermelho, dizendo que o país sem litoral vai trabalhar para garantir uma saída para o mar.
Testemunhas relatam campanha ampla de recrutamento forçado no Tigré, com alvo entre homens e meninos de 15 e 65 anos, segundo o The Guardian. O conflito recomeçou em 23 de setembro entre o governo federal da Etiópia e a Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF), rompendo o acordo de Pretória de novembro de 2022. A organização Human Rights Watch afirma que autoridades do Tigré sequestram e recrutam civis ilegalmente, incluindo crianças de até 15 anos, desde ao menos abril de 2026.
O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, insistiu que o país sem litoral precisa ter acesso ao Mar Vermelho, apesar do conflito no norte. No Parlamento, ele disse que, pelo princípio de dar e receber, a Etiópia trabalhará diligentemente para garantir uma saída para o mar. Quatro dos cinco países que margeiam o Mar Vermelho – Egito, Eritreia, Sudão e Somália – se reuniram no domingo, segundo a Al Jazeera.
Ataques aéreos e fogo de artilharia atingiram a região do Tigré, no norte da Etiópia, na noite para segunda-feira, em confrontos entre o governo federal e rebeldes, segundo fontes de ajuda citadas pela Reuters, em texto republicado pelo The Hindu. Ataques aéreos mataram ao menos 17 pessoas a noroeste de Mequele, capital do Tigré tomada por forças federais no fim de semana, segundo boletim circulado entre grupos humanitários. Na manhã de segunda-feira, militares etíopes e forças tigrínias trocaram fogo pesado de artilharia perto do rio Tekeze, junto à cidade de Mai Tsebri, segundo o mesmo boletim.
Egito, Eritreia, Somália e Sudão pediram soluções políticas e pacíficas em meio à escalada dos conflitos na região, segundo a Al Jazeera, em declaração conjunta no domingo após reunião em New Alamein City, no Egito; a declaração disse ainda que o controle do Mar Vermelho deve permanecer com os Estados costeiros.
Forças federais etíopes controlavam totalmente Mekelle, capital regional dos rebeldes do Tigré, segundo um jornalista local, no domingo em que os rivais regionais da Etiópia se reuniam no Egito. Os presidentes de Egito, Somália, Sudão e Eritreia, todos com relações difíceis com a Etiópia, tinham reunião marcada em Alamein no domingo para discutir o conflito, conforme a AFP. A Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) afirmou ter saído temporariamente de Mekelle para operar de outro lugar, segundo a Al Jazeera.
Forças federais da Etiópia passaram a controlar Mekelle, capital regional do Tigré, depois que líderes e tropas da Frente de Libertação do Povo Tigré (TPLF) abandonaram a cidade sem combate no sábado, segundo a AFP, em texto publicado pelo The Hindu. Os presidentes do Egito, da Somália, do Sudão e da Eritreia, todos com relações difíceis com a Etiópia, estavam previstos para se reunir em Alamein, no Egito, no domingo, para discutir o conflito. A Etiópia acusa a Eritreia de apoiar diretamente os rebeldes do Tigré, com o apoio adicional de Sudão e Egito, o que os três países negam.
As forças do governo da Etiópia disseram ter tomado Mekelle dos combatentes do Tigré após uma semana de batalhas intensas. O Exército federal e combatentes pró-governo retomaram o aeroporto principal da capital da região norte do Tigré, com os rebeldes sendo vistos deixando a cidade, segundo fontes não identificadas. Uma fonte com conhecimento dos fatos na cidade e uma fonte humanitária disseram à Reuters que as Forças de Defesa Nacional da Etiópia reassumiram o controle do aeroporto Alula Aba Nega, em Mekelle.
O presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, disse que o país não aceitará a presença israelense “em nenhuma circunstância” e que resistirá a qualquer tentativa de arrastá-lo para as crises do Oriente Médio, segundo a Al Jazeera. Israel planeja estabelecer uma base naval em Berbera, no Golfo de Áden, e busca acesso ao aeroporto da cidade, segundo o Ahram Online. Berbera é uma cidade portuária na costa do Golfo de Áden, na Somalilândia, a república autodeclarada no noroeste da Somália que Israel reconheceu no ano passado e que Mogadíscio reivindica, segundo a Al Jazeera.
Explosões foram ouvidas nesta semana em Adis Abeba, a capital da Etiópia, uma cidade raramente sob ataque direto, segundo o Washington Post. Confrontos entre tropas do governo e grupos rebeldes mataram dezenas de civis no norte nos últimos dias e avançam para o sul, em direção ao local de peregrinação de Lalibela, segundo o Washington Post.
Forças federais etíopes e combatentes pró-governo retomaram o principal aeroporto de Mekelle, capital da região norte do Tigré, com rebeldes vistos deixando a cidade, segundo fontes não identificadas citadas pela Reuters e pela Agence France-Presse (AFP), em texto publicado pela Al Jazeera. O aeroporto fica a cerca de 10 km do centro de Mekelle e foi um dos três aeródromos tomados pelos rebeldes no início dos combates, em 23 de setembro. A Al Jazeera ressalva que não pôde confirmar as informações de forma independente, com acesso da imprensa fortemente restrito na Etiópia e apagões significativos de comunicação.
