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Tema: Iraque

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O ministro das Relações Exteriores do Iraque, Fuad Hussein, disse em entrevista exclusiva à Al Jazeera que o país tem evidências de que partes externas usam seu território para lançar ataques contra países vizinhos e que os Estados Unidos pediram formalmente o fechamento de todas as travessias de fronteira com o Irã, com exceção de duas. Segundo Hussein, o Iraque perdeu cerca de US$ 60 bilhões com a suspensão das exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz, e os embarques foram retomados após entendimentos com Washington e Teerã. O prazo para que as facções armadas entreguem suas armas ao Estado foi adiado para junho de 2027 diante da resistência ao processo.

A União Patriótica do Curdistão (PUK) anunciou a retirada do governo regional do Curdistão iraquiano e disse que não reconhecerá a recente sessão do parlamento nem qualquer decisão dela. O presidente do PUK, Bafel Talabani, comunicou a decisão em vídeo a apoiadores na noite de quinta-feira e criticou duramente o rival Partido Democrático do Curdistão (KDP). O PUK e o Movimento Nova Geração boicotaram a sessão do parlamento regional, mas um pequeno número de parlamentares dos dois partidos compareceu e permitiu sua realização. Talabani ameaçou responder a nomeações unilaterais do KDP com nomeações paralelas para os mesmos cargos: “Você nomeia um presidente da Região, nós nomearemos um presidente da Região. Você nomeia ministros, nós nomearemos ministros. Você nomeia um primeiro-ministro, nós nomearemos um primeiro-ministro.”

Moradores da província iraquiana de Maysan voltaram a protestar neste sábado contra o fechamento da travessia de Al-Shaib, chamada Chazzabah no lado iraniano, segundo a Mehr News. Donos de caminhões, agentes de alfândega e trabalhadores de carga e descarga do cruzamento protestaram na estrada de Ghazilah e em frente à sede das petroleiras dos campos de Bazarkan, pedindo a reabertura imediata. Os protestos em Maysan ocorrem desde o mês passado, quando a travessia foi fechada. A Mehr afirma, sem citar documento, que o governo iraquiano fechou a passagem sob pressão do governo dos Estados Unidos (EUA), que o veículo chama de ilegal.

A União Patriótica do Curdistão (PUK, na sigla em inglês) anunciou a retirada do governo regional do Curdistão iraquiano e que não reconhecerá a sessão do parlamento nem suas decisões. O presidente do PUK, Bafel Talabani, acusou o rival Partido Democrático do Curdistão (KDP, na sigla em inglês) de usar fundos públicos para comprar deputados e ameaçar parlamentares. Talabani ameaçou responder a nomeações unilaterais do KDP com nomeações paralelas para presidente da região, ministros e primeiro-ministro. O anúncio seguiu a primeira sessão do parlamento regional em quase dois anos para eleger sua liderança, boicotada pelo PUK e pelo Movimento Nova Geração.

O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, telefonou para Donald Trump nesta quinta-feira e tratou da situação regional, de questões de segurança e das perspectivas do próximo período. Al-Zaidi reafirmou que o território do país não pode ser usado como plataforma de ataques contra países vizinhos, com respeito à soberania nacional e defesa de soluções pacíficas e diálogo. O chanceler Fuad Hussein disse que um novo ataque dos Estados Unidos (EUA) ao Irã não é segredo e advertiu os grupos armados iraquianos a não entrar em eventual retaliação iraniana, afirmando que empurrar a sociedade iraquiana para a guerra levaria a um desastre. Desde o início da guerra, o Iraque perdeu mais de US$ 60 bilhões em receita de petróleo, cerca de 90% do orçamento federal.

As exportações de petróleo do Iraque pelo oleoduto da região do Curdistão até a Turquia dobraram de 250 mil para 500 mil barris por dia, segundo Baz Karim Barzanji, chefe da empresa de energia KAR Group, sediada em Erbil, que escreveu no X no sábado. O petróleo enviado pela rota é comercializado pela estatal Somo. O ministro do Petróleo, Basim al-Abadi, disse que as exportações por todas as rotas passaram de 3,4 milhões de barris por dia desde o início de outubro.