O Exército da Etiópia avança em direção à capital do Tigray enquanto os combates se intensificam, segundo a France24. A União Africana pediu contenção a todos os lados diante da escalada. O vice-presidente da Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF), Amanuel Assefa, afirmou que a situação agora é de “guerra total”, segundo a AFP, em relato do Council on Foreign Relations.
Os combates se intensificaram no norte da Etiópia e se espalharam do Tigray para Amhara e Afar, segundo a Al Jazeera. Forças alinhadas ao governo dizem ter capturado a cidade estratégica de Alamata, no Tigray, em 28 de setembro, enquanto forças tigreanas avançaram para Afar, segundo a mesma emissora. Sete grupos armados e políticos anunciaram em 20 de setembro uma aliança para remover o governo de Abiy Ahmed e estabelecer um governo de transição inclusivo, ainda segundo a Al Jazeera.
A Eritreia cortou todos os laços diplomáticos com a Etiópia em retaliação, dizendo que não teve opção além de retribuir na mesma medida. A decisão veio depois de a Etiópia ordenar o fechamento da sua embaixada na Eritreia e declarar 10 diplomatas eritreus persona non grata. O rompimento acontece enquanto combates renovados no norte da Etiópia levantam temores de um conflito regional mais amplo, segundo a British Broadcasting Corporation (BBC).
A Etiópia ordenou o fechamento da sua embaixada na Eritreia e deu 48 horas para 10 diplomatas eritreus deixarem o país, segundo o ChimpReports. Na quinta-feira, a Eritreia disse que rompia os laços diplomáticos com a Etiópia, em resposta à expulsão anterior dos seus diplomatas de Adis Abeba, segundo a Agence France-Presse (AFP), em texto publicado pelo Ahram Online. O Ministério das Relações Exteriores da Eritreia afirmou não ter outra opção senão reciprocar e cortar todos os laços: “A Eritreia não tem outra opção senão reciprocar na mesma moeda e cortar todos os laços diplomáticos com a Etiópia, com todos os corolários negativos que isso implica”, disse a pasta em nota no X.
Explosões foram ouvidas durante a noite em Adis Abeba, horas depois de a capital etíope instituir a proibição de voos de drones na cidade e nos arredores, segundo três fontes diplomáticas ouvidas pela Reuters. Uma fonte ligada à Ethiopian Peoples’ Forces Alliance for Survival disse à Al Jazeera que a aliança realizou vários ataques com drones na capital, incluindo alguns contra o quartel-general militar. No terreno, as forças do governo avançaram do Amhara para dentro do Tigray, chegando a cerca de 40 quilômetros de Mekele, segundo o correspondente Muhammed Taha Tawakel, da Al Jazeera, que reportava do Afar na quarta-feira.
Piratas mataram cinco tripulantes do petroleiro MT Honour 25, de bandeira de Palau, antes de as forças de segurança resgatarem o navio na costa da Somália, segundo autoridades somalis. Entre os mortos estavam três do Paquistão, um de Mianmar e um da Índia. O navio, que carregava 18.500 barris de petróleo e havia sido sequestrado em 21 de abril, foi libertado na operação de resgate.
Os combates entre a Frente de Libertação do Povo Tigré (TPLF) e o governo federal da Etiópia, liderado pelo primeiro-ministro Abiy Ahmed, recomeçaram na quarta-feira, levantando o temor de um retorno à guerra civil de 2020–2022, na qual morreram cerca de 600 mil pessoas. O Exército do Sudão negou no domingo as acusações do comandante do Exército etíope de que o Sudão e o Egito apoiam grupos armados que combatem tropas etíopes no norte do país, em comunicado que as chamou de “infundadas”, segundo a Al Jazeera.
O chefe do Exército da Etiópia acusou o Egito e o Sudão de apoiar uma nova aliança de grupos armados que tenta remover o primeiro-ministro Abiy Ahmed, segundo a Euronews. O marechal Birhanu Jula disse que nem a Eritreia nem a Frente de Libertação do Povo Tigré (FLPT) conseguiria nada sozinha sem apoio externo, segundo a France 24. A acusação ocorre com a retomada dos combates no norte da Etiópia, segundo a Euronews.
O chefe do Estado-Maior da Etiópia, o marechal-de-campo Berhanu Jula, disse que o Exército respondia com “sabedoria e contenção” ao que chamou de provocações da frente do Tigré, segundo a Al Jazeera. Os combates se espalharam do Tigré para as regiões vizinhas de Afar e Amhara depois que sete grupos armados anunciaram uma aliança comprometida com a derrubada do governo de Abiy Ahmed.
Combates voltaram a eclodir no Tigray, no norte da Etiópia, entre forças regionais e o exército nacional. Forças do Tigray assumiram o controle dos aeroportos de Mekelle, Axum e Shire, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), em relato da Reuters republicado pela CNBC Africa. A União Africana (UA) pediu a cessação imediata das hostilidades e o retorno a conversas diretas.