Um tribunal iraquiano condenou nesta terça-feira seis franceses à prisão perpétua e um sétimo a 15 anos de prisão por pertencerem ao grupo Estado Islâmico (EI), segundo uma testemunha da Reuters dentro da sala de audiência, informou a France 24. Os homens estavam entre 47 suspeitos franceses de integrar o EI transferidos de instalações de detenção no nordeste da Síria para o Iraque no ano passado, em um acordo mais amplo de transferência coordenado pelas forças dos Estados Unidos e pelas autoridades iraquianas.

O Iraque acredita que Israel esteve por trás de ataques recentes a dois depósitos onde milícias apoiadas pelo Irã estocavam “sistemas antiaéreos de ombro de fabricação chinesa” vindos de Teerã, segundo fontes citadas pelo jornal Asharq Al-Awsat, sediado em Londres, em relato reproduzido pelo Jerusalem Post. O próprio relato não apresentou provas e observou que partes das alegações não puderam ser confirmadas.

A Resistência Islâmica no Iraque afirmou que ficará ao lado do Irã diante do que descreveu como agressão sionista-estadunidense contra a República Islâmica, segundo o Mehr News. O comunicado afirma que 171 violações do espaço aéreo iraquiano por aeronaves estadunidenses de combate e vigilância foram documentadas entre 30 de setembro e 23 de outubro.

O primeiro-ministro do Iraque afirmou na sexta-feira que não resta nenhuma tropa dos Estados Unidos (EUA) no país, nem mesmo em funções de assessoria, segundo a Anadolu, enquanto Bagdá trabalha para colocar todas as armas sob controle do Estado até junho do ano que vem. Ele disse que até 30 de junho de 2027 não haverá armas fora do marco do Estado e que a decisão de restringir armas às instituições estatais é final e irreversível.

O enviado do Irã disse que o Iraque concordou em expulsar o grupo adversário anti-Irã, noticiou o Mehr News. Teerã e Bagdá concordaram quanto à expulsão de “separatistas terroristas anti-Irã”, segundo a agência oficial iraniana IRNA. O Irã afirma que o Iraque concordou em expulsar grupos de oposição curdos iranianos da região do Curdistão, segundo o The National.

O parlamento do Iraque aprovou Laith al-Khazali, dirigente sênior do Asaib Ahl al-Haq apoiado pelo Irã e irmão do líder do grupo, Qais al-Khazali, como um dos três vice-primeiros-ministros, concluindo a formação do governo do primeiro-ministro Ali al-Zaidi com a votação de quinta-feira sobre as pastas que estavam vagas. Os Estados Unidos (EUA) designaram o Asaib Ahl al-Haq como organização terrorista estrangeira em 2020 e nomearam os dois irmãos Khazali como “terroristas globais especialmente designados”, citando ataques que incluem uma ação em 2007 que matou cinco soldados dos EUA. Laith al-Khazali foi preso por forças dos EUA em 2007 por acusações ligadas a um ataque a forças dos EUA em Karbala, em janeiro daquele ano.

Os curdos iraquianos propuseram um processo de paz entre o Irã e a oposição curda iraniana, uma proposta discutida extensamente com autoridades iranianas em Teerã que, segundo Talabani, será um processo longo, em relato do Middle East Eye. Partidos curdos iranianos procurados pelo Middle East Eye disseram não ter conhecimento de novas conversas com o Irã ou se recusaram a comentar. Desde a retirada, o Irã atacou os partidos curdos iranianos com drones três vezes, inclusive durante o fórum Meri, em Koya.

Os países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) que participam do acordo de restrição da produção elevaram a produção em 2,31 milhões de barris por dia em setembro de 2026, mas ficaram 5,42 milhões de barris abaixo de suas metas, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), citada pela TASS. No mês, ainda segundo a AIE, a Arábia Saudita elevou a produção em 2,33 milhões de barris por dia, o Kuwait cortou 550 mil, o Iraque aumentou 520 mil, Omã somou 20 mil e a Rússia, 70 mil.

O Iraque desvalorizou o dinar nesta quarta-feira, mudando a taxa oficial de cerca de 1.300 para 1.500 dinares por dólar, segundo a AP. O Banco Central afirmou que a nova taxa foi decidida em reunião do gabinete na noite anterior para atender a exigências financeiras, econômicas e monetárias relevantes. A diferença entre a taxa oficial e a paralela se ampliou nos últimos meses com a guerra entre os Estados Unidos e o Irã, que às vezes transbordou para o Iraque, e as interrupções no transporte no Estreito de Ormuz.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã felicitou no sábado o governo e o povo do Iraque pela saída das forças dos Estados Unidos e de outros países estrangeiros do Iraque, segundo o Middle East Eye. Em nota publicada no seu canal no Telegram, o ministério disse que a retirada é “um passo muito importante e necessário” para consolidar a soberania, a integridade territorial e a independência do Iraque. O ministério acusou os Estados Unidos de causar “consequências irreparáveis” ao Iraque e à região desde a invasão de 2003, que, segundo ele, foi lançada sob o falso pretexto de “armas de destruição em massa”, e pediu que o governo norte-americano seja responsabilizado por crimes cometidos durante a ocupação.

A coalizão liderada pelos Estados Unidos (EUA) encerrou na quarta-feira a missão de mais de uma década no Iraque, iniciada em 2014, quando o Estado Islâmico tomou grandes territórios no Iraque e na Síria, segundo o Middle East Eye. O contingente final era de cerca de 1.500 soldados na Base Aérea de Erbil, abaixo dos cerca de 2.500 militares no país antes da retirada. O Ministério de Assuntos Peshmerga afirmou que o Curdistão iraquiano sofreu mais de mil ataques de drones e mísseis balísticos desde 28 de fevereiro, quando Israel e os EUA lançaram a guerra contra o Irã. O premiê do Governo Regional do Curdistão, Masrour Barzani, disse que a ameaça é real e que os curdos estão vulneráveis e sob ataque.

O líder do Kataib Hezbollah, Ahmad al-Hamdawi, anunciou a suspensão das atividades militares, com exceção do ataque a aeronaves hostis que violem o espaço aéreo do país, enquanto o porta-voz Jaafar al-Husseini disse que as negociações com o governo sobre a regulamentação das armas não chegaram a acordo e que as armas seguem nas mãos dos combatentes, segundo a Associated Press (AP), em texto republicado pelo Middle East Eye. O anúncio ocorreu na quarta-feira, primeiro dia do período pós-coalizão do país, segundo o Iraqi News.

O primeiro-ministro iraquiano Ali Faleh al-Zaidi disse na quarta-feira que as forças do país estão no controle da segurança numa “nova fase” de soberania, com o fim da missão da coalizão liderada pelos Estados Unidos (EUA), segundo o Middle East Eye – o país iniciou um feriado de quatro dias para marcar a retirada das tropas estadunidenses e internacionais após mais de uma década de combate ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL), segundo a Al Jazeera.

O clérigo xiita Muqtada al-Sadr exigiu compensação dos Estados Unidos (EUA) pelos danos causados pela ocupação do Iraque e pediu que os iraquianos apresentem denúncias judiciais, em declaração nesta quarta-feira, data-limite para as forças estadunidenses encerrarem 12 anos de presença no país. Na mesma nota, saudou a “independência do Iraque”, segundo o Middle East Eye, e disse que os EUA e os “países vizinhos” devem se abster de interferir nos assuntos iraquianos.

Os últimos militares britânicos e estadunidenses deixaram o Iraque, encerrando uma presença militar de mais de uma década no país, segundo a British Broadcasting Corporation (BBC). As Forças Armadas dos Estados Unidos (EUA) anunciaram nesta quarta-feira que concluíram a retirada de todas as suas tropas do Iraque, encerrando uma missão de 12 anos, segundo a France 24. O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, disse que o fim da missão da coalizão marca a transição do Iraque para uma fase em que o país assume plena responsabilidade, segundo a BBC.