Redes de telecomunicações e de internet pararam de funcionar no Tigré na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, em meio à escalada dos combates no norte da Etiópia. Os serviços da estatal Ethio Telecom foram totalmente cortados, segundo a BBC, e o monitor de internet NetBlocks detectou uma interrupção correspondente aos relatos de apagão de telecomunicações na região, informou a Al Jazeera.
O Exército da Etiópia afirmou ter repelido ataques de forças do Tigré e de seus aliados em partes do norte do país, no primeiro comunicado militar desde a retomada dos combates, em 24 de setembro de 2026, segundo a BBC. Na quarta-feira, 23 de setembro de 2026, a Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF), que domina a região, tomou o controle de três aeroportos da polícia federal, entre eles o de Mekele, e a Ethiopian Airlines cancelou voos para o Tigré, informa a emissora britânica. Moradores de Mekele relataram que a cidade está calma, mas sob tensão, com combates fora do perímetro urbano e risco de corte de comunicações e de falta de dinheiro, ainda segundo a BBC.
Rebeldes da região do Tigré, na Etiópia, tomaram aeroportos locais e lançaram ataques contra as regiões vizinhas de Afar e Amhara, dizendo estar novamente em “guerra total” com o governo federal, informa a RFI com base em informações da AFP. Forças etíopes combateram durante a noite para repelir um assalto na região de Afar, e o monitor NetBlocks registrou interrupção de internet no norte do país, compatível com um apagão de telecomunicações no Tigré.
Jovens do Tigré dizem estar deixando a região norte da Etiópia por medo de recrutamento forçado, em meio ao aumento das tensões políticas e militares no território, segundo a Al Jazeera; a organização de direitos humanos Human Rights Watch relatou em julho de 2026 que autoridades e forças do Tigré recrutaram à força civis, incluindo crianças de 15 anos, desde pelo menos abril de 2026; a Frente Popular de Libertação do Tigré (TPLF) contesta as acusações e afirma que os jovens aderem voluntariamente, segundo o mesmo veículo.
O presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, dissolveu nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, o governo de unidade nacional de transição criado pelo acordo de paz de 2018 e nomeou uma administração interina que vai conduzir o país até as primeiras eleições nacionais, marcadas para 22 de dezembro de 2026, segundo a Radio Tamazuj e a Al Jazeera. A ordem republicana lida pela emissora estatal South Sudan Broadcasting Corporation (SSBC) afastou o primeiro vice-presidente, Riek Machar, e os quatro vice-presidentes, dissolveu a Assembleia Legislativa Nacional de Transição, o Conselho de Estados, os governos dos 10 estados e as três áreas administrativas, e manteve Kiir no cargo durante todo o período eleitoral, até a posse do presidente eleito. A dissolução veio um dia depois de o parlamento aprovar emendas à Lei Nacional de Eleições de 2012 que retiraram a exigência de concluir a constituição permanente e o censo nacional antes da votação, duas etapas previstas no acordo de 2018. A Aliança de Oposição do Sudão do Sul rejeitou as mudanças por falta de consulta entre os signatários, e analistas ouvidos pela Agence France-Presse (AFP) dizem que o arranjo concentra poderes no presidente: “Kiir será a única pessoa no poder, sem vice-presidentes, sem Executivo, sem parlamento”, disse à AFP o advogado Michael Wani, ex-integrante da comissão que redigiu a constituição. Machar, rival histórico de Kiir, segue em prisão domiciliar e responde a acusações de traição e homicídio, que nega. A Anistia Internacional chamou o decreto de “passo decisivo” rumo à primeira eleição do país desde a independência, em 2011, e pediu garantias de um ambiente seguro para votar e ser candidato.
Sete grupos armados etíopes anunciaram a formação de uma aliança para derrubar o governo de Adis Abeba e instalar uma administração de transição, segundo a BBC e a Al Jazeera. A coalizão, batizada Aliança pela Sobrevivência (Ethiopian Peoples’ Forces Alliance for Survival), reúne a milícia Fano, de Amhara, o Exército de Libertação Oromo (OLA), a Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) e quatro grupos menores: a Frente de Libertação Nacional de Ogaden (ONLF), a Frente Democrática Revolucionária do Povo Afar, o Movimento de Libertação do Povo Benishangul e o Movimento Democrático do Povo Gumuz. Juntos, cobrem seis das doze regiões do país. O líder da Fano, Zemene Kasse, vai presidir a aliança, segundo o vice-presidente da TPLF, Amanuel Assefa. O governo federal não comentou o anúncio.
Sete grupos armados etíopes, entre eles o Fano de Amhara, o Exército de Libertação Oromo (OLA) e a Frente de Libertação do Povo Tigré (TPLF), anunciaram no domingo a formação da “Aliança pela Sobrevivência”, com o objetivo de derrubar o governo de Abiy Ahmed e instalar um governo de transição, segundo a BBC e a Al Jazeera; as autoridades federais ainda não responderam.