Os Estados Unidos anunciaram a retirada de suas forças do Iraque, 23 anos depois da invasão que derrubou Saddam Hussein, segundo o Middle East Eye. As últimas bases militares estadunidenses no país devem ser desocupadas até 30 de setembro, encerrando mais de duas décadas de envolvimento militar dos Estados Unidos, segundo a Deutsche Welle (DW), em texto publicado pelo Newscord. O primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, afirmou que 1º de outubro será um novo dia no percurso do Estado iraquiano, com o país livre de qualquer presença militar estrangeira e a conclusão da soberania nacional sobre o território iraquiano.

A Iraqi Airways retomou os voos comerciais entre a província central de Najaf e aeroportos iranianos, segundo a estatal Iraqi News Agency. Os voos voltaram a operar na segunda-feira depois que o aeroporto de Najaf e outros três aeroportos iraquianos suspenderam temporariamente as operações por temor de sanções secundárias dos Estados Unidos (EUA). Mais cedo no mesmo dia, o Irã apresentou queixa formal à Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) contra as sanções aéreas dos EUA, segundo a Agência de Notícias da República Islâmica (IRNA).

Todos os aeroportos do Iraque passaram a aplicar nesta semana o veto dos Estados Unidos a companhias aéreas iranianas, com grande transtorno no aeroporto que serve a cidade santa de Najaf, principal destino dos voos iranianos no país, segundo a AFP, em texto publicado pelo Middle East Eye. O embaixador do Irã no Iraque afirmou, segundo a ISNA, que há cerca de 25 voos diários do Irã para Najaf e cerca de 15 para Bagdá, e que entre 12 mil e 13 mil pessoas viajam por dia entre os dois países em companhias iranianas. O governo iraquiano disse no sábado que mantém conversas diretas com os Estados Unidos para isentar alguns aeroportos iraquianos das medidas do Tesouro dos Estados Unidos contra companhias aéreas iranianas que voam para aeroportos da região, segundo o The National, em busca de liberar voos por razões humanitárias.

Forças da coalizão liderada pelos Estados Unidos devem se retirar de instalações na região do Curdistão iraquiano até 30 de setembro de 2026, conforme acordo entre Bagdá e Washington para encerrar a missão da coalizão, segundo o Middle East Eye. O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, disse na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 25 de setembro de 2026, que o fim da missão da coalizão internacional levaria a relação do Iraque com seus parceiros estratégicos da cooperação militar à cooperação econômica e de desenvolvimento. O ministro do Interior do Curdistão, Rebar Ahmed Khalid, disse à Anadolu Agency que as forças da coalizão estão se retirando do Iraque, inclusive da região curda, diariamente, e que devem concluir a saída até o fim de setembro de 2026.

O gabinete do primeiro-ministro iraquiano Ali al-Zaidi pediu isenção aos Estados Unidos para retomar os voos com o Irã por motivos humanitários ligados a tratamento médico, educação, visitas religiosas e interesses de civis, depois de quatro aeroportos do país suspenderem na sexta-feira todos os voos de e para o Irã, dias após Washington anunciar novas sanções de aviação a qualquer empresa global que faça negócios com companhias aéreas iranianas. No sábado, manifestantes se reuniram em Bagdá contra a suspensão, em protesto organizado por milícias aliadas do Irã, e o líder do Harakat Hezbollah al-Nujaba, Akram al-Kaabi, prometeu organizar protestos nos aeroportos do país caso o tráfego aéreo normal não seja retomado.

O governo do Iraque negocia uma isenção que livraria certos aeroportos do país do veto dos Estados Unidos às companhias aéreas iranianas. Segundo a AFP, em texto republicado pelo The Hindu, a isenção permitiria retomar os voos por razões humanitárias, entre elas tratamento médico, educação, visitas religiosas e o interesse de civis. Quatro aeroportos iraquianos suspenderam todos os voos de e para o Irã dias depois de os Estados Unidos anunciarem novas sanções de aviação contra empresas de qualquer país que façam negócios com companhias aéreas iranianas; segundo a mídia estatal iraquiana, os voos partiam de Bagdá, Najaf, Erbil e Sulaimaniyah.

A Turquia e o Iraque acordaram a entrega gradual da base de Bashiqa-Zelikan, no norte do Iraque, ao governo federal iraquiano, após reunião do presidente Recep Tayyip Erdogan com o primeiro-ministro Ali al-Zaidi em Nova York, à margem da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo a AP, via Business Standard. O comunicado conjunto diz que as forças turcas entregarão o acampamento conforme mecanismo e cronograma a serem acordados entre as partes, à luz do progresso das medidas de segurança do Iraque, segundo a Türkiye Today. O Iraque comprometeu-se a estender plenamente a autoridade do Estado em Sinjar e a encerrar a presença de elementos armados estrangeiros banidos na região.

Os aeroportos de Erbil e Sulaimaniya, no Iraque, suspenderam os voos com o Irã a partir desta sexta-feira, 25 de setembro de 2026, segundo a Reuters. Com Bagdá e Najaf, são quatro os aeroportos iraquianos que cortaram a operação com o país. A medida responde às sanções anunciadas pelos Estados Unidos contra empresas que negociem com companhias aéreas iranianas após 23 de setembro. Em Najaf, os voos foram paralisados na madrugada de sexta-feira por diretriz do gabinete do primeiro-ministro, disse o diretor do aeroporto à Al Arabiya.

O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, disse na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que o país não será “arena dos conflitos alheios” nem moeda de troca, e pediu cessar-fogo, retirada total de Israel e monopólio das armas nas mãos do Estado libanês, segundo a Al Jazeera. Em Nova York, as reuniões de Salam ainda não garantiram a extensão de seis meses do mandato da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) que o país pede, e Beirute passou a defender uma força internacional que ocupe o lugar depois do fim da missão, segundo o Ya Libnan. Na mesma sessão, o primeiro-ministro do Iraque, Ali Falih Al-Zaidi, defendeu um Estado palestino soberano e disse que não há estabilidade no Oriente Médio sem uma solução justa para a questão palestina, segundo a Al Jazeera.

Empresas de serviços de solo (handling) suspenderam o atendimento a voos entre o Iraque e o Irã em todos os aeroportos do país, paralisando o tráfego aéreo entre os dois países, disse ao Shafaq News uma fonte do Ministério dos Transportes do Iraque. A Menzies Aviation e a National Aviation Services (NAS) afirmaram não poder mais prestar os serviços por temor de penalidades do Tesouro dos Estados Unidos, que em 8 de setembro sancionou 36 entidades do setor aéreo iraniano, entre elas 27 companhias aéreas. Os aeroportos de Erbil e Sulaimaniya, no Curdistão iraquiano, também suspenderam os voos com o Irã, segundo o Middle East Eye.

O Aeroporto Internacional de Najaf suspendeu todos os voos de e para o Irã a partir das 20h de quinta-feira, 24 de setembro de 2026 (UTC-3), quando eram 2h de sexta-feira em Najaf, e até nova ordem, por instruções oficiais, informa o Shafaq News. Todos os voos de entrada e saída entre o Irã e Najaf foram cancelados, e peregrinos ficaram retidos em Teerã, segundo a WANA.

O Ministério do Petróleo do Irã afirmou que cerca de 50% da capacidade danificada do campo de gás de South Pars voltou a operar, depois do ataque israelense de 18 de março de 2026 que paralisou duas refinarias do complexo de Asaluyeh e interrompeu o envio de gás iraniano ao Iraque, conforme noticiou The National. O vice-ministro do Petróleo para Planejamento disse que a produção naquela seção foi retomada até 22 de setembro de 2026 e que o programa de recuperação será concluído antes do início do inverno, segundo a Mehr News. O campo fornece cerca de 75% do gás consumido no país e sustenta perto de 80% da geração de eletricidade, segundo reportagem da Rádio Free Europe/Radio Liberty reproduzida pelo GlobalSecurity.org.

Os aeroportos de Bagdá, no Iraque, e de Mascate, em Omã, deixaram de aceitar voos de companhias iranianas a partir da meia-noite desta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, quando passaram a valer as sanções dos Estados Unidos contra a aviação do Irã. A informação é da agência semioficial iraniana Tasnim, citada pela Al Jazeera e pela Agence France-Presse (AFP). O governo do Iraque ordenou à autoridade de aviação civil que suspendesse os voos iranianos a Bagdá, segundo duas fontes ouvidas pela Reuters, e estuda redirecionar essas frequências para Najaf, destino de peregrinação. A Organização da Aviação Civil do Irã negocia com Omã e afirma que os demais voos internacionais, entre eles os de Istambul, seguem como programados, segundo a agência ISNA. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse na segunda-feira, 21 de setembro, que as companhias aéreas iranianas ficariam impedidas de operar em todo o mundo a partir de 23 de setembro pela ameaça de sanções secundárias a quem lhes presta serviço: “não se pode fornecer combustível, não se pode fornecer serviços de pouso, não se pode vender bilhetes a eles, ou você fica fora do sistema do dólar”, disse à CNBC. O Irã tem 27 companhias aéreas, a maioria delas doméstica, e as rotas internacionais se concentram na Iran Air e na Mahan Air. Analistas ouvidos pela Al Jazeera observam que Washington não tem autoridade para fechar o espaço aéreo de outros países, e que o corte de combustível e de serviços de solo produz efeito equivalente.

O Iraque vai suspender os voos de companhias aéreas iranianas a partir do amanhecer de terça-feira, para cumprir a decisão do Tesouro dos Estados Unidos que fecha as empresas iranianas ao tráfego internacional em 23 de setembro, segundo duas fontes do governo iraquiano ouvidas pela Agence France-Presse (AFP); uma delas avisou que países que não aplicarem a medida correm risco de sanção. A Geórgia também barrou as companhias iranianas, e a Mahan Air suspendeu os serviços à Turquia a pedido do governo turco. A Iran Air afirma que vai manter a rota para Najaf, no Iraque, apesar da medida.

Em entrevista ao The New York Times publicada nesta segunda-feira, o primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, voltou a prometer o desarmamento das milícias apoiadas pelo Irã, no mesmo dia em que viajou a Nova York para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), onde deve se encontrar com Donald Trump à margem da reunião, segundo o porta-voz do governo, Haider al-Aboudi. O prazo de 30 de setembro é o mesmo para o fim da missão da coalizão liderada pelos Estados Unidos no país e para a entrega das armas fora do controle estatal, compromisso que al-Zaidi assumiu com Trump em julho. O próprio governo envia sinais divergentes: o assessor de segurança nacional, Qasim al-Araji, disse em agosto que a data marca a saída da coalizão e não o prazo para a entrega das armas, e o comitê encarregado do desarmamento não tem prazo definido, segundo o jornal The National. O porta-voz do comandante-em-chefe, Sabah al-Numan, afirmou à agência estatal Iraqi News Agency que 30 de setembro é “um ponto de virada estratégico” e que a partir dele “desaparece qualquer justificativa” para a ação armada fora da autoridade do Estado. Entre as facções, o quadro é igualmente dividido: Saraya al-Salam, Asaib Ahl al-Haq e Kataib Imam Ali anunciaram adesão e entregaram parte do armamento, enquanto Kataib Hezbollah, Harakat Hezbollah al-Nujaba e Kataib Sayyid al-Shuhada rejeitam o prazo, segundo o Carnegie Endowment for International Peace e o site iraquiano 964media. O Iraque já tentou concentrar as armas no Estado uma vez, depois da retirada americana de 2011, e o país mergulhou em violência sectária até o avanço do Estado Islâmico em 2014.

Dados da Kpler citados pela Reuters mostram que 22 petroleiros, em sua maioria VLCC (very large crude carrier), deixaram o Estreito de Ormuz na semana de 13 de setembro com 42 milhões de barris de cru, com Arábia Saudita e Iraque respondendo por 43% do volume cada um. O VLCC Pinios transferia nesta segunda-feira 2 milhões de barris de cru iraquiano Basrah ao largo de Fujairah para outro VLCC, o New Constant, com destino à China. Ataques dos houthis ao oleoduto Leste-Oeste da Aramco levaram a estatal saudita a ampliar as exportações pelo Estreito neste mês, e não há carregamentos visíveis no porto de Yanbu, no mar Vermelho, desde 16 de setembro.

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